Estudantes se mobilizam contra o Programa Mais Médicos
Geral
09.08.2013
Foi realizado na manhã desta quinta-feira (8), na frente da Arquidiocese de Natal, um ato promovido pelos estudantes de Medicina da UFRN contra o programa Mais Médicos, lançado pelo Governo Federal. Com faixas expostas aos motoristas enquanto paravam nos semáforos de trânsito, eles também usavam cartazes para chamar a atenção dos pedestres. Paralelamente os manifestantes em condições doavam sangue na unidade móvel do Hemonorte, a qual estava no local.
Reunindo cerca de 300 futuros médicos, a ação faz parte de um ato nacional, pois hoje é a data limite para o Senado aprovar, ou não, o
projeto federal. Os estudantes criticavam diversos pontos da pauta proposta, entre elas a falta de debate com os médicos durante elaboração do programa.
Segundo Ícaro Godeiro, estudante do 9º período do curso e integrante da comissão organizadora do ato, a principal bandeira levantada era apresentar à comunidade que não é apenas a inclusão de novos médicos no quadro que irá solucionar o problema da saúde no Brasil. “A gente não é contra o programa, mas procuramos que ele seja melhorado, pois ainda existem muitos pontos deficientes”, disse o jovem. “A luta é que as pautas sejam discutidas e aprimoradas”, concluiu.
De acordo com o estudante, é necessária a existência de melhores condições de trabalho. “Falta medicamentos, falta segurança, não tem estabilidade de trabalho”, revelou. Segundo Ícaro Godeiro, o Mais Médicos não é a solução de todos os problemas, e sim, de melhores condições para toda a categoria da saúde, como enfermeiros e dentistas.
“Em 2012, o investimento público em saúde representou 3,8% do PIB. No mesmo ano, o setor privado investiu 4,2% do PIB”, revelou Ícaro, contestando a situação e o fato de “isso acontecer no país onde na Constituição diz que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado”.
Uma das questões ligadas diretamente à formação do profissional e muito rebatida pela categoria, diz respeito ao acréscimo de mais dois anos na formação do profissional. O estudante usa o argumento do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de que este período a mais seria para dar um choque de SUS e nos estudantes. Para o jovem, “toda a formação dos profissionais de saúde, já é feita no Sistema Único de Saúde, os estudantes costumam ter aulas no hospital Universitário Onofre Lopes, que também atende pelo SUS”, retrucou.
A estudante Scarlett Medeiros, do 4º período de Medicina, dispara: “o Governo quer ter mais dois anos de mão de obra barata”. Os estudantes revelam que o aprendizado adquirido é dentro da saúde pública, “eu acredito no SUS e é por isso que estamos na rua”, disse Ícaro. O jovem que já atuou em alguns hospitais da capital, revelou ter se deparado com situações que provam a falta de estrutura da saúde. “Eu já vi uma barata saindo da UTI do Walfredo Grugel. Em outro hospital eu tive de lavar as mãos com soro fisiológico, pois faltava água no prédio”, contou.
Os estudantes também negaram que o movimento dos médicos seja algo xenófobo, com relação à entrada de estrangeiros para trabalharem no país. De acordo com eles, a única coisa que solicitam é a realização do Teste de Revalidação, usado para analisar a capacidade dos profissionais com formação em outros países. Eles argumentam que não veem problema na contratação de profissionais de fora do país, porém, com a aprovação na prova. O Revalida é tido como uma conquista da categoria, e existente desde 2011, decretada pelo próprio governo da presidenta Dilma Rousseff.
Em paralelo, os estudantes realização ações junto à população, com a medição da pressão, e o convite para a doação de sangue. Os próprios manifestantes, de acordo com as condições físicas, estavam doando. O ato se repetirá durante o resto da semana, porém os locais devem mudar a cada dia. Nesta sexta-feira (9), o grupo estará na frente da Loja C&A, localizada na Cidade Alta, já no sábado (10), o grupo se dirigirá para o Parque das Dunas, sempre das 8h30, às 13h.
Fonte: Jornal de Hoje