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Atendimento é suspenso no Centro Morton Mariz

Geral

03.04.2012

O presidente do Conselho Regional de Odontologia (CRO/RN), Eimar Lopes de Oliveira, determinou, por tempo indeterminado, a suspensão das atividades do Centro Municipal de Referência Odontológica Morton Mariz, na Ribeira. A decisão do CRO/RN ocorreu após os dentistas que atendem no Centro relatarem que estão trabalhando sem segurança desde a sexta-feira passada. Os guardas municipais, responsáveis pela vigilância do prédio, dos servidores e pacientes, entraram em greve desde a semana passada e deixaram de cumprir a escala de trabalho no local e em outras diversas unidades de saúde do Município. Os guardas municipais cobram melhores condições de trabalho e aumento salarial.

"O que a gente quer é que o problema seja resolvido. Até lá, os dentistas não virão trabalhar", afirmou o presidente do CRO/RN, Eimar Lopes de Oliveira enquanto notificava a direção do Centro no início da tarde de ontem. Ele ressaltou que a unidade odontológica funciona 24 horas por dia numa área em que a segurança deve ser reforçada no horário noturno e nos finais de semana. No ano passado, um dos dentistas que atendiam no Centro Odontológico Morton Mariz, que é a maior unidade pública de atendimento em odontologia do estado, chegou a ser ameaçado de morte se não realizasse um atendimento.



"A integridade física da equipe está acima de qualquer coisa. As unidades de atendimento devem ter condições de uso e segurança", destacou o presidente do CRO. A notificação de interdição ética prevê que os dentistas podem se negar a realizar um atendimento quando as condições de segurança não forem favoráveis ao desempenho adequado do trabalho. Até que a segurança seja restabelecida, os serviços estarão suspensos. De acordo com Eimar Lopes de Oliveira, a direção da unidade sabia que os guardas municipais iriam entrar em greve 15 antes da paralisação efetiva.



 Entretanto, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não providenciou nenhuma ação para garantir o funcionamento ininterrupto da unidade de saúde. A secretária municipal de Saúde, Maria do Perpétuo Socorro Nogueira foi procurada para comentar a determinação do CRO/RN, mas não atendeu ou retornou às tentativas de contato telefônico. O secretário municipal de Segurança e Defesa Social, Carlos Paiva, também foi procurado para informar quais providências estariam sendo tomadas em relação à greve dos guardas municipais. Ele, entretanto, não respondeu às tentativas de contato via telefone.



Os pacientes que precisam de atendimento odontológico de emergência estão sendo orientados a se dirigirem à Unidade Mista da Cidade da Esperança ou à Unidade Mista de Mãe Luiza. 



SMS não cumpriu acordos para estruturar unidade



 A visita dos representantes do CRO/RN ao Centro Odontológico Morton Mariz, no início da tarde de ontem, serviu também para comprovar que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não cumpriu com determinados acordos feitos em agosto do ano passado com o Conselho, à época da reinauguração do Centro. Conforme explicações de Eimar Lopes de Oliveira, a unidade odontológica foi reinaugurada com alguns problemas na infraestrutura do prédio e sem o funcionamento da sala de raio x.



 "A SMS se comprometeu a providenciar o aparelho de raio x, o arquivo da recepção e os armários dos boxes de atendimento, mas ainda não fez", disse o presidente do CRO. Os problemas, porém, são maiores. O piso instalado na unidade, de acordo com o Conselho, é inadequado pois dá a impressão de que o ambiente está constantemente sujo. A maçaneta da porta do banheiro feminino do salão de espera quebrou e ainda não foi reposta e o bebedouro da recepção está quebrado há meses.



 Na sala de confecção das próteses dentárias, não há divisórias e o gesso utilizado nas moldeiras respinga em outros pontos da sala. A estante na qual são acondicionadas as molduras das próteses não dispõe de portas e as peças ficam expostas à poeira. Há somente uma técnica para montar as peças. O fogão para cozimento do material utilizado é inadequado e, em casos de acidente, não existem extintores de incêndio. Devido a estes e outros problemas, as próteses demoram até um ano para serem entregues aos pacientes.

Reprodução: Tribuna do Norte