Calamidade na saúde // Walfredo Gurgel segue com problemas crônicos
Geral
21.08.2012
Macas nos corredores, pacientes aguardando leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ambulâncias do Samu presas. O tempo passou, o decreto de calamidade na saúde foi feito, mas os problemas no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HWG) seguem os mesmos. Na manhã de ontem, a assessoria de imprensa informou que o hospital possuía 77 pacientes em seus corredores e mais 33 com solicitação de UTI, esperando leitos nos corredores e nos setores de Observação Clínica e Politrauma. Três ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Natal também estavam paradas no local, aguardando a liberação de suas macas.
Segundo o coordenador geral do Samu Natal, Edilson Pinto, seguindo a mesma rotina de todo final e início de semana, na noite do último domingo, metade da frota do serviço aguardava ter as macas liberadas para voltar às ruas. No final da manhã de ontem, uma ambulância básica e duas avanças (de UTI) estavam presas no hospital, pois não havia para onde transferir os pacientes.
De acordo com informações da assessoria de imprensa do HWG, dos 33 pacientes aguardando leitos de UTI na unidade, 20 deles vieram de diferentes localidades do interior do estado. Dos 77 doentes que estavam nos corredores, quase 50% deles também eram do interior, seguindo a linha da prática comum da "ambulancioterapia", quando os municípios não tratam localmente seus doentes e sobrecarregam os hospitais de referência da capital.
Desabastecimento
Desde a última quarta-feira, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) informou que uma remessa expressiva de medicamentos estava chegando à Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) e o reabastecimento dos hospitais da rede estava sendo feito. No mesmo dia, um médico plantonista do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HWG), Francisco Braga, denunciava a escassez de medicamentos no hospital, inclusive a falta de sedativos para entubar pacientes. Os medicamentos já começaram a chegar, mas o médico diz que a reposição "é lenta e em pequenas quantidades".
Segundo Francisco Braga, que também faz parte da diretoria do Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern), na última quarta-feira os níveis de abastecimento do HWG chegavam a apenas 34% do necessário. O médico disse que no dia seguinte recebeu informações da diretoria do hospital de que havia chegado mais alguns medicamentos e o estoque estava entre 38% e 40%. Ontem, a assessoria de imprensa do HWG informou que 44% dos medicamentos solicitados já constavam no estoque.
Contudo, para Francisco Braga, o reabastecimento que vem sendo feito na rede Sesap é "lento e em pequenas quantidades", que duram uma semana, no máximo. "A reposição de medicamentos não só no Walfredo Gurgel, mas na rede de hospitais como um todo, que vem sendo feita é de apenas alguns itens. O prazo previa a reposição imediata dos medicamentos em 10 dias do decreto de calamidade, já estamos com mais de 40 dias e o abastecimento ainda é muito lento. A falta de medicamentos é geral", diz ele.
De acordo com a assessoria de imprensa do maior hospital público do estado, todo início de semana uma listagem dos medicamentos e insumos necessários ao HWG são enviados à Unicat e a entrega é feita nas quartas-feiras. Ou seja, só amanhã que poderá ser dada uma nova visão de como está o abastecimento do hospital, quais itens foram entregues e os que não foram.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Sesap, a diretoria da Unicat atribui a irregularidade do abastecimento nas unidades hospitalares à greve dos servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como também à greve dos transportes rodoviários do país. Contudo, a diretora da Unicat, Alaíde Menezes, informou que a partir de setembro será regularizada a programação para recebimento das entregas à unidade.
Fonte: Diário de Natal