Auxílio por doença mental cresce 19%
Geral
13.10.2012
Carla França – repórter O mercado de trabalho tornou-se um foco de doenças como depressão e estresse. No Rio Grande do Norte, de janeiro a setembro deste ano o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) concedeu o auxilio-doença a 186 pessoas com algum tipo de transtorno mental. A maior incidência – 144 trabalhadores – está relacionada aos transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e outras substâncias psicoativas. Dados mais recentes do Ministério do Trabalho apontam que as concessões de auxílio-doença para casos de transtornos mentais e comportamentais cresceram 19,6%, no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010. Qualquer profissional está sujeito a ter algum tipo de transtorno mental, mas existem algumas profissões que estão mais susceptíveis. De acordo com o psiquiatra clínico, Fernando Portella, profissionais como médicos, garçons, motoristas, bancários, professores e policiais figuram entre os mais afetados. "Nós vivemos em um ritmo muito agitado – e não estávamos preparados para isso. É muita cobrança, muito estresse e isso pode acabar desencadeando algum tipo de transtorno mental", disse Portella. Essa semana um suboficial da Polícia Militar atentou contra a vida do comandante do policiamento militar na Região Metropolitana de Natal, coronel Wellington Alves. A própria PM informou que o policial sofre de esquizofrenia. Durante o período de greve dos bancários, a presidente do sindicato da categoria, Marta Turra, citou também a elevada quantidade de profissionais que são afastados em virtude de doenças mentais. Alguns deles, chegam a atentar contra a própria vida. Outro exemplo é a professora, recentemente, eleita a vereadora mais votada de Natal, Amanda Gurgel. De 2008 até julho do ano passado, ela ficou afastada das atividades da sala de aula em virtude de problemas de saúde. "A quantidade de professores afastados em todo o Brasil é muito grande. Geralmente, depois da primeira década de trabalho eles começam a desenvolver algum transtorno. Um dos mais comuns é a Síndrome de Burnout – um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso", explica a psiquiatra da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Sandra Greenhalgh. Segundo ela, quem apresenta uma doença psicológica não costuma exibir manifestações físicas aparentes. "O ideal era que todos pudessem ter acompanhamento periódico para uma possível identificação do problema, mas não é impossível evitar", disse. Pressão e mau humor de colegas são as principais causas do estresse Segundo pesquisa do Portal Trabalhando.com, no Brasil, que entrevistou 451 profissionais – 288 mulheres e 163 homens – o estresse pode ser causado por vários motivos, sendo que os principais são: pressão, equipamentos que não funcionam e mau humor do chefes e colegas. Para 28% dos entrevistados a maior causa de estresse é trabalhar sob pressão; para 26% é a falta de ferramentas adequadas (computador ruim, cadeira desconfortável); para 22% é o mau humor dos chefes ou dos colegas; para 10% é trabalhar mais horas do que deveriam; para outros 10% é ter um salário menor que seus colegas. O diretor-geral da Trabalhando.com, Renato Grinberg, diz que para não prejudicar a saúde e a carreira, o profissional deve usar o que acredita estar causando estresse a seu favor. "Trabalhar sob pressão, por exemplo, pode ter um lado positivo, pode servir como combustível para mostrar sua eficiência", aconselha. Quanto ao mau humor, a única dica é o diálogo. "É importante ter espaço para conversar, assim você cria um ambiente mais harmonioso e o trabalho torna-se mais proveitoso", disse ele. Bate-papo Epitácio Andrade, psiquiatra e capitão médico da Polícia Militar do RN Quantos policiais estão afastados por transtornos mentais? Os casos diagnosticados mostram que temos 151 policiais afastados e 64 aptos, mas com restrições. A vivência diária é um dos itens que mais desencadeiam esses transtornos. Para se ter ideia, cerca de 5% do efetivo policial do país vai apresentar algum transtorno. Os principais problemas são os psicológicos, clínicos e ortopédicos/ortotraumatológicos. Qual a faixa etária média desses policiais afastados? A maioria é adulto jovem na faixa etária entre 21 e 35 anos. Isso porque a medida que vai aumentando o tempo de trabalho, aumenta-se o risco de apresentar algum tipo de transtorno. Entre os tipos de distúrbios, quais são os mais comuns entre esses pacientes afastados? Os mais comuns são os transtornos relacionados ao consumo de álcool e outras drogas, reações agudas de estresse (ansiedade, tremores de extremidade, sensação de medo), depressão, bipolaridade e psicose. O tratamento, nesses casos, resulta normalmente no retorno desse policial às funções plenas? Quando o policial é acometido por algum tipo de transtorno ele é afastado para tratamento. Ele é acompanhado pelo médico até a reabilitação. Se depois de dois anos de reabilitação ele não ficar curado, ele será aposentado. Existem ações preventivas na PM para evitar o desencadeamento de transtornos mentais? São realizadas palestras sobre transtornos mentais, ações educacionais, visitas nas unidades tanto da capital como do interior para orientar o policial. Além disso, o Centro Integrado de Apoio Social ao Policial desenvolve trabalho educativo com todos os integrantes da segurança pública do RN – bombeiros, PM, Civil. Principais transtornos: Esgotamento: Um dos distúrbios característicos do mercado de trabalho atual é o Burnout, uma síndrome de esgotamento profissional. Acomete pessoas perfeccionistas, que fazem do trabalho uma missão de vida e, quando não vêm resultado ou reconhecimento, não conseguem mais realizar as tarefas às quais sempre se dedicaram. Ansiedade: Vendedores que precisam cumprir metas quase impossíveis; executivos que tomam decisões vitais para a companhia; policiais, bombeiros e seguranças, que correm risco iminente de morte; profissionais da saúde, cuja responsabilidade é salvar vidas. O distúrbio adquire várias facetas, como a Síndrome do Pânico. Síndrome de Burnout: É a completa exaustão emocional. O acometido pela doença não consegue mais exercer o trabalho a que antes se dedicava arduamente, por falta do devido reconhecimento ou dos resultados esperados ao longo de anos. Professores são bastante afetados. Depressão: É o transtorno mental mais comum no mercado de trabalho e ataca mais as mulheres, especialmente nas fases da vida em que estão emocionalmente fragilizadas – como na chegada da menopausa; professoras são vítimas frequentes desse distúrbio. Drogas: Atividades monótonas e repetitivas funcionam como gatilho para o consumo de álcool e de outras substâncias viciantes. Também recorrem a elas profissionais que precisam lidar com aspectos indesejáveis do cotidiano, como os coveiros e os lixeiros. Quantidade pessoas afastadas por algum tipo de transtorno mental no RN: Transtornos mentais e co
mportamentos devido ao uso de substância psicoativa: 29 pessoas Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substâncias psicoativas – intoxicação aguda: 144 pessoas Transtornos fóbico-ansiosos: 10 pessoas Transtorno de personalidade com instabilidade emocional: 1 Retardo mental leve : 2 Reprodução: Tribuna do Norte