RISCOS QUASE DESCONHECIDOS-As trombofilias são caracterizadas pelas chances elevadas de entupimentos de vasos sanguíneos
Geral
13.12.2010
DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE
Por: Dominique Lima
Publicado no dia 12/12/10
Raras e pouco conhecidas, as trombofilias são uma das principais causas de abortos tardios sucessivos, que acontecem no segundo e no terceiro trimestres de gestação. Caracterizado pelo aumento da predisposição a tromboses em mulheres, esse grupo de doenças dificulta o bom funcionamento da placenta, o que traz riscos para o feto. Mulheres com o problema também precisam tomar cuidados extras para diminuir as chances de entupimentos de vasos sanguíneos – que podem causar infarto, embolia pulmonar e acidente vascular cerebral (AVC) – durante a gravidez e as primeiras semanas após o parto.
As trombofilias são compostas por um grupo de doenças, genéticas ou adquiridas e podem atingir mulheres de qualquer idade, com ou sem filhos. Por conta da baixa incidência na população feminina brasileira, só precisam de exames aquelas mulheres que tiveram trombose, passaram por um aborto tardio ou pelo menos dois precoces. A medida tem outra explicação. Ainda não se sabe exatamente a extensão da influência dessas doenças, principalmente as genéticas, nas chances de complicação no quadro de saúde das pacientes. "É difícil dizer a frequência exata das trombofilias no Brasil, porque muitas pessoas têm e não são diagnosticadas como sendo esse o quadro. Esses problemas são ainda afetados por fatores externos e por outras doenças ocasionais", afirma o hematologista de Brasília (DF), Sandro Pinheiro Melim.
Além disso, o tratamento contra as trombofilias, que consiste no uso profilático de anticoagulantes, traz efeitos colaterais e riscos de complicações graves ao organismo. "O uso de anticoagulante pode levar a sangramentos e causar osteoporose. Além disso, o custo da medicação mais indicada, a heparina de baixo peso molecular, é muito alto", enumera o vice-presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia de Brasília (DF), Alberto Zaconeta. Por isso é necessário ponderar os riscos da trombofilia e os do tratamento para desenhar a melhor estratégia para cada caso apresentado.
Para aumentar a eficácia do medicamento, sugere-se evitar ao máximo os fatores externos que elevem o risco de excesso de coagulação. Alimentação correta, não fumar, evitar situações de imobilidade e praticar atividades físicas auxiliam a controlar as chances de trombose.
Saiba mais
Trombofilias hereditárias
São alterações genéticas que causam desequilíbrio em algum dos fatores de coagulação. Além de raras, muitas vezes só causam trombose se associadas a outra situação de risco:
l Fator V Leiden
l Mutação do gene da protrombina
l Alteração da enzima MTFHR
l Deficiência da proteína S
l Deficiência da proteína C
l Deficiência da antitrombina 3
Trombofilias adquiridas
São doenças e outras condições que aparecem em algum momento da vida e aumentam as chances de trombose. Entre elas, a mais frequente e importante é a síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, porque aumenta sensivelmente as chances de trombose e de abortos sucessivos:
l Síndrome do anticorpo antofosfolipídeo (Saaf)
l Neoplasias (câncer)
l Gravidez e pós-parto
l Síndrome nefrótica (renal)
l Algumas doenças hepáticas
l Idade
l Doença varicosa (varizes)
l Obesidade
Fatores de risco
Há condições externas que aumentam as chances de trombose. Combinadas com trombofilias, podem aumentar para até 60% as chances de o indivíduo sofreruma trombose.
l Fumo
l Uso de hormônios femininos
l Longos períodos de imobilização
l Voos de média e longa duração (mais de quatro horas)
l Cirurgias
Fontes: hematologistas Alexandre Nonino e Sandro Pinheiro Melim, ginecologistas e obstetras Hitomi Miura Nakavaga, Alberto Zaconeta e Patrícia Varella.