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CONSUMO EXCESSIVO DE REMÉDIO PODE SE TORNAR EM VÍCIO

Geral

21.12.2010

DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE

Publicado no dia 21/12/10

 

Em casos mais graves de uso indiscriminado de analgésicos, é possível que a dor seja causada pela falta do remédio no organismo. Como um círculo vicioso, o cérebro passa a desencadear o processo da dor quando percebe a falta da droga no organismo. Esse problema é comum em pessoas que sofrem de dores de cabeça. Por vezes, quem tem crises esparsas passa a sofrer diariamente ao fazer uso constante desse tipo de medicação.

"Conhecida como dor de cabeça por mau uso de analgésicos, a doença é a terceira mais comum, depois da cefaleia tensional e da enxaqueca", alerta o neurologista Ricardo Teixeira. O problema pode chegar a situações extremas. Foi o que aconteceu com o professor Wagner Martins Costa, 51 anos. Convivendo desde a infância com dores de cabeça, Costa fazia uso de analgésicos desde cedo. A partir dos 15 anos, os episódios começaram a se agravar.

Aos 25, o uso contínuo de remédios para dor aumentou consideravelmente. Para conseguir trabalhar, era preciso tomar a medicação. Ao longo dos anos, o professor procurou médicos, fez exames. Nada foi constatado de errado. Fez alguns tratamentos a partir de 1999. Também tentou terapias alternativas. Tudo sem sucesso. Um dos especialistas recomendou a internação para contornar o problema. Era preciso que ele parasse de consumir os analgésicos. Mas a rotina diária e o incômodo da dor o impediam de fazê-lo.

"Não conseguia ficar sem tomar o remédio. Era um ciclo terrível. Nos diários que fiz por recomendação médica, há registros de 45 dias seguidos com dor", lembra. Há três anos, logo após uma consulta com neurologista, chegou ao limite. Numa crise forte, tomou 12 comprimidos para dor de cabeça num período de oito horas. No início de 2008, começou um tratamento de dois anos e meio – que finalmente aliviou o problema. "Graças aos médicos, ao apoio da minha mulher e de minha filha, consegui superar. Nunca deixamos de acreditar que houvesse uma solução", comemora.

O tratamento, nesses casos, é o mesmo para casos de dor crônica. São usadas medicações que agem na química do cérebro. A ideia é reorganizar o sistema neurológico, para que ele se desassocie da condição constante de dor. O acompanhamento médico é indispensável, porque as drogas usadas também têm outros efeitos colaterais e precisam de retenção de receita médica em muitos casos. A vantagem é que o uso é temporário. No caso do professor Wagner Costa, foram necessários dois anos e meio. Em situações menos graves, em seis meses é possível resolver a situação.

Fonte: DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE