Estruturas das AMEs ficam ociosas
Geral
30.10.2012
No primeiro dia útil após a transferência dos serviços das unidades de Ambulatórios Médico Especializado (AMEs), apenas uma das três unidades visitadas pela TRIBUNA DO NORTE na tarde de ontem, estava funcionando. Desde a última sexta-feira, dia 26, com o fim do contrato com a Associação Marca (AMarca), as unidades deixaram de realizar atendimento especializado, passando oferecer apenas os serviços básicos de Posto de Saúde – com profissionais do Programa de Saúde da Família (PSF) e do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest/Natal).
Um aviso fixado à entrada da AME de Brasília Teimosa, na zona Leste da cidade, informava que a partir do dia 5 de novembro, que o atendimento na unidade será retomado. Um funcionário terceirizado cuidava em remover boa parte da mobília e equipamentos dos consultórios e salas. A maior parte das salas estavam vazias. O funcionário não soube informar para onde estas seriam levadas. A direção da unidade se negou atender a equipe de reportagem. A AME de Brasília Teimosa atendia, diariamente, uma média de 250 pessoas.
Já em Nova Natal, as equipes estavam trabalhando, apesar de não haver pacientes enquanto a TN esteve no local. A unidade que passou a abrigar duas unidades do Programa de Saúde da Família, que somam seis equipes. A escala, explica a diretora Radmilla Paula Gomes da Silva, está completa. Para isso, a SMS contratou, via Cooperativa Médica, três profissionais. Ontem foram realizados 40 atendimentos médicos, além de serviços de enfermagem, curativos e vacinas. "Estamos atendendo tantos os agendados, que já fazíamos antes, como os chamados 'fora de área' que buscaram os serviços da Ame", disse.
A mudança de instalações dos serviços do PSF para o prédio da AME, naquele bairro, é considerada pela diretora e equipe de profissionais como um ganho. "Sem dúvidas haverá melhorias tanto nas condições de trabalho, quanto no serviço prestado a população", afirma Radmilla Gomes. O prédio bem conservado não apresenta os problemas de infiltração, mofo e com móveis e aparelhos quebrados da antiga sede. "Estamos com uma estrutura melhor o que deve influenciar o atendimento", disse a dentista Clenilde Protásio. será Na unidade, apenas uma sala, a de oftalmologia, ainda permanece fechada com os equipamentos da Marca.
Em Brasília Teimosa, o serviço que estava paralisado foi reaberto na última sexta-feira. Às 16h30 de ontem, quando a TN esteve no local, o atendimento havia encerrado. O único funcionário disse que pela manhã a procura foi ainda baixa, apesar de haver médicos para os serviços básicos, em clínica geral.
Com o fim dos AMEs, os serviços médicos especializados – como cardiologia, ginecologia, pediatria – serão oferecidos nos Centros Clínicos da zona Norte, Cidade Satélite, Neópolis e José Carlos Passos (Ribeira).
Equipes das policlínicas não receberam reforços
Com o início da semana em que as expectativas eram de mudança nas policlínicas instaladas nas quatro zonas da capital potiguar, o cenário registrado pela equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE foi idêntico ao identificado na semana passada. Faltam equipamentos e os médicos em algumas das unidades não dão conta em atender a toda a demanda de pacientes que procuram determinadas especialidades. Na manhã de ontem, pacientes reclamavam da demora nos atendimentos psiquiátricos na Policlínica da Zona Norte (Asa Norte). Além da elevada procura pela especialidade, a unidade sofre com a alta demanda de atendimentos cardiológicos em fila de espera. Apenas um cardiologista faz parte do quadro de plantões do Asa Norte.
"Nos postos de saúde é difícil encontrar atendimento. Já nos centros clínicos é preciso ser encaminhado por uma dessas unidade básica. E ainda tem os antigos usuários do AME de Nova Natal que precisam passar pelo distrito sanitário para solicitar a remarcação. É um roda-roda grande. Enquanto isso a gente gasta passagem de ônibus para resolver um problema de saúde que deveria ser solucionado na hora que a gente precisasse", reclamou a aposentada Antônia Fátima Gomes, de 45 anos.
