TESTE ERGOMÉTRICO: O QUE É? PARA QUE SERVE?
Geral
24.01.2011
TRIBUNA DO NORTE | ARTIGOS
Por: Dr. Jorge Boucinhas – médico e professor da UFRN
Publicado no dia 24/01/11
O assunto de hoje diz respeito a um exame mui solicitado por cardiologistas e ao qual, vez ou outra, muitos dos que se interessam por sua própria saúde tiveram ocasião de ser submetidos. Trata-se do exame denominado Teste Ergométrico (Teste de Esforço), um método de diagnóstico que já foi a ponta de lança das precauções cardiovasculares mas que, mesmo frente a novos e sofisticadíssimos exames, ainda tem validade por ser considerado bem prático e não-invasivo.
Nele, mediante um exercício de intensidade progressiva (andar e/ou correr na esteira rolante, ou pedalar na bicicleta ergométrica) cria-se uma situação de excepcional esforço (com repercussões cardíacas, pulmonares e da musculatura geral) tendo por objetivo identificar possíveis alterações do sistema cardiovascular, especialmente da circulação coronariana. A diferença básica entre o emprego de esteira rolante ou de bicicleta ergométrica consiste unicamente no tipo de movimento executado: na primeira, caminhar ou correr, na segunda, pedalar. O que soe importar são as alterações provocadas pela sobre-exigência física, que visa desequilibrar a relação entre a oferta de oxigênio ao músculo cardíaco e suas necessidades de consumo, sendo detectadas pelo acompanhamento clínico e por aparelho de eletrocardiografia, no curso do exercício e, após ele, na recuperação (existem alterações do eletrocardiograma que, uma vez desencadeadas pelo exercício, indicam uma alta probabilidade de existência de obstrução das artérias coronárias). A Hipertensão Arterial pode ser avaliada sob vários aspectos pelo teste: a queda da pressão arterial máxima em dois estágios consecutivos e, principalmente, a queda abaixo dos níveis basais é indicativa de coronariopatia em homens; o desenvolvimento de hipotensão (queda da pressão) em mulheres não tem relação com a presença de coronariopatia.
Sua indicação básica é a investigação da circulação coronariana em população de alto risco de doença coronariana, sendo útil para esclarecer dores e desconfortos torácicos pouco claros, avaliar a eficiência do tratamento (medicamentos, angioplastia, cirurgias de pontes, o que for), antevendo problemas maiores que poderiam ocorrer no decurso da atividade desportiva, entre outras vantagens.
Para sua boa execução há que se efetuar antes exame médico dirigido especialmente ao sistema cardiovascular e um ECG em repouso. É bom que o paciente porte roupas leves adequadas, havendo quem peça que tente não fumar nas 24 a 36 horas antes do exame. Nada de alimentação pesada (se for pela manhã, fazer um café-da-manhã leve; se à tarde, almoçar mais cedo alimentos de fácil digestão). É ideal não se exercitar logo antes ou, mesmo, no caso de exercícios pesados, até na véspera do exame. Atenção para os que usam medicamentos: há que consultar seu médico sobre a necessidade ou não de sua suspensão. Os muito pilosos saibam que deverão ser submetidos a uma depilação por meio de aparelho de barbear comum.
De uma forma simplista tais testes podem ser divididos em dois tipos: máximo (o exercício deve ser interrompido quando,for atingida a estafa muscular, a qual geralmente coincide com o teste máximo de freqüência cardíaca); submáximo (o exercício deve ser interrompido quando for atingida a freqüência cardíaca sub-máxima prevista para a idade, que é 85% da máxima). É de notar que, devido à redução da sensibilidade (capacidade de identificação da doença das coronárias), o teste submáximo tem sido relegado a segundo plano, salvo em casos especiais pós-infarto do miocárdio.
O Teste Ergométrico não define as alterações anatômicas das artérias coronárias. Proporciona, isto sim, uma medida indireta da circulação nas mesmas. Não se o deve interpretar como falso ou verdadeiro em relação a obstruções das artérias coronárias mas considera-se que homens com obstrução de 70% ou mais em uma artéria coronária têm 55% de probabilidade de teste anormal (sugestivo de insuficiência coronariana). Tem limitações e valores estabelecidos que devem ser respeitados para sua correta interpretação, precisando ser encarado como um método auxiliar de utilidade para o julgamento clínico, nunca um substituto deste.