3201 5491

FALE COM A GENTE

ÁREA DO COOPERADO

Câmara Municipal de Natal discute problemas da Saúde Pública e Privada

Geral

13.03.2013

 

A Câmara Municipal de Natal foi palco na manhã desta terça-feira (12) de uma audiência pública para discutir a gestão da saúde pública e privada, com foco na qualidade do atendimento nos hospitais da rede municipal. A audiência foi proposta pelo vereador Júlio Protásio para debater soluções diante dos constantes problemas enfrentados pelos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede privada. Durante a audiência, foi exibida uma reportagem feita pela TV Câmara denunciando o caos na Saúde, bem como o vídeo feito pelo presidente do Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern), Jeancarlo Cavalcante, durante uma cirurgia realizada no Hospital Walfredo Gurgel, em que faltou fio de aço para fechar um paciente durante uma cirurgia. No fim da audiência, foi criada uma comissão formada por diversos segmentos da sociedade civil organizada, gestores, médicos, gestores e vereadores para cobrar a imediata aplicação das soluções para resolver os problemas da saúde pública em Natal.

O secretário Municipal de Saúde, Cipriano Maia, o presidente do Sindicato dos Médicos (Sinmed-RN), Geraldo Ferreira, representante da Comissão de Saúde da OAB/RN, Mayara Acipreste, a representante da Secretaria Estadual de Saúde Pública, Ednice Moreira de Souza, o diretor administrativo do Hospital Unimed, George Antunes, o médico intensivista do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, Sebastião Paulino, e o professor João Maria, pai de uma menina de seis anos que passou mais de 18 horas em um hospital particular à espera de um anestesista para realizar uma cirurgia, compuseram à mesa de debates, além do vereador propositor da audiência, Júlio Protásio. Os vereadores Hugo Manso, Aquino Neto, Adão Eridan, Aroldo Alves e Felipe Alves, usuários dos sistemas públicos e privados de saúde, além de representantes de unidades básicas de saúde e hospitais também participaram da audiência.

O secretário de Saúde de Natal, Cipriano Maia, destacou a importância do debate da problemática da saúde pública, como forma de evidenciar os problemas buscando as soluções, através de uma construção de propostas para melhorar o atendimento aos usuários do SUS. “É uma iniciativa interessante para o início de gestão que tem como objetivo reconstruir a cidade, e no caso da saúde, reconstruir o Sistema Único da Saúde (SUS)”, destacou o secretário. Cipriano garantiu que tem trabalhado para facilitar o acesso dos serviços aos usuários, transformando as unidades em porta aberta.

Cipriano Maia fez um balanço do período em que está à frente da Secretaria Municipal de Saúde. “Estamos fazendo todo o esforço para fazer funcionar aquilo que já existe e não funcionava. A situação está complicada, pois houve muito descaso, descontinuidade administrativa e descompromisso. Tudo isso contribuiu para que chegássemos onde estamos, além da interferência política, baixa qualificação da gestão e a tentativa de privatização da gestão da saúde”, destacou. O secretário disse que hoje não há apenas um único problema grave na saúde, mas sim, o conjunto de fatores que dificultam a solução dos problemas. “A escassez de recursos, carência de recursos humanos, problemas de gestão de pessoas, desmotivadas com baixos salários, desmoralizados e desrespeitados, judicialização da saúde e o engessamento burocrático do Estado brasileiro”.

O presidente do Sindicato dos Médicos do RN, Geraldo Ferreira, considera que há uma degradação continuada da assistência à saúde no Estado. “Há um estado de desassistência completa, e, se continuar assim, chegaremos ao ponto de não ter nenhuma assistência. O RN apresenta características de perversidade no trato à população que assusta a todos”.

Geraldo Ferreira disse que o sindicato tem um diagnóstico que mostra que a rede de saúde está defasada há mais de 20 anos. “A crise está formada, principalmente pela desassistência da rede, pois a medicina no interior praticamente não existe. Hoje, há um quadro de extrema deficiência e a solução passa por equilibrar a rede, para poder desenhar o futuro da saúde. Diagnósticos nós temos muitos, mas precisamos encaminhar as soluções. Além disso, há uma crise no setor privado que não podemos ocultar, mesmo com um volume de recursos que é três vezes maior que o do SUS”, destacou o presidente do Sinmed/RN.

Sebastião Paulino, médico intensivista e ex-diretor do Hospital Walfredo Gurgel, acredita que os maiores problemas enfrentados hoje na saúde do Estado são a superlotação dos hospitais e dificuldade financeira, já que não existe autonomia financeira e que com isso o desabastecimento é constante. “Os hospitais estão superlotados, o que tem contribuído para o aumento de óbitos. A saúde básica está deficitária e os hospitais não têm condições e estrutura para atender a demanda”, destacou o médico.

Para Paulino, a solução para o problema passaria pela estruturação da rede básica de saúde, de modo que os pacientes de baixa complexidade possam ser atendidos em seus municípios e nas unidades de saúde de Natal. “Hoje, prestamos um serviço de qualidade razoável. Um hospital deveria oferecer uma medicina de boa qualidade, mas infelizmente, em função dos problemas, não conseguimos dar essa assistência a contento”, afirmou o médico.

O vereador Júlio Protásio, propositor da audiência, disse que as denúncias por meio das redes sociais têm se tornado recorrentes, sobre a falta de materiais, medicamentos, de leitos de enfermaria e de leitos de UTI. “A crise está tão grave na saúde que a população, os médicos e os gestores estão utilizando as redes sociais para pedir socorro e se mobilizar”, destacou. Para o vereador, a situação na rede privada não é diferente. “Há um clima de letargia, de comodidade, de banalização, como se não fosse as autoridades não fosse mais comovidas com o drama das pessoas que agonizam pela falta de assistência a saúde”, destacou o vereador.

Rede privada

A audiência mostrou que os problemas enfrentados pela rede privada não estão tão distantes dos da rede pública. O professor João Maria de Lima relatou um fato ocorrido com sua filha durante o carnaval, que demonstra o drama de quem precisa de uma cirurgia de urgência na rede privada. O professor contou que a filha de seis anos sofreu um acidente ao sair da piscina e quebrou o braço. Imediatamente, ela foi levada para o Hospital Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim, onde foi identificada a necessidade de uma cirurgia de urgência.

Daí, a criança foi transferida para o Papi para realizar a cirurgia. Quando chegou ao hospital privado começou o drama da criança, que durou mais de 18h, pois no hospital não havia nenhum anestesiologista para que a cirurgia fosse realizada. O procedimento só foi realizado depois que o pai denunciou o caso nas redes sociais e contou com a solidariedade do anestesiologista Madson Vidal. “Diante da situação, me senti desamparado e sem saber o que fazer. Se alguém chegar em caso de vida ou morte, vai morrer porque não tem nenhum anestesista”, desabafou o pai.

O diretor administrativo do Hospital Unimed, George Antunes, único representante da rede privada durante a audiência, garantiu que o Hospital tem o zelo com o usuário e trabalha empenhado em resolver os problemas. Para isso, são mais de 500 leitos para assistir a população. Em relação aos anestesiologistas, George disse que o Hospital da Unimed conta com cinco anestesistas contratados e ainda tem um contrato com a Coopanest para dar apoio em outros hospitais conveniados. “Hoje temos uma equipe suficiente para atender a demanda de pacientes e não deixamos ninguém desassistido”, garantiu.

Fonte: Jornal de Hoje