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HIPERTENSÃO SISTÊMICA: UMA GRANDE VILÃ

Geral

29.11.2010

TRIBUNA DO NORTE | NATAL

Publicado no dia 28/11/10

Dr. Jorge Boucinhas– Médico e professor da UFRN


Conforme prometido, este Artigo da série sobre Hipertensão Arterial (HAS) lida com possibilidades de seu manejo clínico sem apelo direto a medicamentos. E não são poucas tais possibilidades, sendo que podem ser usadas em associação ao tratamento com a Medicina clássica ou, em certos casos, isoladamente. Sua utilização, desde que tenham eficácia cientificamente comprovada, pode ser mui interessante.

Comparada com os efeitos produzidos apenas por fármacos, a técnica dada à luz pelo Maharishi Mahesh Yogi, a Meditação Transcendental (MT), foi observada, em estudo publicado no prestigiado periódico American Journal of Cardiology, diminuir em 30% os acidentes cardiovasculares.   Tal pesquisa durou nada menos do que 18 anos e foi feita com 202 homens e mulheres idosos e hipertensos, os quais dedicaram-se a essa prática, sistematicamente, vinte minutos duas vezes o dia.

Em outro estudo, 150 pacientes em tratamento por HAS foram divididos em grupos que, além da medicação, receberam ou aulas de alongamento mais exercícios físicos ou participaram de sessões de MT ou somente receberam orientação educativa sobre a doença. Os participantes foram acompanhados por um ano, com medições periódicas dos níveis de pressão arterial. O grupo MT foi o que conseguiu melhores resultados, os quais perduraram por todo o ano de acompanhamento. Além de baixar os níveis de pressão, a meditação foi capaz de fazer com que aqueles que a praticavam precisassem de menores doses para obter sucesso no controle da enfermidade. As mulheres apresentaram resultados ligeiramente superiores aos homens, provavelmente por terem sido mais assíduas às e aplicadas nas aulas de meditação.

Um terceiro trabalho, este da Kentucky University, nos Estados Unidos, publicado na revista American Journal of Hypertension, constou de uma busca nas bases de dados médicos até Dezembro de 2006, tendo sido recolhidas publicações sobre a Meditação Transcendental. O objetivo foi o de comparar resultados do uso dela com grupos controle. No total, 9 publicações foram incluídas no levantamento e os resultados indicaram que a MT, em comparação com os grupos-controle, foi associada com as seguintes alterações: -4,7 mm Hg, em média, na pressão máxima, e -3,2 mm, em média, na pressão mínima. Segundo os autores da pesquisa, a redução nestes patamares já seria útil e capaz de reduzir a mortalidade cardiovascular.

Com relação ao Yoga, entre diversos outros trabalhos, foi publicado, em 2007, na Revista Brasileira de Hipertensão, algo muito interessante. Os autores, Carlos Pinheiro, Renato Medeiros, Denise Pinheiro e Maria de Jesus Marinho, avaliaram os efeitos da prática como recurso complementar no tratamento e controle de hipertensos atendidos a nível ambulatorial. Foram vistos 16 pacientes (10 mulheres e 6 homens) durante um mês. O protocolo envolveu exercícios de controle respiratório (Pranayama na postura de relaxamento shavastasana) durante 60 minutos diários. As variáveis analisadas foram a variabilidade da freqüência cardíaca (VFC), a pressão arterial sistólica (PAS) e a pressão diastólica (PAD). Os encontros foram submetidos a análise estatística, tendo sido observadas reduções significativas da PAS e da PAD, ambas associadas à melhora na VFC, tendo os autores concluído que o Hatha Yoga pode ser utilizado como recurso complementar no tratamento da HAS de vez que sua prática está associada à melhora na função autonômica cardíaca e à redução da tensão arterial e da sobrecarga cardíaca dos hipertensos.

Um outro método merecedor de atenção é o Qigong ou Chikung, técnica milenar de respiração chinesa. Tendo começado em 1971, pesquisadores do Instituto de Hipertensão de Shangai conduziram uma serie de pesquisas retrospectivas e prospectivas, seguindo o progresso de pacientes hipertensos que experimentaram a prática de exercícios “Bibang Yang Shenggong” por 30 minutos, duas vezes ao dia. Esse estilo de Qigong é dito ser muito valioso para usos terapêuticos e consiste em uma combinação de meditação sentada com movimentos leves, enfatizando mente calma, corpo relaxado e respiração regular.   Isto foi feito sem desprezar os remédios apropriados, com dosagem ajustada segundo cada caso. Neste e em mais três estudos retrospectivos da mesma clínica comprovou-se que a prática reduziu a incidência de mortalidade entre os usuários e a dosagem das drogas usadas para controlar a TA.

O próximo Artigo concluirá esta série versando sobre outras alternativas ao controle da HAS, especialmente o uso de plantas medicinais. Até ele!

Fonte: TRIBUNA DO NORTE | NATAL