DE PACIENTE E DE RAIO-X
Geral
18.11.2010
TRIBUNA DO NORTE | ARTIGO
Por: Daladier Pessoa Cunha Lima – Reitor da FARN
Publicado no dia 18/11/10
A palavra paciente – substantivo – adequa-se bem para definir a pessoa doente. Requer mesmo paciência a roda-viva para marcação de consultas, às vezes de um médico para outro, o agendamento e a realização de exames, a volta aos consultórios, novas dúvidas e novos exames, etc, etc. Isso quando não precisa internação, o que já é uma vantagem. No mundo atual, isso ficou mais evidente, por causa das novas tecnologias a serviço da medicina, na busca por um diagnóstico mais preciso e por uma cura mais provável. O jeito é o paciente seguir ao pé da letra o que lhe sugerem, ou seja, ter paciência. Há poucos meses, vivi essa experiência, de forma mais nítida, como nunca tinha vivido antes. Fiz questão de deixar seguir o curso natural dos eventos, sem recorrer a outros meios que pudessem apressar os procedimentos diagnósticos. Mesmo assim, minha condição de médico ajudou, em alguns instantes, no sentido de tornar o périplo menos maçante. Na verdade, essa experiência chamou-me a atenção sobre o sentido real da palavra paciente. Dá pra pensar nas agruras dos que dependem da rede de saúde pública.
Antes de tudo, é bom dizer que valeu a pena, pois serviu para mostrar a vivência de uma pessoa com alguns problemas de saúde e submetida à prática da medicina moderna. Melhor ainda porque, ao final, nada de grave foi detectado e as condições gerais estavam boas, para alguém que já passou das sete décadas de vida. Do cardiologista, neurologista, ortopedista, além do urologista, vieram conselhos e prescrições. Fiz exames de sangue que eu nem conhecia, bem como vários raios-x. Mas um exame me deixou lembranças mais fortes, a ressonância magnética. Apesar da gentileza dos técnicos, a primeira RM você nunca esquece. Parece até se tratar de uma máquina que lhe levará para o espaço. Durante o exame, escutam-se rajadas, e dá a impressão de que, à distância, uma metralhadora começou a disparar. Isto me levou a recordar a caserna, quando fui soldado em quartel da arma de artilharia.
Tenho certeza de que todos os exames que fiz eram absolutamente necessários. Contudo, há poucos dias, li sobre o excesso de raios-x feitos no Brasil, expondo as pessoas aos riscos da radiação. Esses riscos se devem não somente ao grande número de exames, muitos deles desnecessários, mas também a equipamentos com defeitos e a operadores pouco treinados. Deve-se dizer que o problema é global: quanto mais atua o sistema de atenção à saúde, mais dano pode ocorrer na população do país. Cada paciente exige uma dose adequada de radiação, “mas muitos serviços adotam protocolos de doses altas porque, quanto maior a dose, melhor é a imagem”, diz Marcos Menezes, diretor de radiologia do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. No entanto, imagens boas o bastante para o diagnóstico correto podem ser obtidas com a metade da dose em tomografia pulmonar, por exemplo, afirma o Dr. Menezes.
O Colégio Brasileiro de Radiologia, através da palavra do seu presidente, Sebastião Mendes Tramontim, alerta: “Os exames que envolvem radiação ionizante só devem ser pedidos em caso de real necessidade”. Para as crianças, as atenções são maiores, pois elas são dez vezes mais sensíveis à radiação do que os adultos. Felizmente, aqui em Natal, existem serviços de radiologia que se nivelam com os melhores do país, sob a batuta de profissionais competentes, atualizados e conscientes em preservar a saúde de quantos por lá aportam para fazer exames. É preciso se entender que dano nenhum, pela não realização do exame, pode resultar em dano maior para a saúde do paciente. Por isso, os médicos, além de saberem as vantagens, devem conhecer os riscos dos métodos modernos usados na profissão, e, entre outros cuidados, seguir os avisos dos órgãos especializados.