A paciente de psiquiatria Zelda Ribeiro da Silva, de 40 anos, estava na Policlínica da Zona Norte acompanhada por sua mãe, Ana Francisca Silva, de 74 anos. Segundo a aposentada, sua filha estava na unidade para receber atendimento de uma consulta agendada em maio. "Só hoje (29 de setembro) ela conseguiu atendimento", disse. Os quatro psiquiatras da unidade não absorvem os 190 atendimentos semanais, segundo o diretor da unidade, João Batista Lima. "Precisamos de atenção urgente. A demanda já começa a aumentar e não tivemos retorno da Secretaria Municipal de Saúde", disse o diretor.
O retorno médico de psiquiatra e cardiologia também demoram a ser realizados na unidade da Zona Norte. A falta de medicamento é também outro problema que se soma à falta de clínicos gerais. Nas restantes três policlínicas, também não houve mudanças. Na Cidade da Esperança, única policlínica que não receberá pacientes de nenhum Ambulatório Médico-Especializado (AME) fechado, de maneira direta, a carência principal é na parte de odontologia. Quatro cadeiras odontológicas estão quebradas.
A Policlínica da Neópolis e o Centro Clínico José Carlos Passos, na Ribeira, já sentiram o aumento no fluxo de pacientes, mas tentam adaptar a estrutura existente com a demanda de atendimentos crescente. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), atualmente nas policlínicas existe o quantitativo de 82 profissionais de diversas especialidades, com carga horária de 20 horas e 40 horas semanais, os quais atendem, respectivamente, a 60 e 120 consultas por semana, cada profissional. Ultrassonografias e exames laboratoriais também fazem parte do quadro de serviços prestados.
Bate-papo
Maria Joilca Bezerra, secretária municipal de Saúde
O que foi realizado na semana passada durante o período de transição dos AMES para as policlínicas municipais?
Na semana passada, recebemos os três AMES, sob a gestão do interventor Marcondes Fagundes. Ouvimos cada uma das direções e tomamos conhecimento da necessidade de cada localidade onde os AMES estavam instalados, a saber, Nova Natal, Planalto e Brasília Teimosa. O que teremos daqui para frente será o processo de adequação das nossas policlínicas para que a demanda atendida nessas unidades seja suprida normalmente na rede municipal de saúde. Não haverá superlotação nessas unidades.
Então os AMES não eram necessários ?
O que quero dizer é que se potencializarmos as policlínicas teremos quatro AMES, uma em cada região de Natal para atender a população que precisa de atendimento especializado. As instalações dos antigos AMES se transformaram, desde esta segunda-feira, em unidades básicas de saúde, com atendimento de clínica médica, pediatria e ginecologia, que são as especialidades mais procuradas e necessárias. Nossa intenção é fazer promoção da saúde. Natal acaba de ganhar mais três unidades que encaminharão através do sistema de regulação do SUS os pacientes que realmente necessitarem de encaminhamento.
A secretária afirma ser positivo o encerramento das atividades nos AMES?
Há muita crítica com relação ao fechamento dos AMES, mas nós acertamos com a Cooperativa dos Médicos (Coopmed) o suprimento de mais nove profissionais nos antigos AMEs, retirados da nossa reserva técnica.
Quais são as especialidades desses novos médicos ?
Eles já prestam atendimento na Estratégia da Saúde da Família de Nova Natal II, para onde foram três clínicos gerais; na Estratégia da Saúde da Família do Planalto, onde mais três clínicos prestam atendimento e no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST, em Brasília Teimosa, com um clínico geral, um ginecologista e um pediatra. Desde esta segunda-feira eles estão em plena atividade.
E para as policlínicas, serão disponibilizados mais médicos?
Sim. Estamos aguardando a chegada dos relatórios para saber a necessidade de cada uma das unidades e poder suprir as faltas. Pedimos um prazo de 30 dias para que sejam supridas as necessidades tanto de equipamentos quanto de medicamentos, bem como de profissionais. Esses profissionais também virão da reserva técnica do contrato com a Coopmed. Só saberemos a quantidade após analisarmos os relatórios. Sobre os equipamentos, somente os do antigo AME de Nova Natal é que serão remanejados para a Policlínica da zona Norte, para onde transferiremos o equipamento de oftalmologia e de fisioterapia. Futuramente, após a operacionalização das policlínicas, elas serão chamadas de Ambulatórios Médico-Especializados. Sobre os equipamentos quebrados, já contratamos uma empresa que prestará o serviço de manutenção. Até o final de novembro, estaremos com as policlínicas a todo o vapor, se Deus quiser.
Fonte: Tribuna do Norte