HOSPITAL REGIONAL VOLTA A ATENDER CASOS DE TRAUMA
Geral
02.02.2011
Publicado no dia 02/02/11
Socorrido pelo Samu Metropolitano, após um acidente grave de trânsito, o paciente com fraturas expostas levado ao Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim, será submetido a uma cirurgia ortopédica. A prática que parece praxe em qualquer hospital de urgência e emergência só passou a ser rotina esta semana, com portaria da Secretaria Estadual de Saúde Pública que obriga a direção daquela unidade a retomar o atendimento dos casos de urgência trazidos pelo Samu. Até então, as portas estavam fechadas aos socorristas e pacientes.
Nova direção do Deoclécio Marques cumpre decisão da Sesap e volta a dar atendimento aos pacientes levados pelo SamuApesar de estruturada e com escala completa, os casos de urgência em trauma-ortopedia que tentavam dar entrada ali eram encaminhados ao Hospital Walfredo Gurgel, graças a um acordo celebrado entre a antiga gestão da Sesap e do Hospital.
O pacto, segundo o coordenador geral do Samu Metropolitano Luiz Roberto Leite Fonseca, obedecia inicialmente a um Termo de Ajustamento de Conduta (Tac) firmado entre as Secretarias e o Ministério Público para atender à demanda em situação exclusiva do Hospital Walfredo Gurgel, no tocante à fila de espera por cirurgias eletivas ortopédicas e de abdômen. Definindo assim as competências para cada procedimento entre as duas unidades – sendo as primeiras, para o Hospital Walfredo Gurgel; e o outro tipo, para o Hospital Regional de Parnamirim.
O modelo provisório – cujo vencimento estipulado pelo Ministério Público ocorreu há dois anos – continuou a ser usado pela unidade, que se negava aceitar os pacientes encaminhados pelo serviço móvel de urgência. A negativa, enfatiza o médico, culminava com o tempo de resposta do atendimento – fator essencial na sobrevivência da vítima. “A precariedade na assistência prejudica cada vez mais o sistema de saúde e, mesmo assim, se valeram da prerrogativa e por muito tempo não abriram as portas do Hospital à ortopedia.”.
Por vezes, para garantir que o paciente fosse atendido, os socorristas eram obrigados a “comprar a briga”. Quando não conseguiam, levavam para o Pronto-Socorro Clóvis Sarinho, no Hospital Walfredo Gurgel, onde ficavam com a maca e a ambulância presas, deixando áreas da região metropolitana descoberta.
“Não houve prejuízo de vidas, mas ao funcionamento do serviço. O que poderia ser resolvido em 30 minutos se estendia a horas. O pior é ver que a unidade tem alta capacidade de resolução para o caso”, completa.
Nova direção aguarda definição
A nova diretora geral Elizabete Carrasco, empossada na tarde de ontem, enfatizou que está em fase de diagnóstico da estrutura, equipamentos e recursos humanos existentes no HDM. As informações servirão para, junto à Sesap, determinar os serviços a serem oferecidos. Por ora, a determinação de receber os casos encaminhados pelo Samu Metropolitano está sendo cumprida.
“Estamos obedecendo em caráter emergencial a portaria da Secretaria de Saúde, enquanto o modelo de perfil não está definido”, ressalta a diretora.
Em reunião, na Coordenadoria dos Hospitais, com diretores de hospitais regionais do Rio Grande do Norte para formação da rede de assistência em ortopedia, o chefe da ortopedia no Estado, Jean Walber, antecipou que no prazo de 90 dias, serão realizadas as cirurgias ortopédicas de menor gravidade e que podem esperar. Segundo estimativas, a lista de espera é de 300 pacientes.
“Revogamos os acordos da antiga gestão e estamos estruturando o Deoclécio (Marques) com o que ele já dispõe em capital humano e infraestrutura, a partir de hoje (ontem)”, observa. A unidade conta com escala completa de anestesistas, 30 leitos de internação, 12 leitos de UTI, centro cirúrgico, 10 neurocirurgiões, cirurgiões gerais, ortopedistas, equipamentos de radiografia e tomografia.
Mudança pode reduzir demanda do HWG
Ainda é cedo para falar, adverte a diretora geral do hospital Walfredo Gurgel Hélida Bezerra, mas a estimativa, em se abrindo uma nova porta de entrada para o atendimento em politrauma, é de redução em até 20% dos atendimentos no maior Hospital do Estado. “Com o Deoclécio e a adequação do Tarcísio Maia, em Mossoró, esperamos ter uma resposta mais eficaz para a ortopedia”, diz a médica.
Em média por ano, o hospital registra 2,5 mil atendimentos em politraumatismo, seja cirurgias de urgência ou de casos mais graves. Na fila de espera por cirurgias eletivas, exitem hoje 49 pacientes aguardando, no pronto-socorro e enfermarias, por vagas em hospitais da rede municipal. A demora implica na redução de leitos de internamentos que poderiam servir aos pacientes de urgência e pós-operatório.
bate-papo – Ana Tânia Lopes » Secretária-adjunta de Saúde do Estado
O Hospital Deoclécio Marques já não deveria oferecer este tipo de serviço estabelecido pela portaria da Sesap?
Existia um acordo com o antigo secretário estadual de Saúde e os médicos e direção do Deoclécio Marques que proibia a entrada de pacientes politraumatizados naquela unidade. Postura que nós não concordamos e nem vamos acatar. Fechar as portas para o Samu, que tem poder de decisão para encaminhar paciente em estado grave, por decreto ministerial, é absurdo. Por que não atender pacientes politraumatizados em um hospital devidamente equipado e habilitado para isso? Não há justificativa a não ser superlotar o Hospital Walfredo Gurgel. Nosso trabalho agora é ampliar o atendimento com a definição da rede de assistência.
Com a abertura do hospital para as urgências em ortopedia, será preciso contratar médicos ou modificar a estrutura para atender à nova demanda?
O Deoclécio Marques tem médicos da cooperativa pagos pela Sesap para atender. O único problema da unidade é quanto ao material para cirurgias eletivas em ortopedia, cuja necessidade está sendo levantada por um médico designado para em breve realizarmos um mutirão de cirurgias. Hoje há uma fila de mais 300 pacientes aguardando em hospitais e em casa, pelo procedimento.
A Sesap também irá determinar a retomada das neurocirurgias no Deoclécio Marques?
Já há estrutura. Estão lotados dez neurocirurgiões ali. Em nenhuma outra existe esse número de profissionais. Mas estamos em discussão sobre este serviço, que será definido com o perfil de cada unidade.
Hospital Infantil ganha cinco leitos de UTI
O Hospital Maria Alice Fernandes ganhou mais cinco leitos de UTI neonatal. As UTI’s haviam sido doadas pelo Ministério da Saúde desde o ano passado e estavam encaixotadas na unidade, sem poder serem postas em operação por falta de pessoal especializado. Para se ter uma idéia, cada UTI do tipo custa em torno de R$ 100 mil. Há cerca de 15 dias, durante uma visita surpresa da secretária adjunta de Saúde, Ana Tânia Sampaio, o problema foi identificado e, no dia seguinte foi feita a convocação de 10 técnicos de enfermagem e 3 enfermeiros, aprovados no último concurso realizado pela Sesap. Passado o período de apresentação dos candidatos, as UTI’s começaram a funcionar desde ontem. “O HIMAF já tinha cinco leitos de UTI neonatal e com mais esses cinco, serão 10. Um importante avanço para a pediatria do Estado”, afirmou a secretária Ana Tânia Sampaio.