AUMENTA O NÚMERO DE CASOS DE "CATAPORA" EM MOSSORÓ
Geral
01.12.2010
CORREIO DA TARDE | CORREIO MOSSORÓ
Por: Denise Santos
Publicado no dia 01/12/10
O aparecimento de inúmeros casos de 'varicela', conhecida popularmente como catapora, em Mossoró tem preocupado as autoridades e pais. Recentemente, em uma única escola particular da cidade, várias crianças do ensino infantil foram acometidas pela doença.
Segundo o pediatra Dix-sept Rosado Sobrinho, a catapora é uma doença infecciosa aguda, altamente transmissível, causada pelo vírus varicela-zóster. É uma doença mais comum em crianças entre um e dez anos, porém pode ocorrer em pessoas susceptíveis, não imunes, de qualquer idade. Na maioria das vezes, principalmente em crianças, a doença evolui sem conseqüências mais sérias. Contudo, a varicela pode ter evolução grave e até causar o óbito, sendo consideravelmente maior o risco quando ocorre em adultos e pessoas com imunodeficiência. "O contágio começa antes dos sintomas e é feito pela respiração e pelo líquido que aparece na pele. Só existe uma forma de imunização contra a doença que é a vacina, que infelizmente ainda não é oferecida pela rede pública", informa.
Em crianças, em geral, as manifestações iniciais da 'catapora' são as lesões de pele. Em algumas pessoas (mais comum em adultos) pode ocorrer febre e prostração, um a dois dias antes do aparecimento das lesões cutâneas. As lesões de pele surgem como pequenas máculo-pápulas ("pequenas manchas vermelhas elevadas"), que em algumas horas tornam-se vesículas ("pequenas bolhas com conteúdo líquido claro"), das quais algumas se rompem e outras evoluem para formação de pústulas ("bolhas com pus") e posteriormente (em 1 a 3 dias) formam-se crostas. Em geral, ocorrem 2 a 4 ciclos de novas lesões, resultando em cerca de 200 a 500 lesões, que causam intensa coceira.
"As primeiras lesões comumente aparecem na cabeça ou pescoço, mas a medida que estas evoluem, rapidamente vão surgindo novas lesões em tronco e membros e também em mucosas, como oral, genital, respiratória e conjuntival, sendo freqüente que os diferentes estágios evolutivos estejam presentes simultaneamente", informa Dr. Dix-sept Rosado.
Segundo ele, alguns cuidados podem amenizar o incômodo. "O primeiro passo é isolar a criança até 8 dias. É preciso ter bastante cuidado com a pele, adotando uma higiene mais acentuada, cortar as unhas – evitando que a criança coce a pele atingida. O uso de sabonetes líquidos e permanganato de potásio ajuda na higienização das partes afetadas. Recomenda-se o uso de antitérmico em casos de febre. Outro detalhe que precisa ser lembrado é evitar a mudança brusca de temperatura e manter o ambiente bem arejado", acrescenta. Ele alerta que por se tratar de uma doença viral, o uso de AAS ou qualquer remédio que contenha ácido acetilsalicílico está proibido.