Atendimento no Deoclécio fica restrito à regulação
Geral
25.03.2014
O fim dos atendimentos de urgência na ortopedia esvaziou os corredores do Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim, neste final de semana. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), a unidade só recebe agora pacientes da regulação, para fazerem cirurgias eletivas – aquelas que ocorrem após o primeiro atendimento de urgência. “Quando chega um paciente de urgência, a ordem agora é mandar para o (Hospital) Walfredo Gurgel”, afirma uma funcionária do hospital.
A Sesap divulgou que havia zerado toda a fila de pacientes ortopédicos do hospital de Parnamirim, na última sexta-feira (21). No dia seguinte (22), porém, cerca de 60 pacientes aguardavam nas enfermarias por um procedimento. O autônomo Josias Batista de Melo, 48, tinha uma operação que estava marcada para o mesmo dia. Morador de Assu, ele fraturou a perna direita em um acidente de moto, foi transferido para Mossoró, mas só conseguiu atendimento em Natal. “O acidente foi na quarta-feira de cinzas. Depois desse monte de tempo, estou há três dias aqui. Espero que dê certo hoje. Não aguento mais essa situação”, afirmou.
Responsável de plantão pela administração do Hospital Deoclécio Marques, Carlos Rafael afirmou que os corredores tinham cerca de 80 pessoas, mas foram esvaziados depois que houve o fechamento do atendimento de urgência ortopédica. Anexado no quadro de avisos da unidade, um comunicado da diretoria destaca: “A partir desta data 17/03/2014 o Serviço de Ortopedia funcionará com a porta de entrada fechada 24h para a Urgência e Procedimento de Baixa e Média Complexidade, ficando aberta apenas para os retornos dos pacientes operados no HDML”.
Para as urgências, o caminho agora é o Hospital Regional Monsenhor Walfredo Gurgel. No fim de semana, o maior hospital de urgência e emergência do Estado tinha 70 pacientes internos aguardando abertura de vagas no sistema regulação. Somado o número de pessoas que deixaram o hospital para esperar a cirurgia, a quantidade chegava a 153. Os dados são do setor responsável pela regulação na unidade. A reportagem não teve acesso aos corredores e enfermarias da ortopedia. Segundo a Sesap, há sete meses a quantidade de pacientes nos corredores do Walfredo Gurgel é praticamente zerada, havendo momentos em que “dois ou três pacientes” aguardam atendimento no corredor.
Cirurgias
As cirurgias ortopédicas eletivas são de responsabilidade dos municípios. Como grande parte das cidades do interior potiguar não possuem esse tipo de atendimento, elas repassam os recursos federais recebidos para outro município que possa atender seus pacientes. É o caso de Natal, que atende pessoas de grande parte das cidades do Estado.
No último ano, a capital enfrentou dificuldades para atender toda a sua demanda, bem como a dos outros municípios pactuados com ela. Isso aconteceu porque o atendimento, que é contratado com unidades particulares, foi suspenso pelo hospital Médico-Cirúrgico. Em janeiro, o município renovou o contrato com o hospital e ampliou em 54 o número de leitos. No segundo semestre do ano passado, o Estado executou dois mutirões, onde foram operadas 700 pessoas.
Fonte: Tribuna do Norte