10 mitos sobre o câncer
Geral
09.05.2016
Mito 1: o risco de morrer de câncer nos Estados Unidos está aumentando.
Origem do mito: muitas pessoas acreditam que o risco de desenvolver um câncer está cada vez maior porque os números divulgados nem sempre são bem explicitados. O número atual de pessoas que são diagnosticadas e que morrem de câncer por ano realmente tem aumentado – porque a população norte-americana está crescendo, e está envelhecendo. O câncer é mais comum na velhice, e por isso mais casos são esperados já que a média de idade da população dos Estados Unidos aumentou. Um olhar mais de perto sobre os números por grupo e faixa etária mostra que o risco de câncer entre os norte-americanos está, na verdade, diminuindo.
Realidade: o risco de ser dianosticado com câncer e o risco de morrer em decorrência da doença têm diminuído desde o início dos anos 1990. Atualmente, menos da metade das pessoas diagnosticadas com câncer morrem em função da doença. Algumas ficam completamente curadas, e muitas outras sobrevivem durantes anos com uma boa qualidade de vida graças aos tratamentos que controlam os mais variados tipos de cânceres.
O câncer não é uma doença, mas muitas diferentes doenças com diferentes causas. Por esta razão, a descoberta de uma cura não é algo assim tão fácil de acontecer. Provavelmente não haverá uma data na história na qual as pessoas lembrarão que a cura do câncer foi anunciada – assim como aconteceu com as doenças infecciosas. No lugar disso, cada ano trará mais e mais curas para mais e mais tipos de cânceres.
Mito 2: comer regularmente carne cozida em carvão vegetal não aumenta o risco de câncer.
Origem do mito: a mídia vem publicando conselhos contraditórios sobres os efeitos das carnes grelhadas na saúde. Em comparação à fritura em óleo, a carne grelhada ou assada tem muito menos gordura e calorias. Mas químicos descobriram que a carne grelhada cria substâncias químicas associadas ao câncer em animais.
Realidade: você pode aumentar o risco de câncer ao comer muita carne vermelha ou frango grelhados ou até mesmo a carne frita na frigideira em temperatura muito alta. Carne vermelha ou frango bem passados parecem ser os mais problemáticos.
Com base nas pesquisas existentes, a melhor opção é desfrutar de carnes grelhadas apenas ocasionalmente. Isso significa limitar sua exposição a carcinógenos (substâncias químicas ligadas ao câncer) que são encontrados nessas carnes grelhadas.
As substâncias químicas mais preocupantes criadas ao grelhar carnes são chamadas de aminas heterocíclicas. Elas formam-se durante o ato de grelhar em uma frigideira muito aquecida – quando as altas temperaturas quebram o aminoácido creatina. Há também uma preocupação de que as gorduras da carne que respingam acabam criando outros produtos químicos lançados na fumaça, que por sua vez retornam à carne.
Ao grelhar a carne, é possível minimizar o consumo dessas substâncias químicas de algumas formas:
– não coma as partes mais escuras ou queimadas;
– pré-cozinhe a carne no forno ou microondas, e depois termine de grelhar por apenas alguns poucos minutos;
– substitua parte da carne da sua refeição por frutas e vegetais;
– coma pequenas porções de carnes grelhadas.
Muitas das substâncias químicas criadas quando a carne é grelhada não se formam ao grelhar frutas e vegetais, e por isso as pessoas podem desfrutar do gosto do “grelhado” sem essas substâncias indesejadas. Frutas e vegetais que vão bem grelhados são as cebolas, pimentões vermelhos e verdes, abobrinha, brócolis, cenoura, batata, mamão, abacaxi ou manga. Experimente fazer espetinhos mesclando pedaços de carne grelhada com vegetais. No entanto, não substitua carnes grelhadas por processadas. As carnes processadas contêm diferentes tipos de substâncias cancerígenas que podem ser ainda mais prejudiciais.
O que você come é ainda mais importante do que a forma pela qual é cozido. O melhor conselho é seguir uma dieta na qual os alimentos sejam predominantemente de origem vegetal.
Mito 3: você pode prevenir câncer de pele com uma única aplicação de protetor solar logo no início de cada dia.
Origem do mito: má compreensão das instruções do protetor solar.
Realidade: usar protetor solar diariamente é uma boa prática para reduzir o risco de câncer de pele. O problema é que algumas vezes isso pode dar uma falsa sensação de segurança. Protetores solares precisam ser reaplicados, e mesmo assim eles só conferem um determinado grau de proteção.
