Em 15 anos, 12 unidades fechadas
Geral
30.04.2015
O atendimento materno-infantil em Natal pode estar prestes a entrar em colapso. O problema atinge toda a Saúde, mas é ainda pior na rede privada, com apenas três hospitais prestando o serviço de partos, e com dificuldade. O Papi possui 27 leitos de obstetrícia, a Promater e o Hospital Antônio Prudente, 22, cada. Mas o último atende apenas a usuários da Hapvida. Nos últimos 15 anos, doze pontos de assistência ao parto foram fechados.
Casa de Saúde São Lucas, Casa de Saúde Petrópolis, Hospital Médico Cirúrgico, Hospital Memorial, além das Clínicas Santa Helena, Femina, Materna e Policlínica estão entre os que deixaram de atender partiurentes e foram citados durante entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE pela gerente médica do Hospital Papi, Rosângela Moraes.
A situação pode se agravar, segundo a médica, se a Promater restringir o atendimento para usuários do plano de saúde Amil, já que o Grupo Amilpar adquiriu o complexo. Em janeiro, após a negociação, a diretoria do hospital não admitiu a exclusividade, mas também não descartou. Ontem (29) a equipe de reportagem tentou novamente contato, mas a Promater preferiu não se pronunciar.
Entre a terça (28) e a quarta-feira (19), o Papi chegou a suspender o atendimento no pronto-socorro obstétrico e ginecológico porque estava superlotado. Havia sete cesáreas marcadas e chegaram cinco urgências. A atitude é pontual e vem sendo tomada desde fevereiro. Por enquanto, o quadro não deve mudar. A gerente médica do Papi avisa: “sem investimentos não há como fazemos qualquer ampliação”.
Ela também conta que essa negativa do atendimento é feita da forma mais precoce possível e é importante para continuar oferecendo serviço de qualidade. “Eu não posso escancarar as portas e comprometer quem já está dentro”, diz, preocupada.
Se a paciente chega em trabalho de parto ou com algum problema é levada ao centro cirúrgico, “independente de qualquer coisa”. “A instituição dá os seus pinotes, mas não é ideal a instituição fazer isso na prática”, comenta. Aproximadamente 2.300 partos são realizados anualmente no Papi, uma média de seis procedimentos por dia. Dez UTIs neonatais ficam à disposição.
“Entre os leitos precisa ter uma distância de um metro, mas às vezes tem tantas crianças que somos obrigados a colocar os berços mais próximos. Isso aumenta o risco de infecções”, conta a médica infectologista, explicando que uma equipe de UTI é planejada da seguinte forma: para cada dez leitos, um médico; um enfermeiro é responsável por seis leitos; e um técnico de enfermagem, por duas pessoas internadas.
“O bebê está em sofrimento fetal, parto prematuro, a gente pode até fazer o parto na instituição, mas ela tem que ter a garantia de um leito neonatal. Imagine o que é transferir uma criança assim prematura”, pede a porta-voz do Papi.
Para discutir o problema, na última sexta-feira (24), diversos órgãos ligados à área tema participaram do Fórum de Dilemas Éticos sobre Assistência Materno Infantil no RN, no Conselho Regional de Medicina (Cremern). Durante o evento, destacou-se a importância de aprofundar o as questões ligadas ao parto e de sensibilizar todos os atores envolvidos. A representante do Papi levantou a possibilidade de o Estado abrir linhas de crédito para estimular a ampliação de leito e espaços nos hospitais.
O presidente do Cremern, Marcos Lima, acredita que a falta de leitos, tanto na rede pública como privada, tem razões econômicas. “A falta de investimentos em saúde publica agravada pela má gestão dos recursos, compromete a criação de novas vagas e fecha gradativamente as já existentes”, ressalta, deixando claro que o Cremern avalia como “gravíssima a situação” e propõe aos entes envolvidos um pacto para encontrar saídas de curto, médio e longo prazos.
Fonte: Tribuna do Norte