Crise leva diretora-geral do HWG a pedir exonoração
Geral
23.01.2013
Roberto Lucena – repórter
A crise na saúde pública do Estado ganhou um novo capítulo. Alegando problemas pessoais, a diretora-geral da maior unidade de atendimento médico do Rio Grande do Norte, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG), pediu exoneração ontem. Apesar do pedido, a médica Maria de Fátima Pereira Pinheiro continua no cargo até que o Governo do Estado anuncie o nome do substituto. "Não aguentava mais a pressão. Estava ficando doente, vivo rouca", disse a diretora que está na função desde junho do ano passado.
Essa é a terceira mudança na direção do HMWG em pouco mais de dois anos da atual administração estadual. Para pedir exoneração, Fátima Pinheiro afirmou que estava com problemas de saúde oriundos da rotina estressante à frente do hospital. "Além da superlotação, que foge à minha competência, tive problemas com ordens judiciais assinadas por juízes que não conhecem a realidade do Walfredo. Chegava uma demanda jurídica que não suportava mais. Isso acarretou problemas de estresse. Não aguentei", colocou.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed/RN), Geraldo Ferreira, o pedido de exoneração da diretora é mais uma prova do "descuido do Governo do Estado com a saúde pública". O médico afirmou que a diretora teve boa vontade no cargo, mas não contou com o apoio da administração estadual. "Há uma covardia do Governo com os diretores do Walfredo e das demais unidades médicas. Eles convidam para assumir a função e promovem o sucateamento dos hospitais. Não há apoio algum", disse.
O médico e ex-diretor do HMWG no período de 1999 a 2002, Sebastião Paulino, acredita que a crise na saúde pública e os últimos acontecimentos envolvendo o Walfredo Gurgel – desabastecimento da farmácia, falta de leitos de UTI e o episódio da filmagem do médico Jeancarlo Cavalcante denunciando a falta de fio de aço durante uma cirurgia – foram decisivos para o pedido de exoneração da diretora. "No período em que fui diretor, podia denunciar os problemas que aconteciam no hospital. Agora, o que o Governo do Estado fez com Fátima Pinheiro foi humilhante. O Governo colocava culpa na administração do hospital pelos problemas, o que não é verdade", pontuou.
O titular da secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), Isaú Gerino, disse que já aguardava a decisão da diretora e está agora em busca de um novo nome que substitua Fátima Pinheiro. "Ela [a diretora] já havia conversado comigo e me relatou os problemas pessoais pelo quais vem passando. Eu a convidei para trabalhar na Sesap, mas ela preferiu ficar no hospital. Não houve problemas de administração. O pedido foi apenas de ordem pessoal", disse.
Nova direção
Além de um novo diretor-geral, o secretário precisa encontrar mais dois nomes para ocupar cargos importantes no nosocômio. Não foi feito um pedido oficial, mas é tido como certo que as médicas Élida Bezerra e Marleide dos Santos que, atualmente, ocupam respectivamente os cargos de diretora técnica e diretora médica, também peçam exoneração dos cargos. "Eu deixei ambas bem à vontade. Elas estão lá porque as convidei. Não sei se vão continuar", disse Fátima Pinheiro.
O presidente do Sinmed/RN acredita que a Sesap terá dificuldades para encontrar novos nomes. "O Governo elegeu a classe médica como adversária e não está ao lado daqueles que conhecem a realidade do hospital", colocou Geraldo Ferreira.
O nome do novo diretor-geral ainda é desconhecido, mas há informações de que o advogado Marcondes Diógenes de Souza Paiva, interventor da Associação Marca na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pajuçara, foi sondado para assumir o cargo. O próprio advogado contou que mantém uma agenda de reuniões com a governadora Rosalba Ciarlini e o secretária Gerino, mas negou que tenha recebido convite formal.
"Converso sempre com o secretário e a governadora. Falamos sobre saúde pública e, lógico, sobre o Walfredo. Mas não houve convite formal", disse. Se for convidado, Marcondes disse que aceita a proposta. "Estou disponível".
Sindicância
A secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) formalizou, na última segunda-feira, uma denúncia contra o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern), Jeancarlo Cavalcante.
A denúncia foi entregue no próprio Cremern e no Conselho Federal de Medicina (CFM). A Sesap alega que o médico agiu de forma antiética ao divulgar uma filmagem onde um paciente é mostrado em meio a uma cirurgia.
No vídeo, que ganhou repercussão nacional ao ser veiculado numa emissora de TV, o presidente do Cremern denuncia a falta de fio cirúrgico para "fechar o paciente".
Para o titular da Sesap, o médico agiu erroneamente. "Um representante de um órgão fiscalizador, como é o Conselho de Medicina, não poderia jamais expor um paciente daquela forma", disse. "Fizemos a representação e vamos aguardar a posição dos órgãos", completou.
Fonte: Tribuna do Norte