Erros no uso de protetor solar são bastante comuns e podem indicar que as pessoas não entenderam a importância de protegerem a si mesmas contra o câncer de pele. Sintomas visíveis de câncer de pele não aparecem durante muitos anos, e há muito pouco tempo uma pessoa bem bronzeada era considerada saudável. Uma queimadura de sol desaparece em poucos dias. O problema é aquilo que as pessoas não conseguem ver. O estrago causado pelo sol permanece nas camadas mais profundas da pele. E por ser cumulativo, pode eventualmente causar câncer.
O dermatologista Mark Jaffee, diz o seguinte: “ O câncer de pele se desenvolve lentamente com o passar do tempo. O dano já está feito. O que acontece é que esperamos anos e anos até que o estrago apareça na superfície de nossa pele”.
Como proteger a sua pele
Para se certificar de que sua pele está protegida contra os raios UV, faça do uso do protetor solar um hábito diário e parte do ritual para ir à piscina, praia ou parque. Mantenha chapéus, camisetas de manga comprida, protetor solar e outros acessórios em uma sacola dentro de seu carro. Além de usar protetor solar com fator 15 ou acima, tente seguir os conselhos abaixo:
– cubra-se: use camisetas e calças para proteger ao máximo a sua pele;
– use um chapéu: escolha um chapéu que proteja o seu rosto, pescoço e orelhas;
– use óculos de sol: proteja seus olhos usando óculos de sol que bloqueiam os raios UV;
– limite seu tempo de exposição ao sol: fique longe do sol entre 10h e 16h, quando os raios UV são mais fortes.
Evite erros ao usar o protetor solar
Para as pessoas de pele clara e que podem começar a queimar em 15 minutos de exposição ao sol, usar protetor solar todos os dias é importante, e ele deve ser reaplicado de acordo com as instruções da embalagem.
Muitas marcas recomendam reaplicá-lo a cada duas horas. Para um efeito ainda maior, aplique generosamente o protetor solar entre 20 e 30 minutos antes de sair. Uma palma da mão cheia de protetor serve em média para passar nos braços, pernas, pescoço e rosto de um adulto.
Se nadar ou transpirar, você provavelmente terá que reaplicar o protetor com mais freqüência do que o normal. E lembre-se de que o protetor sai com facilidade quando você se seca com uma toalha.
Produtos rotulados como “à prova d´água” fornecem uma proteção de pelo menos 80 minutos até mesmo ao nadar ou suar. Produtos ditos “resistentes à água” podem proteger apenas durante 40 minutos. A maioria dos protetores solares vence num prazo de dois a três anos, mas você deve checar sempre a sua data de validade antes de começar a usá-lo.
Mito 4: Inseticidas domésticos podem causar câncer.
Origem do mito: reportagens frequentes sobre estudos que dizem que as substâncias químicas encontradas nos inseticidas causam câncer em camundongos.
Realidade: os dados disponíveis não sugerem uma ligação entre o uso doméstico de inseticidas (como repelentes em spray) e câncer. Por outro lado, esses produtos podem ser perigosos se algumas precauções não forem seguidas, como não respirar ou fazer contato diretamente. Os agricultores devem ter ainda mais cuidado já que eles sofrem uma exposição muito maior do que as pessoas que ocasionalmente usam inseticidas em casa ou no jardim.
Quando são publicadas notícias sobre estudos com animais, as pessoas normalmente têm uma falsa impressão de que os pesticidas (ou outros produtos químicos) discutidos representam um perigo também para os humanos em suas atividades diárias. Na realidade, pesquisadores usam doses altíssimas para fazer os testes nos animais – níveis de exposições que as pessoas jamais encontrariam. Se os consumidores entrarem em contato com um pesticida, provavelmente será em baixa concentração. E essas exposições não foram associadas a um aumento no risco de câncer.
Quando o medo esconde fatos sobre o câncer
As pessoas que se preocupam demais sobre pesticidas e que deixam até mesmo de comer frutas e vegetais, podem estar fazendo mal à saúde quando pensam estar tomando uma boa atitude. Apesar das frutas e verduras vendidas em mercearias conterem vestígios de pesticidas, as pessoas que consomem mais frutas e verduras tem um risco muito menor de desenvolver câncer do que aquelas que não consomem.
Mito 5: tratar o câncer com cirurgia faz com que ele se espalhe por todo o corpo.
Origem do mito: esse mito deve ter começado há muitos anos quando a maioria dos pacientes só procurava atendimento médico quando o câncer já estava em estado bem avançado. Provavelmente os médicos operavam o paciente para tentar descobrir qual era a doença e encontravam um câncer avançado e que já não mais poderia ser tratado com sucesso. Quando o paciente morria pouco tempo depois, as pessoas acreditavam que a culpa era da cirurgia que havia provocado o espalhamento das células por todo o seu corpo.
