MÉDICA EXPLICA COMO É REALIZADA A CAPTAÇÃO DE CÓRNEAS DE DOADORES E O TRANSPLANTE
Geral
14.12.2010
GAZETA DO OESTE | MOSSORÓ
Publicado no dia 14/12/10
Enquanto alguns buscam a cura pra os problemas na visão através da fé em Santa Luzia, outras aguardam por um transplante de córneas. Em nível de Rio Grande do Norte, o núcleo da Central de Transplantes, que foi iniciado no ano de 2000, fica em Natal e é coordenado pela enfermeira Francinete Guerra, conforme informou a presidente da Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), que funciona no Hospital Regional Tarcísio Maia, dra. Elizabeth López Carrilo.
Segundo a coordenadora do CIHDOTT, este ano, cerca de 34 córneas foram doadas pelas centrais de Minas Gerais e São Paulo para ajudar com a fila existente no nosso estado. As córneas foram destinadas ao Banco de Olhos de Natal e de lá são encaminhadas ao Hospital Onofre Lopes, onde são realizados os transplantes. Dra. Elizabeth López Carrilo acredita que, com as doações, a fila de espera deve ser extinta, ou pelo menos, diminuída em 90%.
Ela explica que, embora o cadastro seja nacional, quando as córneas seguem para a capital do Estado, há prioridade para o Rio Grande do Norte.
Com relação à captação de órgãos em Mossoró, especificamente, ela comenta: "A CIHDOTT – Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes – avançou bastante", diz, se referindo ao tempo decorrido desde o mês de agosto, quando concedeu entrevista à GAZETA DO OESTE sobre o funcionamento do setor.
A médica lembra que, quando assumiu a coordenadoria da CIHDOTT havia muita dificuldade na realização da sorologia, que são os exames realizados no potencial doador. Ela explica que Mossoró contava com determinados recursos para o trabalho, mas de forma incompleta.
Elizabeth López Carrilo informa que, atualmente, com a intervenção da Promotoria da Saúde, através do promotor de Justiça Guglielmo Marconi, toda a sorologia necessária ao potencial doador pode ser realizada na cidade. Isso porque, a partir da intervenção do Ministério Público, três bioquímicos do Estado e três técnicos de laboratório contratados pela Prefeitura estão trabalhando na realização da sorologia, que é feita no Laboratório do Centro Clínico Vingt-un Rosado (PAM do Bom Jardim) e no Laboratório Regional de Mossoró (LAREM). O Hospital Tarcísio Maia também conta com um laboratório complementar.
De acordo com a coordenadora do CIHDOTT, para a captação de córneas a sorologia é mais simples, sendo necessários apenas os exames referentes à HIV e Hepatites B e C. Outra facilidade em relação às córneas é que a captação desses órgãos pode ser realizada, não apenas após o diagnóstico da morte encefálica, mas em até seis horas após o coração do potencial doador parar de bater.
A médica informa ainda que o eletroencefalograma, usado no auxílio do diagnóstico da morte encefálica, está funcionando e os laudos são dados pelo neurocirurgião, Paiva Lopes. "Doutor Paiva Lopes, mesmo sem ganhar nenhum centavo, está dando laudos de encefalograma", diz ela, explicando que o profissional foi aprovado no concurso para atuar na área, mas está em fase de tramitação na admissão.
Elizabeth López Carrilo menciona que, uma vez realizados os procedimentos locais no potencial doador, as córneas, que são extraídas pela oftalmologista Keli Regina Duarte Holanda Rego, são encaminhadas para o Banco de Olhos de Natal, onde são realizados novos exames e de lá os órgãos seguem para o Hospital Onofre Lopes, onde são feitos os transplantes. "Nosso trabalho é fazer o melhor para aquela pessoa que está cega", afirma a coordenadora do CIHDOTT.
"Foram realizadas algumas captações de córneas, com dificuldade, mas foi", afirma a médica. "Agora essa dificuldade já foi", acrescenta.
Segundo ela, nas atuais condições em que o CIHDOTT se encontra, se o setor receber, a qualquer momento, algum possível doador, seja por morte encefálica ou falecimento total, há como realizar o procedimento completo.
A médica explica ainda que há três tipos de transplantes de córneas. O mais comum e mais realizado no Rio Grande do Norte, é o tradicional. Nesse caso, o procedimento acontece da seguinte forma: a parte gelatinosa do olho, semelhante a uma lente de contato, é retirada e o paciente recebe essa mesma parte do doador. O processo de cicatrização pode demorar meses e, caso não haja rejeição o paciente recebe a visão de volta. "Às vezes, o transplante de córnea não dá certo", diz dra. Elizabeth, acrescentando que, caso haja rejeição existe há medicação específica para tratar essa rejeição.
O segundo tipo de transplante é o Lamelar. De acordo com dra. Elizabeth López Carrilo, esse procedimento é realizado nos centros mais avançados e acontece do seguinte modo: a parte da córnea danificada, que pode ter sido prejudicada por algum tipo de ácido ou mesmo por um pingo de cimento, é retirada e o 'pedaço' da córnea do doador é colocado no lugar. Com esse tipo de procedimento, uma única córnea pode servir para duas pessoas. O problema, como explica a médica, está na sutura. Como é preciso pontuar a parte que foi colocada no lugar do 'pedaço' retirado, uma linha, decorrente da 'emenda' fica no olho e essa linha pode atrapalhar um pouco a visão do paciente.
A terceira forma de transplante é feita por células-tronco. Mas a médica explica que esse método ainda está em estudo e pode ser um grande auxílio para a questão dos transplantes. Através do método, uma célula pluripotencial é colocada para ver se ela consegue ser agregada aos tecidos.