CERCA DE 2,5% DA POPULAÇÃO É PORTADORA DO HIV/AIDS - Hoje é o Dia Mundial do Combate à Aids em Mossoró a data terá uma programação especial desenvolvida pela Prefeitura e pela Ursap
Geral
01.12.2010
GAZETA DO OESTE | CIDADES
Publicado no dia 01/12/10
Vencer a luta contra o preconceito é um dos principais objetivos das pessoas que sofrem com a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Hoje, 1º de dezembro, é o Dia Mundial do Combate à Aids. Em Mossoró a data terá uma programação especial.
A Prefeitura vai lançar uma campanha de prevenção à doença. O tema será "Previna-se e garanta um próspero ano-novo". Já a II Unidade Regional de Saúde Pública (II URSAP) em parceria com o Hospital Rafael Fernandes e outras unidades de saúde, vai realizar uma mobilização no horário de 8h às 17h com testes rápidos e distribuição de camisinhas e materiais educativos sobre a doença.
De acordo com os dados do Hospital Rafael Fernandes, o número de portadores do HIV/Aids em Mossoró está crescendo a cada ano, somente em 2010 foram registrados mais de 30 novos casos. Atualmente, a quantidade de portadores do HIV/Aids é de 491 pessoas.
Mesmo a quantidade sendo considerada alta, a realidade é ainda pior, pois os números apresentados pelo hospital representam apenas as pessoas que procuram tratamento. A estimativa é que 2,5% da população seja portadora da doença.
O infectologista Dr. Alfredo Passalácqua, que já trabalha há vários anos com portadores da HIV/Aids, acredita que menos da metade das pessoas que estão infectadas pelo vírus HIV sabem que estão doentes, já outras pessoas até sabem que estão doentes, mas não procuram tratamento. A estimativa é que, para cada pessoa que descobre estar doente, existem duas ou três que não sabem, ou seja, há mais de mil pessoas com HIV/Aids em Mossoró que não procuram tratamento.
"O preconceito da família, amigos e da sociedade com os portadores do HIV/Aids é o principal motivo para que muitos deles não procurem tratamento. A sociedade ainda é muito preconceituosa com essas pessoas".
A faixa etária dos portadores varia bastante, as mulheres geralmente têm entre 25 a 35 anos e os homens de 25 a 45 anos. A paciente mais nova do dr. Alfredo Passalácqua é uma garota de 11 anos, já o mais velho é um homem de 77 anos. "O tratamento para eles é praticamente igual, apenas uma diferença na dosagem de remédios ou nas atividades que são feitas para cada um. A maior parte do tratamento é feito por igual, seja homem ou mulher, novo ou velho".
Para que as pessoas busquem o tratamento adequando, o apoio familiar é fundamental. "Durante o período de tratamento é comum as pessoas se afastarem e discriminarem o paciente, isso acontece por falta de informação, muita gente pensa que qualquer contato vai fazer com que seja adquirida a doença e não é assim, até mesmo relação sexual pode ser feita com um portador do HIV/Aids, desde que seja feita com preservativo", comenta o médico.
O uso de preservativo continua sendo a principal forma de evitar o contágio da doença. Apesar de várias campanhas incentivando o uso, muitas pessoas ainda praticam relação sexual sem a segurança adequada. "A principal forma de prevenção é usando a camisinha, pois ela garante segurança para que a relação seja segura, principalmente quando existe uma constante troca de parceiros. Mesmo quem tem parceiro fixo é aconselhável que use, caso não use, fazer exames a cada seis meses", finaliza.
Mobilizações serão realizadas a partir de hoje
As equipes que trabalham na Gerência Municipal de Saúde e na Ursap desenvolverão uma campanha hoje. "Nesta quarta, dia 1º de dezembro, data oficial do combate à Aids, iremos realizar palestras, distribuição de preservativos, orientações sobre os perigos da doença e exames gratuitos em frente à Praça do Pax. As pessoas que quiserem saber se tem ou não HIV poderão participar, basta apresentar um documento oficial com foto, assinar um termo de compromisso e em 20 minutos terão o resultado", explica Elisângela Gurgel, coordenadora do programa de prevenção de DST/Aids do município.
Além da programação na Praça do Pax, a Cobal vai receber as mesmas atividades no dia 4, assim como alguns prostíbulos e casas noturnas da cidade entre os dias 6 a 9 de dezembro. "O diagnóstico precoce é uma das nossas prioridades, pois se tem algo que desejamos é a redução do HIV/Aids em Mossoró", afirma Elisângela.
As Unidades Básicas de Saúde também farão sua própria programação ligada à prevenção da Aids, assim como o Hospital Rafael Fernandes, responsável pelo tratamento dos portadores da doença. O tema da programação do hospital é relacionado ao preconceito, um dos motivos de grande tristeza para os portadores. "Somos iguais: Preconceito não! É a melhor forma de mostrar que não existe diferença entre uma pessoa e outra. A doença não quer dizer que o portador seja pior que você, não faz dele incapaz ou frágil. As pessoas têm que aprender a conviver com quem sofre da doença, afinal somos todos iguais", afirma Margarete Lira, assistente social.
NÚMEROS — Até novembro de 2010 foram registrados 491casos de HIV/Aids em Mossoró, sendo 370 com Aids, ou seja, com a doença manifestada; 98 HIV monitoramento, quando os portadores estão sendo acompanhados pelo hospital e 23 crianças expostas, filhos de mãe com HIV que podem ou não apresentar o vírus, elas ficam em observação até aos dois anos de idade para ver se apresentam ou não o vírus da HIV.
Entre as 370 pessoas com a doença manifestada, são 198 homens, 164 mulheres, 4 adolescentes e 4 crianças. Já entre as 98 pessoas em monitoramento, são 36 homens, 52 mulheres, 1 adolescente e 9 crianças. Só neste ano foram registrados 33 novos casos. "A quantidade de novos portadores do HIV/Aids é alta, o ideal seria que nenhum novo caso fosse detectado. Sem contar que as pessoas que procuram tratamento equivalem à minoria. A relação sexual sem uso de preservativo continua sendo o principal meio de propagação da doença, mesmo com tantas orientações e a facilidade de encontrar preservativos as pessoas continuam fazendo sexo sem camisinha. Isso é o ruim", revela Margarete Lira.