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CONTROVÉRSIA NOS ESTUDOS SOBRE A DOENÇA

Geral

13.12.2010

DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE

Por: Dominique Lima

Publicado no dia 12/12/10

 

O avanço das pesquisas sobre trombofilias nos últimos anos tem criado um ambiente de controvérsia entre especialistas. Como os estudos são recentes, houve muitas descobertas que levaram a mudanças no tratamento e nos diagnósticos da doença. "Há 15 anos, apenas 20% das tromboses causadas por trombofilia genética eram identificadas. Graças a pesquisas recentes, que descobriram novas trombofilias, atualmente 80% dos casos são diagnosticados", explica o hematologista Alexandre Nonino.

Sabe-se, porém, que ainda existem tipos não descobertos da doença. É o que se acredita no caso da dona de casa Kátia Khallouf Bayeh, 29 anos. Há sete anos, Kátia teve um descolamento de placenta no sétimo mês de gravidez, que levou à morte do bebê. Quarenta e cinco dias depois do parto, sofreu uma trombose na perna esquerda. Depois de muitos exames, não foi encontrada nenhuma trombofilia. Mesmo sem saber qual era o problema exato, o tratamento de anticoagulante foi indicado na segunda gravidez, cinco anos depois, para evitar um novoaborto e uma nova trombose, o que não apresentou resultado.

Apesar do tratamento, Kátia sofreu o mesmo tipo de descolamento logo no segundo mês de gestação – e uma trombose na perna algumas semanas depois. Com acompanhamento, o bebê nasceu prematuro e sobreviveu. As mesmas dificuldades também foram superadas na terceira gravidez, em que a caçula, hoje com 3 meses, também nasceu prematura. "Todas as vezes que fiquei grávida foram bastante traumáticas. As duas últimas, principalmente a terceira, lembravam a primeira vez. Graças aos médicos, à minha família e por conseguir o tratamento pelo SUS, deu tudo certo", conta.

Outra questão em que as pesquisas ainda criam polêmica é o uso preventivo de anticoagulantes em mulheres com dificuldade de manter a gravidez. Segundo a ginecologista e vice-presidente da Região Centro-Oeste da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Hitomi Muira Nakavaga, a medicação era indicada para todas as pacientes com abortos não explicados. "Tal tipo de uso, no entanto, tem sidocriticado em pesquisas recentes por não aumentar as chances de evitar abortos em uma média que valesse os riscos do tratamento", alerta a especialista.

Fonte: DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE