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Atendimento de urgência do Hospital de Parnamirim é suspenso

Geral

25.12.2012

Data: 24 dezembro 2012 – Hora: 13:54 – Por: Portal JH O atendimento de urgência clínica adulta e pediátrica do Hospital Regional Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim, está suspenso desde sábado (22) e assim deve continuar até o dia 31 de dezembro. Quem procura atendimento no hospital está sendo orientado a buscar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro de Santos Reis, em Parnamirim. A decisão de suspensão foi tomada pela direção do Hospital, em comum acordo com a Coordenadoria de Operacionalização de Hospitais e Unidades de Referência (Cohur) e a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). Pela portaria assinada pela direção do Hospital, a responsabilidade pelo fechamento das portas da unidade é atribuída à Secretaria Municipal de Saúde (Sesad) de Parnamirim. Na manhã desta segunda-feira (24), muitas pessoas foram pegas de surpresa com a suspensão do atendimento. Um cartaz fixado na porta de entrada do Pronto Socorro informava as pessoas sobre a paralisação. A portaria número 26, assinada pela diretora geral do Hospital, Nilzelene Carrasco, avisa que o atendimento para as urgências foi suspenso, “em virtude de resolução da Secretaria de Saúde de Parnamirim em reduzir o quantitativo de plantões médicos” das especialidades clínico adulto e pediátrico. Segundo o documento, a resolução da secretaria “inviabiliza na execução das escalas dos clínicos e pediatras até o dia 31/12/2012?. De acordo com a diretora administrativa e financeira do Hospital Deoclécio Marques de Lucena, Rita de Cássia Rodrigues de Morais, o impasse entre o Hospital e a Prefeitura de Parnamirim está relacionado ao repasse mensal de valores relacionados a um acordo feito entre as partes. “Depois que a Prefeitura de Parnamirim retirou parte dos funcionários, como médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, a direção tomou a decisão de suspender o atendimento do Pronto Socorro. Não conseguimos chegar a um acordo com a Prefeitura de Parnamirim, pois o prefeito não quis entrar em acordo e foi insensível com os munícipes. Hoje, a escala médica está com buracos, pois não tem profissionais para compor a escala e do jeito que está fica inviável funcionar”, disse a diretora administrativa Rita de Cássia Rodrigues. Segundo o secretário de Saúde de Parnamirim, Márcio Cezar, o acordo firmado garantiria o repasse municipal de R$ 170 mil para a Sesap/RN. “Em contrapartida, teríamos assegurado quatro leitos para cirurgias eletivas de pacientes do Município”, explicou. O problema é que, de acordo com o Márcio Cezar, desde novembro de 2011, os leitos não existem. “Eles não respeitaram o que foi combinado. Mesmo assim, continuamos repassando os valores”, completou. Devido ao problema, a Sesad resolveu, sem acordar com o Governo do Estado, diminuir o repasse mensal para R$ 110 mil. O secretário Márcio Cezar explicou que a pactuação entre Estado e Município garante o repasse municipal mensal de R$ 1 milhão para assegurar os serviços de trauma no hospital. “Acontece que o valor referente aos leitos de cirurgia eletiva era para pagamento dos plantões médicos. Nós pagávamos uma parte e o Estado outro. Mas houve uma quebra no acordo e o Estado não assumiu sua parte”, explicou. Diante do impasse, quem paga a conta é a população que procura atendimento e é obrigado a se deslocar até outra unidade para poder ser atendida. Apenas os três ortopedistas de plantão, que são da Cooperativa dos Médicos (Coopmed), estavam atendendo a população. No entanto, o aparelho de raio-X estava quebrado, o que inviabiliza o diagnóstico preciso dos pacientes. A expectativa era que até o fim do dia o problema fosse solucionado. Além destes, dois pediatras e dois clínicos geral, que são do quadro do Estado, estavam de plantão para atender apenas os pacientes internados. Um dos clínicos que estava de plantão, e não quis se identificar garantiu que “em hipótese alguma atenderá novos pacientes”. Os irmãos Maria Sebastiana de Pontes, de 28 anos, e Ivanildo Silva de Pontes, de 20 anos, do município de Monte Alegre sofreram um acidente de moto na madrugada desta segunda-feira e foram até o Hospital Deoclécio Marques em busca de atendimento. Ivanildo teve um corte no joelho, foi atendido por uma técnica de enfermagem, que fez apenas um curativo, e liberou. Maria Sebastiana não teve a mesma sorte. Ela, ainda com cortes na perna e no joelho, teve que retornar a Monte Alegre sem atendimento. “Se não tem médico eu mesmo providencio um curativo em casa, mas isso é uma vergonha”, disse a dona de casa. A agricultora Edilma Francisca dos Santos também buscou atendimento na manhã de hoje. Ela mora no município de Boa Saúde e veio com o filho, Leandro da Silva Pontes, que se acidentou no dia 17 de novembro, quebrou a perna em dois locais, e desde então está com gesso na perna. “O médico marcou para eu vir hoje, mas quando cheguei aqui o aparelho de raio-X estava quebrado. Então, ela mandou eu voltar para casa e retornar daqui a 15 dias, mas disse que antes eu ligasse para saber se o aparelho já está funcionando. Já faz mais de um mês que o meu filho está nessa situação e não é fácil. Não vemos a hora de ele tirar esse gesso e andar normalmente”, afirmou a mãe.