Dengue: Natal está fora do risco de epidemia
Geral
29.12.2011
A notícia é boa, mas está sendo recebida com cautela. Pela primeira vez em 12 anos, Natal foi considerada fora do risco de epidemia de dengue. Para chegar a essa conclusão, o Ministério da Saúde usou os dados do Levantamento de Índice Rápido de Infestação do Aedes Aegypt (LIRAa). Os números revelaram que para cada 100 domicílios visitados em Natal, 0,8% tinha a presença do mosquito da dengue. As cidades que apresentam o índice abaixo de 1% não correm risco de epidemia de dengue. Na opinião do vice-presidente da Sociedade de Infectologia do Rio Grande do Norte, Ênio Lacerda, a novidade só poderá ser constatada após as primeiras chuvas, o que normalmente ocorre no mês de fevereiro. A pesquisa, realizada em outubro de 2011, por agentes de endemias do município e com a orientação do Ministério da Saúde, é repetida a cada dois meses. A primeira pesquisa de 2012 será realizada no mês de janeiro.
De acordo com a diretora do Departamento de Vigilância à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cristiana Souto, vários fatores contribuíram para o município chegar ao baixo índice de infestação do mosquito. Ela cita a contratação de 150 novos agentes de endemias, que se juntaram aos 300 em atividades de campo para o tratamento focal. Esta medida, por exemplo, reduziu o retorno do agente em cerca de 30 dias ao domicílio. O intervalo que antes era de 90 dias, agora é de 60 dias. Também foram priorizadas as áreas com maior risco de contaminação da dengue, como os bairros das Quintas, Felipe Camarão e Mãe Luiza. "Isto é resultado de um trabalho intersetorial feito a várias mãos por agentes, educadores e parceiros", ressaltou a diretora lembrando que foram firmadas parcerias com empresa privadas.
Prudência
"Normalmente nessa época nós atendemos pouquíssimos casos no Giselda Trigueiro. Os casos começam a surgir em fevereiro, após as chuvas do verão", explicou o médico. Ênio Lacerda recebeu a informação da queda nos números da dengue com receio, visto que não lembra de grandes investimentos na área. Além disso, ele destaca a presença do sorotipo 4 em várias regiões do país, o que poderia causar surto em todo país. "Caso haja problemas nas demais cidades e não tenha em Natal, isso sim será mérito do poder público", reforça. Ele esclarece que casos os índices baixem em todos os lugares será em razão da evolução natural da doença e não de ações governamentais.
Apesar dos números, Cristiana Souto ainda assim alerta para a introdução do sorotipo 4 da dengue em Natal, que junta-se ao sorotipos 1 e 2 existentes. Ela compartilha da mesma preocupação do infectologista e diz que no período do verão os cuidados devem ser redobrados. O ciclo evolutivo do mosquito é de 10 dias – do ovo para mosquito adulto. Com o calor do verão, o ciclo é reduzido para sete dias. As chuvas ocasionais típicas da estação quente também preocupam, assim como o alto consumo de produtos descartáveis jogados em terrenos baldios. "A Prefeitura vem fazendo a sua parte. Resta a população colaborar evitando criadouros da dengue. 85% dos criadouros da dengue estão nas residências", informou.