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Atendimento das AMEs está restrito

Geral

23.10.2012

Um primeiro contato foi estabelecido na tarde de ontem entre Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Cooperativa Médica (Coopmed). Um contrato já estabelecido com a cooperativa permitirá a prefeitura fazer uma revisão e um estudo de viabilidade para a contratação de mais médicos para que seja possível a SMS assumir a gestão dos Ambulatórios Médicos Especializados (AMES) e reforçar os quatro centros clínicos que passam a receber a demanda de consultas das unidades. De acordo com o presidente da Coopmed, Fernando Pinto, a entidade aguarda o contato da prefeitura na próxima quarta-feira, tendo em vista que a definição não pode ultrapassar o dia 25 de outubro para ser solucionado. “É uma adequação. Eles precisam ver se o efetivo necessário não ultrapassa o limite orçamentário”, alegou Pinto. Atualmente, 550 médicos são contratados pela prefeitura à Coopmed para atender a todas as unidades básicas de saúde do município.
Ontem, no primeiro dia que a capital potiguar amanheceu sem os Ambulatórios Médicos Especializados (AMES), revolta e indignação cercavam os usuários que dependiam do serviço. “Sem a AME tudo volta a ser como era antes: o município na gestão e os médicos sem nem olhar para a sua cara. Uma verdadeira bagunça”, afirmou a encadernadora Marta Januário Silva, de 54 anos. Sob a gestão da Organização Social Marca (O.S. Marca) até a próxima quinta-feira, tendo em vista uma prorrogação judicial, o contrato existente entra a empresa e a prefeitura deixa de existir, e as gestões das AMES do bairro Planalto, Brasília Teimosa e Nova Natal passam a ser operadas exclusivamente pelo município.

Durante toda a semana, a SMS, Joilca Bezerra, estabelecerá reuniões com o corpo técnico dos AMES, com a Organização Social Marca e com a Cooperativa Médica (Coopmed). Ontem, a secretária se reuniu com a Cooperativa Médica para definir o realinhamento do número de médicos contratados para dar conta do atendimento. Hoje, a direção do AME de Nova Natal deve se reunir na SMS. Amanhã e quinta-feira, o AME do Planalto e Brasília Teimosa, respectivamente, terão seus destinos definidos em reunião. A dificuldade da SMS em assumir os AMES deve-se ao fato de não dispor do quantitativo necessário de profissionais para atuar nestas unidades.

Segundo informações divulgadas ontem pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Natal, as policlínicas localizadas nas quatro regiões da cidade, serão readequadas e passarão a atender a partir do mês de dezembro no mesmo sistema dos Ambulatórios Médicos Especializados (AMEs). Os três AMEs que funcionam em Nova Natal, Planalto e Brasília Teimosa e que eram administradas pela Organização Marca e estava sob intervenção judicial à pedido do Ministério Público Estadual, serão transformadas em Unidades Básicas de Saúde e passarão a sediar as equipes de Estratégia de Saúde da Família e o Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (CEREST/Natal).

Contrato terceirizado para UPA de Pajuçara

Até o dia 25 de novembro, a Secretaria Municipal de Saúde pretende escolher uma nova organização social para gerir a Unidade de Pronto-Atendimento 24h de Pajuçara. O atual contrato com a marca se encerra no dia 07 de dezembro. O novo edital lançado pela SMS para escolher a OS que vai administrar a UPA tem o mesmo valor do atual: R$1,9 milhão. Um plano B também existe, caso ocorra algum erro na hora da escolha. A solução poderá ser alterar a atual lei que disciplina a contratação temporária de servidores municipais, determinando-se estado de calamidade pública, visando a não interrupção dos atendimentos.

Policlínicas não receberam reforço para nova demanda

A equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou, na manhã de ontem, as instalações dos três Ambulatórios Médcios Especializados e constatou que todos estavam funcionando minimamente. Conforme anunciou a titular da SMS, Joilca Bezerra, em coletiva à imprensa na última sexta-feira, a demanda de pacientes dos AMES serão direcionados para as Policlínicas
existentes em cada uma das regiões da cidade. O AME do bairro Planalto realizava em média 5 mil consultas por mês. O AME de Nova Natal cerca de 8 mil consultas. Já o AME de Brasília Teimosa funcionava com 4 mil consultas médicas a cada mês.

Em visita a duas das quatro Policlínicas que devem receber a demanda de pacientes que procuram os ambulatórios especializados, a reportagem registrou que o número de consultas nessas unidades dobrará para atender o fluxo. A Policlínica de Neópolis já atende a 5,2 mil pessoas por mês em diversas especialidades médicas. Ao todo, 10 médicos se revezam por dia para dar conta do volume de pacientes.

Questionado a respeito dos atendimentos na unidade, o gerente administrativo da Policlínica de Neópolis, Manoel
Neto, afirmou que o espaço físico é amplo, que a quantidade de médicos é suficiente (em torno de 35 médicos) e que as 23 especialidades disponíveis atende ao volume de pacientes que buscam os serviços. “Se teremos condições ou não de receber mais pacientes, é tudo uma questão de estrutura e quantidade de médicos na unidade. Isso depende do que a SMS pretende fazer. Teremos que nos adaptar a essa nova realidade”, disse.

Diferente dos AMES, tanto na Policlínica de Neópolis quanto na de Potengi – que conta com 29 médicos por dia e realiza 10 mil consultas por mês – foram identificados alguns problemas de infraestrutura. Em Neópolis, a aposentada Nazaré Martins de Oliveira, de 65 anos, reclamou da falta de medicamentos na farmácia da unidade. “Eu estou há seis meses à espera que tenha Aletronato para mim. É um remédio para a oesteoporose. Enquanto isso, vou convivendo com as dores”, reclamou. A lista de dona Nazaré se prolonga com a falta da Raniditina (para o estômago, em falta há dois meses), Dienpacs 10mg (antidepressivo, em falta há dois meses) e libritol (calmante, em falta há um mês e meio).

Em Potengi, remédios como Clopromazina 100mg, Aldol, Clonozepan, Alendronato de Sódio e Cefalexina estão em falta há mais de quatro meses. Segundo o diretor da unidade da Zona Norte, João Batista Lima, o equipamento de oftalmologia da unidade também está sem funcionamento, por motivos de avaria.

As outras duas Policlínicasque receberão a demanda de pacientes dos AMES se localizam no bairro de Cidade da Esperança e Ribeira. A SMS adiantou que estas unidades de saúde serão potencializadas com um aumento na oferta de atendimentos médicos.

Recursos bloqueados pagarão rescisões

Ao longo de toda esta segunda-feira, os prédios onde estão instaladas os AMES se encontravam em fase de organização e de levantamento das documentações e materiais ambulatoriais para a devida devolução à prefeitura. O atendimento que continua sendo efetuado nas três unidades até quinta-feira é mínimo: apenas vacinação e aplicação de curativos. Osfuncionários contratados pela O.S. Marca estão de aviso de prévio até o encerramento das atividades.

O medo do desemprego preocupa os funcionários. É o caso da assistente de serviços gerais Arivanilda Araújo, de 33 anos. Há um ano e oito meses na limpeza do AME do Planalto, a mulher não sabe onde encontrará um novo emprego e lamenta a perda da função. Outro caso é o de Simoni Silva, de 27 anos. Como secretária e recepcionista do AME Planalto, a jovem se entristece com a perda do emprego. “O AME funcionava tão bem que os pacientes já tinham laços com a gente”, lamentou.

Em contato com o interventor da O.S. Marca, Marcondes Diógenes, as rescisões de contratos serão feitas em três momentos, em virtude do “vai e vem” dos prazos. Os primeiros a receber serão os empregados que encerraram o aviso prévio no último dia 19; em segundo lugar os funcionários que seguem trabalhando até o próximo dia 25 e por último a equipe da UPA de Pajuçara cujo contrato vence no dia 07 de dezembro. “Existe um processo tramitando na Justiça do trabalho que determinou o bloqueio de R$6 milhões. Acredito que as rescisões serão pagas com essa quantia”, afirmou. Ao todo 381 funcionários da Organização Social Marca que trabalhavam nas AMES e na UPA ficaram sem os seus respectivos empregos.

Reprodução: Tribuna do Norte