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PROFISSIONAIS DA SAÚDE DISCUTEM A INCIDÊNCIA DE RAIVA NO ESTADO

Geral

26.11.2010

CORREIO DA TARDE | CORREIO NATAL

Por: Tarcyla Costa

Publicado no dia 25/11/10

Com o ob­je­ti­vo de dis­cu­tir a in­ci­dên­cia de raiva no Rio Gran­de do Norte, será rea­li­za­da uma reu­nião cien­tí­fi­ca no au­di­tó­rio do Con­se­lho Re­gio­nal de Me­di­ci­na, nesta quinta-feira (25). O even­to, or­ga­ni­za­do pelos hos­pi­tais Gi­sel­da Tri­guei­ro (HGT) e Hos­pi­tal Mon­se­nhor Wal­fre­do Gur­gel (HMWG) em par­ce­ria com a So­cie­da­de Rio­gran­den­se do Norte de In­fec­to­lo­gia tem como tema "Raiva: uma preo­cu­pa­ção cres­cen­te".

A reu­nião co­me­ça­rá a par­tir das 19h, com a apre­sen­ta­ção de caso clí­ni­co de raiva hu­ma­na, a cargo da Dra. Ilka Maria de Oli­vei­ra Ba­tis­ta, mé­di­ca in­ten­si­vis­ta pe­diá­tri­ca do HMWG. Em se­gui­da, ha­ve­rá a pa­les­tra 'Manejo Clí­ni­co e Terapêutico', com o Dr. Kle­ber Gio­van­ni Luz, pro­fes­sor da Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral do Rio Gran­de do Norte (UFRN) e mé­di­co in­fec­to­lo­gis­ta do HGT. De­pois, o Dr. Te­nó­rio Fe­li­pe de Araú­jo, mé­di­co ve­te­ri­ná­rio do HGT e do Lacen, apre­sen­ta­rá o qua­dro epi­de­mio­ló­gi­co atual do es­ta­do. Fi­na­li­zan­do a reu­nião, será aber­to um es­pa­ço para de­ba­te.

Di­re­cio­na­do aos pro­fis­sio­nais de saúde, o even­to não re­quer a rea­li­za­ção de ins­cri­ções. De acor­do com Mi­le­na Mar­tins, diretora-geral do HGT, 'trata-se de uma reu­nião im­por­tan­te para aler­tar os pro­fis­sio­nais da área sobre o au­men­to da raiva em mor­ce­gos nos úl­ti­mos anos, dis­cu­tin­do a doen­ça num con­tex­to amplo, assim como o tra­ta­men­to e a de­tec­ção do agra­vo, prin­ci­pal­men­te no in­te­rior do estado'.

Sobre a doença

Tam­bém co­nhe­ci­da como hi­dro­fo­bia, a raiva é con­traí­da a par­tir de um vírus pre­sen­te em ma­mí­fe­ros in­fec­ta­dos. A trans­mis­são ocor­re atra­vés da pele ou mu­co­sa, por meio de mor­di­da, lam­be­du­ra ou ar­ra­nhão de ani­mal con­ta­mi­na­do. Além disso, a raiva pode ser trans­mi­ti­da entre seres hu­ma­nos, por meio de sa­li­va e lá­gri­mas.

Os prin­ci­pais sin­to­mas da doen­ça em ani­mais são agi­ta­ção, agres­si­vi­da­de, falta de coor­de­na­ção mo­to­ra, pa­ra­li­sia dos mús­cu­los da de­glu­ti­ção e da man­dí­bu­la (sa­li­va­ção e di­fi­cul­da­de para en­go­lir). Já nos seres hu­ma­nos, além des­ses sin­to­mas, ocor­re perda da sen­si­bi­li­da­de no local da ino­cu­la­ção do vírus (por onde ele en­trou no or­ga­nis­mo), dores de ca­be­ça, alu­ci­na­ções e con­vul­são.

Vacinação

A va­ci­na anti-rábica tem a fun­ção de pre­ve­nir a raiva, que é uma doen­ça viral trans­mi­ti­da ao homem por meio de mor­de­du­ra, lam­be­du­ra ou ar­ra­nha­du­ra de ani­mais ma­mí­fe­ros doen­tes. A prin­ci­pal ca­rac­te­rís­ti­ca da en­fer­mi­da­de é que ela evo­lui para morte em pou­cos dias. Os casos que foram mais re­gis­tra­dos são em cães, gatos, sa­güis, e mor­ce­gos.

Raiva humana

Tam­bém será dis­cu­ti­da du­ran­te a reu­nião a ne­ces­si­da­de de in­ten­si­fi­car o tra­ba­lho de es­cla­re­ci­men­to junto à po­pu­la­ção acer­ca da raiva hu­ma­na, com o ob­je­ti­vo de evi­tar a ocor­rên­cia de novos casos da doen­ça.

Desde 1993 sem re­gis­tro de casos de raiva hu­ma­na no Es­ta­do, foi con­fir­ma­do em abril de 2010, pelo La­bo­ra­tó­rio Cen­tral Dr. Al­mi­no Fer­nan­des (Lacen) um caso da doen­ça no RN. Trata-se de um agri­cul­tor do mu­ni­cí­pio de Fru­tuo­so Gomes, si­tua­do no Alto Oeste do Es­ta­do. O pa­cien­te, cuja mão havia sido mor­di­da por um mr­ce­go que lhe trans­mi­tiu o vírus cau­sa­dor da doen­ça, ape­nas pro­cu­rou um ser­vi­ço de saúde apro­xi­ma­da­men­te 60 dias após o con­tá­gio. En­ca­mi­nha­do ao Hos­pi­tal Gi­sel­da Tri­guei­ro, o pa­cien­te fa­le­ceu no mesmo dia em que che­gou ao hos­pi­tal, em de­cor­rên­cia de uma pa­ra­da car­dior­res­pi­ra­tó­ria.

 

Fonte: CORREIO DA TARDE | CORREIO NATAL