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JOVENS SAUDÁVEIS USAM MEDICAMENTOS PARA MELHORAR DESEMPENHO SEXUAL

Geral

03.12.2010

O MOSSOROENSE | COTIDIANO

Publicado no dia 03/12/10

Inicialmente indicados para disfunção erétil, os medicamentos que têm a finalidade de auxiliar no tratamento de impotência sexual estão sendo utilizados por jovens saudáveis que, em tese, não necessitam da droga. Na busca pelo desempenho sexual desejado, atualmente cada vez mais homens jovens, entre a faixa etária de 18 a 25 anos, utilizam estes tipos de medicamentos.  

Entre os remédios mais empregados para promover de maneira errônea uma performance superior no ato sexual, estão o Viagra, Levitra e Cialis. Segundo o urologista Lupércio Vale Pereira, o medo de falhar e a facilidade na aquisição desses medicamentos podem colaborar para sua utilização demasiada.

"Os jovens se automedicam com estimulantes com o intuito de melhorar ou se prevenir de uma eventual falha da ereção, sendo esta a principal causa que tem motivado bastante a procura por esse tipo de medicamento. Entretanto, isso é um erro que pode acarretar consequências à saúde do usuário e dependência pelo uso crônico da substância", explica.

Foi o que aconteceu com jovem I. S. Após utilizar com regularidade estimulantes sexuais, agora o jovem revela que só se sente seguro em relação ao desempenho quando faz uso do medicamento. "Toda vez que saio com uma namorada nova ingiro o remédio para prolongar a "brincadeira". No começo era por uma questão apenas de "garantia" de uma boa noite. Mas hoje em dia só fico confiante quando tomo o remédio", conta.  

A facilidade de adquirir o estimulante contribui para o aumento da utilização deste medicamento de forma inadequada. Na teoria, os medicamentos para o tratamento da disfunção erétil só deveriam ser vendidos com receita médica, mas na prática não é isso o que ocorre na maior parte das drogarias do município. "É muito fácil comprar Viagra sem receita médica em qualquer farmácia da cidade, e com chegada do genérico ficou mais acessível para o bolso", revela o jovem.

Para especialistas, na maioria dos casos, os jovens tomam o estimulante sem que haja real necessidade. "Os jovens estão desvirtuando a real função dos estimulantes, que é tratar os casos de impotência sexual, usando-os com o intuito de 'prolongar o prazer", frisa o urologista. Conforme o especialista, para a conscientização dos jovens, é preciso derrubar o mito de que quanto mais forte a ereção e quanto mais tempo durar, melhora o desempenho sexual. "O jovem deve estar ciente que o uso indevido pode acarretar problemas futuros", complementa.

Na situação, o problema vai além do uso indiscriminado de medicamento. O mais agravante nestes casos é que o uso prolongado do remédio pode causar dependência e até patologias, segundo afirmam os médicos. "Além da dependência ao medicamento, é possível que os estimulantes provoquem no usuário jovem uma doença chamada de priapismo, que consiste na permanência muito prolongada do pênis ereto. Neste caso, apenas uma intervenção cirúrgica poderá eliminar a anomalia", destaca o especialista.

Mesmo para os homens que possuem problemas com ereção, o especialista orienta que é preciso, acima de tudo, uma avaliação médica, pois só então descobrirá a origem da disfunção erétil. "Às vezes, a disfunção é de origem psicogênica, ou seja, o problema é de ordem psicológica, estando diretamente associado ao estado emocional da pessoa. Por isso, antes de se automedicar, torna-se imprescindível a avaliação do especialista, no caso, o urologista", conclui Lupércio Vale.   

Fonte: O MOSSOROENSE | COTIDIANO