Realidade: médicos especialistas sabem como realizar uma biópsia ou cirurgia e remover tumores sem causar a propagação do câncer. Em muitos casos, a cirurgia é parte essencial do plano de tratamento de um câncer.
E para alguns tipos de câncer, os cirurgiões tomam precauções extras para evitar qualquer chance de que o câncer se espalhe. Por exemplo, no câncer testicular, todo o testículo que contém câncer é removido para que nenhuma célula cancerígena seja desalojada.
Aprender sobre opções de tratamento como a cirurgia é bastante útil e pode ser reconfortante para pacientes que passam pela experiência de câncer.
Mito 6: viver emu ma cidade poluída oferece um risco maior para câncer de pulmão do que fumar um maço de cigarros por dia.
Origem do mito: desconhecida. Acredita-se que esta seja uma desculpa usada pelos próprios fumantes que procuram convencer a si mesmos de que fumar não é assim tão ruim.
Realidade: apesar da verdade ser exatamente o oposto, mais de um terço das pessoas entrevistadas pelo programa Discovery Health Prevention concordaram com o mito de que viver em uma cidade poluída oferece um risco maior para câncer de pulmão do que fumar um maço de cigarros por dia.
A poluição do ar é muito menos provável de causar câncer do pulmão do que fumar cigarros. Fumar, ou estar frequentemente exposto ao fumo passivo é mais perigoso do que o nível de poluição do ar encontrado nas cidades.
O ar poluído também contribui para aumentar o risco de câncer de pulmão, mas tem um impacto maior em doenças cardíacas, asma e bronquite crônica.
A maioria das pessoas tende a superestimar os riscos causados por fatores impostos por outros e a subestimar a gravidade dos riscos causados por seu próprio comportamento.
O câncer de pulmão era uma doença rara no início do século 20, quando menos pessoas fumavam. A introdução de cigarros manufaturados, tornando-os facilmente disponíveis, mudou isso. Cerca de 87% dos cânceres de pulmão resultam do fumo ou exposição passiva à fumaça do cigarro. Hoje, o câncer de pulmão é o câncer que mais mata homens e mulheres. Quanto maior o tempo que você fuma e quanto mais maços de cigarro você fumar por dia, maiores serão os seus riscos.
Se você parar de fumar antes de desenvolver um câncer, o tecido danificado de seu pulmão começará gradualmente a voltar ao normal. Dez anos após parar de fumar, o seu risco terá diminuído para um terço do que ele estaria se você tivesse continuado a fumar. Charuto e cachimbo são tão prejudiciais para o pulmão como o cigarro normal. E não há evidências de que fumar cigarros com baixo teor de alcatrão diminuam o risco de câncer de pulmão.
Fumante passivo
Se você não fuma, mas respire a fumaça dos outros também corre risco de desenvolver câncer de pulmão. Um não fumante que é casado com um fumante tem um risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão do que uma pessoa que é casada com um não fumante. Trabalhadores expostos ao tabaco nos locais de trabalho também são mais propensos a ter câncer de pulmão.
Mito 7: Algumas lesões podem causar câncer na vida adulta.
Origem do mito: essa é provavelmente uma crença bastante ultrapassada e que teve início lá pelos anos 1800. Daquela época até por volta de 1920, até mesmo os cientistas pensavam que o câncer fosse causado por trauma. A crença sobreviveu apesar de ter se tentado sem sucesso induzir câncer através de trauma como experimento em animais, e foi perpetuada pela experiência razoavelmente comum das pessoas descobrirem um tumor logo após uma lesão.
Realidade: o fato é que uma queda, uma contusão ou qualquer outro machucado quase nunca é a causa de um câncer. Algumas vezes a pessoa procura o médico por causa de uma lesão e ao mesmo tempo descobre um tumor. Mas a lesão não causou o tumor; ele já estava lá. Também é bastante comum que as pessoas prestem mais atenção a uma parte machucada do corpo, e algumas pessoas chegam até mesmo a descobrir tumores enquanto esfregam uma área dolorida.
Em casos muito raros, feridas muito graves ou que não saram nunca podem aumentar o risco para câncer. Por exemplo, o risco para câncer de pele é maior em quem sofreu queimaduras térmicas ou químicas, e queimaduras provocadas por ingestão de líquidos cáusticos aumentam o risco para câncer de esôfago. Essas raras exceções podem ter dado credibilidade a esse mito.
Mito 8: aparelhos eletrônicos, como os telefones celulares, podem causar câncer em quem os usa.
Origem do mito: notícias e processos alimentaram o mito de que telefones celulares podem causar câncer, particularmente câncer no cérebro.
Realidade: alguns estudos sugerem uma ligação com certos tipos raros de tumores cerebrais, mas o consenso entre os pesquisadores diz que não há associação consistente entre o uso de telefone celular e o câncer cerebral.
Nenhuma ligação aparente entre o câncer e outros aparelhos eletrônicos
Pesquisas recentes também não encontraram uma associação clara entre qualquer outro produto eletrônico e câncer. Telefone celular, forno de microondas e aparelhos relacionados emitem radiações de baixa freqüência – a parte do espectro eletromagnético que inclui ondas de rádio e radar. Radiações ionizantes como raios gama e raios X podem aumentar o risco de câncer causando mudanças no DNA das células do corpo. Baixa freqüência e radiações não ionizantes não causam alterações no DNA.
Mito 9: já foi descoberta a cura para o câncer, mas a indústria médica não diz isso ao grande público porque ela ganha muito dinheiro tratando pacientes com câncer.
Origem do mito: lenda urbana
Realidade: um fato primordial que claramente contradiz essa teoria é que médicos, cientistas e donos de laboratório, bem como seus familiares, também morrem de câncer na mesma proporção que as outras pessoas. No entanto, há uma exceção. Profissionais de saúde e pesquisadores da área biomédica são menos propensos a desenvolver e morrer de câncer de pulmão, laringe, esôfago e outros cânceres relacionados ao tabaco uma vez que estão mais conscientes dos perigos do cigarro e fumam muito menos do que o resto da população.
E por que alguém esconderia a cura do câncer? Descobertas médicas de todos os tipos são rapidamente divulgadas e aplicadas – o mundo todo viu isso com a introdução dos antibióticos e vacinas como a vacina contra a poliomielite.
Além disso, é muito pouco provável encontrarmos uma cura para todos os cânceres. O câncer se manifesta de diferentes formas, e muitas delas já têm cura.
Há apenas algumas décadas, menos de uma entre 10 crianças sobrevivia à leucemia após 10 anos do diagnóstico. Com a quimioterapia moderna, a taxa de cura para essas crianças hoje é em torno de 80%. Outros exemplos de semelhante progresso incluem o linfoma de Hodgkin, câncer nos ossos e rins em crianças e câncer testicular.
Atualmente, menos da metade das pessoas com câncer nos Estados Unidos morre da doença – e muitos dos que ainda não estão “curados” de câncer continuam a viver por anos com pequenas mudanças em suas vidas, graças às pesquisas que têm produzido avanços significativos na luta contra as mais variadas manifestações da doença.
Mito 10: o que alguém faz quando jovem tem pouco impacto em suas chances de desenvolver câncer mais tarde.
Origem do mito: muitos adolescentes e jovens têm a sensação de que são imortais – as coisas ruins só acontecem com os outros. Cada adolescente que experimenta um cigarro, por exemplo, está convencido de que não se viciará e que pode parar a qualquer momento. Eles acham que são apenas os outros que se tornam dependentes da nicotina e que isso jamais acontecerá com eles.
Realidade: a verdade é que a escolha de seu estilo de vida enquanto jovem pode aumentar o seu risco de desenvolver câncer, particularmente em se tratando de cigarro, mas também diz respeito à dieta, quantidade de atividade física e exposição ao sol.
A maioria dos casos de câncer são conseqüência de muitos anos de exposição a vários fatores de risco. O que você come, se você é fisicamente ativo, se você se queima regularmente, e especialmente, se você fuma desde jovem têm uma influência considerável se você poderá ou não desenvolver câncer mais tarde.
Mais de dois terços de todos os casos fatais de câncer podem ser evitados com simples mudanças no estilo de vida:
– comendo frutas, vegetais e cereais integrais
– exercitando-se
– mantendo um peso corporal saudável
– usando proteção contra o sol
– e especialmente, não fumando
Cigarro e adolescentes – escolhendo corretamente
As decisões que os jovens tomam a respeito do cigarro terão impactos profundos em suas chances de desenvolver câncer mais tarde. O tabagismo é responsável por 30% de todas as mortes de câncer.
Em cerca de 90% das vezes os jovens experimentam o cigarro antes de completar o ensino médio, e as propriedades viciantes do mesmo os mantém fumando por décadas. Mas se as pessoas conseguirem passar pela adolescência sem fumar, as chances são grandes de que nunca fumarão na vida. Pesquisas também já mostraram que quanto mais cedo você começa a fumar, maior a probabilidade de se tornar um adulto fumante.
O que você faz enquanto adolescente pode voltar a assombrá-lo
Quer se trate de fumar cigarros ou não usar protetor solar, os hábitos desenvolvidos quando adolescente podem levar a um câncer na vida adulta. Os efeitos desses hábitos nocivos não desaparecem com o passar dos anos, mas podem ser diminuídos ao levar uma vida mais saudável à medida que se envelhece.
Reprodução: saude.hsw.uol.com.br