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POPULAÇÃO SOFRE COM FALTA DE ORTOPEDISTAS NO TARCÍSIO MAIA

Geral

14.12.2010

GAZETA DO OESTE | SAÚDE

Publicado no dia 14/12/10


A idosa Eurenice Benigno de Oliveira Moura, 73, sofreu um desmaio na quinta-feira passada e em decorrência da queda sofrida fraturou um dedo da mão. À procura de assistência médica, ela foi ao Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), porém, foi informada de que haveria apenas médico ortopedista a partir das 19h. "Sofri a queda pela manhã, à tarde vim para o hospital, mas disseram que eu voltasse mais tarde, só à noite. Queria até esperar para ser atendida por um médico, pois cai e machuquei a mão por causa do desmaio. Não foi porque escorreguei e cai. Tem que ter assistência melhor", ressaltou Eurenice.
O caso de dona Eurenice é apenas um dos muitos que mostram as dificuldades enfrentadas pela população na busca do atendimento à saúde no Sistema Único de Saúde (SUS), entre elas, a falta de ortopedistas no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) – unidade que presta atendimento em casos de urgência e emergência a pacientes de Mossoró e região.
Deficiência no quadro de profissionais das áreas de ortopedia e pediatria que é relatada também por Marcelo Duarte, diretor-geral do HRTM. "Há um problema com relação aos ortopedistas. Neste mês deve ter dez turnos de 60 sem plantonista. E de pediatras, há quatro turnos sem plantonista. Não é por falta de recursos, mas de profissionais. Liguei para todos os ortopedistas e alguns vão viajar, estarão de férias. Não têm profissionais, embora haja orçamento. Foi viabilizado até aumento do valor do plantão. Consegui o mesmo valor pago em Natal. Era R$280,00 quando assumi a direção do hospital, em fevereiro de 2008, e passou para R$960,00 hoje", explica Marcelo.
O diretor informa que a dificuldade com relação à falta de profissionais também é encontrada em todo o país. "Não tem médico e isto é um problema sério", acrescentou.
O promotor de Saúde do Ministério Público em Mossoró, Guglielmo Marconi, faz uma avaliação da área na cidade neste ano e afirma que alguns avanços foram registrados, mas que eles ainda estão para surtir efeito quando ocorrer a admissão de novos médicos como anestesiologistas, ortopedistas e pediatras. "O Ministério Público fez uma recomendação em outubro que foi acatada pelo Governo do Estado, que convocou os aprovados no concurso público. Só que existe prazo para que eles tomem posse e espero que os problemas com relação à falta de profissionais seja solucionado. E quando assumirem é que haverá melhoria", afirma o promotor.

UTI NEONATAL — Segundo Guglielmo, outra questão que ainda não está solucionada é o credenciamento de outros leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal na Casa de Saúde Dix-sept Rosado (CSDR). "Estou aguardando deliberação da Comissão Bipartite e espero que seja aprovado o credenciamento dos outros leitos", disse.
Ainda com relação a leitos de UTI – adultos e pediátricos – Marconi lembrou que o Ministério Público entrou com ação civil pública em 2008 – que foi sentenciada este ano – para aumentar a oferta dos leitos no município. "Em Mossoró, neste ano, a quantidade de leitos chegou a dobrar. Tinha 14 leitos adultos e foram contratados mais seis pela Prefeitura e dez credenciados pelo Ministério da Saúde no Hospital Wilson Rosado. Mas, por enquanto, ainda não há leitos pediátricos", informou.

Fonte: GAZETA DO OESTE | SAÚDE