Giselda Trigueiro poderá transferir anti-rábica e anti-tetânica
Geral
27.03.2014
O Giselda só deixará de atender a população nesses casos quando a transferência para a rede municipal estiver completamente concluída
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) está analisando a possibilidade de transferir a vacina anti-rábica e a soroterapia do tétano para responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS). Atualmente, esses serviços, que devem ser oferecidos por cada município do estado, estavam sendo realizados pelo Hospital Giselda Trigueiro, referência no tratamento de doenças infectocontagiosas. Na manhã desta quarta-feira (26), médicos infectologistas, enfermeiros e técnicos de saúde organizaram um ato público contra a transferência, em frente ao Hospital Giselda Trigueiro, no bairro das Quintas, zona Oeste de Natal.
Para João Antônio, diretor do Sindicato dos Profissionais em Saúde Pública (Sindsaúde), o fato da responsabilidade do serviço ser do município não exime a atual responsabilidade que foi dada ao Giselda Trigueiro. “O Governo sucateia o serviço público, deixa os hospitais sem assistência, equipamentos e medicamentos, e por não ter nada a oferecer, tenta transferir suas responsabilidades. Se o serviço já está conosco e as pessoas estão acostumadas com isso, que assim permaneça”, destacou.
A pediatra e sindicalista Sônia Godeiro disse que o maior prejuízo que a possível transferência causará a população é o aumento de mortes. “Nosso maior medo é que pessoas passem a morrer devido incidência do tétano e da raiva humana. A SMS não tem estrutura para trabalhar com isso. É preciso treinamento e qualificação, coisa que a gente tem de sobra aqui no Giselda”, afirmou.
A reportagem tentou escutar a diretora do Hospital Giselda Trigueiro, Milena Martins, sobre a confirmação da transferência, mas ela não pôde receber a equipe d’O Jornal de Hoje durante a realização do ato público. Através da assessoria de imprensa, a Sesap destacou que o Estado apenas absorveu o serviço devido carência no sistema público municipal.
Há pouco mais de dois anos a Secretaria está realizando um reordenamento na rede estadual, de modo a definir fluxos de responsabilidade dos hospitais dentro do que preconiza o Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse caso, o SUS determina que vacinas de imunização sejam de obrigação dos municípios.
Na próxima segunda-feira (31) a Sesap deverá se reunir com a Secretaria Municipal de Saúde para definir o prazo para a SMS absorver de vez os serviços de vacina anti-rábica e de tétano. O Giselda Trigueiro só deixará de atender a população nesses casos quando a transferência para a rede municipal estiver completamente concluída.
Durante o ato público, os profissionais também questionaram a possibilidade da transferência dos profissionais de saúde do estado para o município, o que acarretaria em perda de gratificações salariais.
Fonte: O Jornal de Hoje