3201 5491

FALE COM A GENTE

ÁREA DO COOPERADO

COTA MENSAL DE MAMOGRAFIA NÃO É ATINGIDA EM MOSSORÓ

Geral

13.09.2010

GAZETA DO OESTE | MOSSORÓ

Por: Monalisa Cardoso


A mamografia de rotina, principal exame para detectar o câncer de mama, é um exame preventivo gratuito através do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, em Mossoró sobram vagas diariamente para sua realização.
O único hospital que realiza o exame pelo SUS é o Instituto de Mamas, cuja marcação é feita com o cartão do SUS, através do Sistema de Regulação (SISREG). A marcação de uma consulta com mastologista, ou exame de mamografia é feita pelo Programa de Saúde da Família (PSF), em cada Unidade Básica de Saúde (UBS), nos bairros.
O Instituto de Mamas trabalha com uma cota de 60 exames de mamografia nas terças, quintas e sextas-feiras. Nas segundas e quartas a cota é de 32 exames. "Mesmo atendendo a pacientes de toda Mossoró e de alguns municípios da região, dificilmente essa cota é atingida", disse a recepcionista do Instituto de Mamas, Fátima Vieira.
Segundo Fátima, ultimamente tem sido comum o não preenchimento das vagas para o exame. "No começo do mês, até preenche, às vezes, mas quando se aproxima do dia 20 diminui. Hoje (terça-feira), por exemplo, das 60 vagas, só foram preenchidas 27", afirmou.
Na Unidade Básica de Saúde do Bairro Pereiros, a gerente Gracita Lima lembrou que cada área de PSF tem uma cota de marcação mensal. "Nós temos uma cota de seis vagas por mês, e esse mês aumentou para 12 vagas, mas se precisar de mais, assim para qualquer outra especialidade nós buscamos no Sisreg e se houver vagas lá, nós agendamos. Mas o exame de mamografia nunca precisa, as mulheres nunca procuram a mais que a cota", disse.
O problema, de acordo com a gerente da UBS é a falta de interesse por parte das mulheres, visto que em muitos casos elas marcam, mas não comparecem para fazer o exame, e quando comparecem, algumas não vão pegar o resultado. "Nós ligamos para as pacientes, porque já recebemos ligações do Instituto de Mamas informando sobre a falta, mas muitas não se interessam. Temos toda uma dificuldade de marcar, às vezes são casos que os médicos destacam como urgência, mas as pacientes não se interessam", continuou Gracita Lima. "Se a pessoa marca e não comparece, o nome fica no sistema e só marca novamente com 30 dias, aí reclama pela demora", disse ela.
Gracita lembrou que a cota para agosto aumentou de seis para 12 vagas, mas que até o final dessa semana tinham apenas oito mamografias marcadas, e quatro vagas sobrando. "A marcação depende muito da especialidade, às vezes a paciente já é atendida para o exame dois dias após a consulta, quando isso acontece o agente de saúde vai até a casa da pessoa avisá-la", afirmou.
Outra dificuldade citada pela gerente foi de que muita gente quer escolher o especialista. "A vaga existe, mas nem sempre com o especialista que a pessoa quer. Quando se trata de um retorno é compreensível, mas quando é uma consulta, os médicos são todos bons profissionais", disse.

DESINTERESSE? – A coordenadora da Central de Regulação do município, Adriana Cunha afirmou que o prestador, no caso o Instituto de Mamas tem um contrato com o município e uma cota mensal de exames. Dependendo da gravidade do problema, esse agendamento também pode ser feito para Natal. "Não existe fila de espera para exame de mamografia, existe sim, muitas pessoas que agendam e faltam", afirmou.
Ela explicou que a paciente recebe um código secreto, como uma espécie de comprovante de pagamento da consulta, e na hora da prestação de contas é baixo o número das mulheres que comparecem às consultas. "A oferta de cotas do Sisreg e do Instituto de Mamas é suficiente, mas há um desinteresse das pacientes", constatou.

Alerta: diagnóstico precoce

A importância do exame da mamografia para detectar o câncer de mama é imprescindível. Mulheres que já passaram por essa experiência contam que o exame ajuda no diagnóstico precoce. A dona de casa Neide Melo, de 51 anos, descobriu um caroço no seu seio ao trocar de roupa, mas como ainda estava em tamanho pequeno teve a possibilidade de tratar e se curar da doença.
Ela contou que a descoberta do caroço no seio foi em janeiro de 2009. "Eu tinha feito uma mamografia em outubro de 2008 e não tinha nada ainda, mas já em janeiro de 2009 eu senti quando ajeitava a roupa no corpo para dormir, então fiz o autoexame e senti melhor o caroço. Foi aí que começou a maratona de exames, consultas e cirurgias", lembrou Neide.
A notícia do diagnóstico foi complicada para ela e sua família. "Foi um choque para a família e principalmente para mim. No primeiro mês foi tudo muito difícil, mas tive muito apoio de todos. Eu ia para hospital e quando via a situação das outras mulheres, iguais ou piores a minha, voltava para casa arrasada", contou.
A mamografia e a ultrassonografia mamária foram o início de todo o processo, até a primeira cirurgia que foi para fazer a biópsia. "Na biópsia ficamos cientes que se tratava de um carcinoma, mas ainda em fase inicial, pois se não fosse teria detectado na mamografia que eu fiz meses antes", continuou.
Hoje Neide Melo está curada, mas continua com o acompanhamento com profissionais que segundo ela deve durar até cinco anos após o fim da doença. "Passei por tantos médicos, fiz tantas consultas e exames que tive que fazer uma agenda para poder organizar os horários", lembrou.
Com o sucesso do tratamento, ela atribui a sua cura também ao diagnóstico precoce. "Eu sempre fiz a mamografia uma vez por ano e continuo assim. O índice de câncer de mama está muito alto e as mulheres têm mesmo é que se prevenir, não só com a mama, mas com todo o corpo. Pelo que os médicos me disseram, o meu diagnóstico precoce foi um dos meus maiores aliados", concluiu a dona de casa.

Incidência de câncer de mama

O mastologista José Vieira, médico responsável pelas consultas no Instituto de Mamas, alertou que o índice de câncer de mama sempre foi grande em Mossoró. "O diagnóstico é feito pela mamografia, que é um exame preventivo, apesar da genética através dos genes BRCA1 e BRCA2, indicarem. Quando a mulher já teve um caso de câncer de mama na família ele pode indicar a sua probabilidade de também ter", explicou o médico.
Ele lembrou ainda que a mamografia é um exame gratuito para mulheres de acima de 40 anos pelo SUS. "Toda mulher acima de 40 anos deve realizar esse exame todo ano e as de acima de 35 devem fazer a cada dois anos", disse o médico.
Quando ao desinteresse das mulheres quanto ao exame, ele afirma que não acredita nessa possibilidade. "Já vi sim, muitas chegarem aqui afirmando que tem dificuldade de marcação dos exames nos postos de saúde", falou.
Ele afirma que diagnostica em torno de quatro a cinco mulheres com resultados positivos de câncer de mama por mês em Mossoró. "O diagnóstico precoce ajuda muito no tratamento e na recuperação da paciente. O câncer de mama tem cura", concluiu o médico.

Fonte: GAZETA DO OESTE | MOSSORÓ