CASOS DE CATAPORA EM MOSSORÓ CRESCEM 100% NOS ÚLTIMOS TRÊS MESES
Geral
18.11.2010
O MOSSOROENSE | COTIDIANO
Por: Amanda Melo
Publicado no dia 18/11/10
Desde o mês de setembro o número de casos de catapora em Mossoró tem crescido. Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nas clínicas infantis, as consultas de pacientes acometidos pelo vírus aumentaram significativamente. De janeiro a agosto deste ano foram notificados à Vigilância à Saúde 53 casos da doença. Já nos últimos três meses, setembro, outubro e novembro, foram 50 casos até agora, um aumento de quase 100%. Somente de agosto a setembro, o número de casos subiu de 8 para 28.
"Quando percebemos o aumento dos casos, temos intensificado as informações. Todo ano nesse mesmo período há um aumento no número de casos, o que já é uma característica da doença em função do aumento da temperatura. Enviamos um informe técnico a todas as unidades de saúde e também às escolas onde também foram notificadas muitas ocorrências", explica a enfermeira do setor de agravos agudos da Vigilância, Janine Paulo Pinto.
O pediatra Dix-sept Rosado Sobrinho alerta que o vírus da varicela, como é conhecida cientificamente a catapora, é muito fácil de se disseminar. "É uma doença muito contagiosa e antes mesmo de aparecerem os primeiros sintomas, a pessoa contaminada já está transmitindo a doença", explica. Segundo ele, além das características climáticas, fatores epidemiológicos também explicam o aumento dos casos.
"Tem épocas que quase não vemos casos, mas agora ela está reaparecendo. Além disso, com o calor, o vírus se dissemina com mais rapidez. Mesmo assim, é importante lembrar que apesar de ser benigna, a catapora pode ter complicações", alerta. A falta de higiene durante o tratamento pode provocar a contaminação por outras bactérias que penetram através das feridas na pele.
Por isso, logo que os primeiros sintomas surgem os cuidados devem começar com o aumento do número de banhos ao dia. "Ela ataca vários órgãos, sobretudo a pele, por isso é preciso tomar mais banhos e de preferência com sabonete líquido. O sabonete em barra pode contaminar outras pessoas. Também é importante cortar as unhas das crianças, pois elas podem coçar as feridas e rasgar a pele, provocando infecções secundárias".
O paciente também deve tomar muito líquido e ter repouso. "Em alguns casos, o médico pode receitar antivirais, mas isso vai depender da imunidade do paciente. Se ele tem imunidade baixa, a catapora pode diminuir mais ainda e proporcionar o surgimento de doenças secundárias. Por isso é importante procurar orientação médica", afirma o pediatra.
Apesar de acometer mais crianças, a catapora também pode contaminar adolescentes e adultos. Nesses casos a carga viral é maior e o cuidado precisa ser redobrado. "Existe uma vacina muito eficaz para a doença. A vacina contra varicela não está disponível na rede pública, somente na rede particular de saúde. Ela possui 85% de proteção contra a doença", reforça o médico.