Fila gigantesca para cirurgias de ortopedia
Geral
04.09.2012
Em condições igualmente precárias está quem aguarda por uma cirurgia há mais de um mês, jogado nos corredores do maior hospital do Rio Grande do Norte. O DN ouviu o relato de vários pacientes e acompanhantes. O agricultor Francisco de Assis Pereira da Costa, que veio de Macau, estava internado deitado num papelão no chão do corredor do Walfredo aguardando sua cirurgia. "Não tem outro canto", disse o homem. Marconi Paixão Dias, paciente de Nova Cruz, aguarda sua cirurgia na perna quebrada há 15 dias. "Até agora só aparece comida e água, suco ou café, um remédio ou outro. Não estou precisando disso. Estou precisando me operar. Não posso sequer ir ao banheiro, nem deitar. Vejo a hora até me matar", afirmou.
Já Francisco José de Souza, carpinteiro natalense que fraturou a tíbia, chegou recentemente, mas que não aguenta mais a situação. "Não tenho plano de saúde e só posso apelar para o SUS. Quero saber o que a governadora Rosalba Ciarlini e a prefeita Micarla de Sousa fazem com o dinheiro que vem para a saúde", desabafou. Elisa Henrique da Cruz, uma idosa de 94 anos que mora em Serrinha, fraturou o fêmur numa queda e também aguarda a cirurgia ortopédica. "Minha mãe está sofrendo. Desse jeito ela vai se acabar nessa maca", afirmou a filha, Edite Macêdo.
Williane Silva Oliveira, que veio de Macau, recebeu apenas ontem uma pomada no braço, mas ela está internada desde o fim de semana por causa de um acidente de moto. "Minha mãe conseguiu uma vaga num hospital particular de Fortaleza e estou indo para lá amanhã [hoje] me recuperar. Infelizmente no Rio Grande do Norte está impossível".
Com relação à superlotação na ortopedia, a própria diretora Fátima Pinheiro afirmou que o ambiente é "um horror". Mas ela credita o problema à falta de pagamento dos municípios da região metropolitana com as cooperativas médicas que faziam as cirurgias em hospitais de referência, como Deoclécio Marques, Memorial e Médico-Cirúrgico. "Se a ortopedia não funciona, para onde os pacientes vão? Para o Walfredo Gurgel. Se a situação não for resolvida, infelizmente haverá muitas pessoas sequeladas, acompanhantes sem poder trabalhar porque as cirurgias demoram. Todos estão no corredor. Não está saindo ninguém".