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Governo contrata médico pela cooperativa e garante permanência da UTI no Hospital Santa Catarina

Geral

07.08.2013

Uma reunião realizada na manhã desta terça-feira (6) na sede da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), entre o secretário Luiz Roberto Fonseca, uma comissão formada por funcionários e pela coordenadora do Sindicato dos Servidores Estaduais da Saúde, Simone Dutra, bateu o martelo sobre o futuro da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Doutor Pedro Bezerra, conhecido como Hospital Santa Catarina. Depois de anunciar a transferência da unidade para o Hospital Ruy Pereira, o Governo do Estado atendeu as reivindicações dos servidores do Hospital Santa Catarina, que se recusaram em deixar a unidade, e garantiu a permanência da UTI no Hospital. Para isso, será necessário que os médicos intensivistas que trabalham na unidade dêem plantões eventuais para cumprir a escala e que a Secretaria contrate, por meio da Cooperativa Médica, mais um médico intensivista para compor a escala da UTI.

O secretário Luiz Roberto Fonseca negou que o Governo tenha “voltado atrás de uma decisão de transferir a UTI do Hospital Santa Catarina”. “Existia uma situação imperiosa naquele momento que era a manutenção da única UTI Cardiológica do Estado no Hospital Walfredo Gurgel e fizemos todos os esforços, mas não tinha outra saída que não fosse a realocação dos cardiologistas do Hospital Santa Catarina para o Walfredo Gurgel e a mudança da UTI do Santa Catarina para o Ruy Pereira, que já tinha uma equipe e estrutura pronta.

A decisão já estava tomada, mas para a nossa surpresa houve um envolvimento dos servidores e uma junção de esforços para garantir o funcionamento da UTI”, afirmou o secretário.

Luiz Roberto Fonseca garantiu que até o início de outubro os dez leitos de UTI do Hospital Santa Catarina serão abertos. Para tal, o secretário garantiu que complementará a equipe de enfermagem, com técnicos de enfermagem. “Foi bom para o Governo do Estado, pois não houve a necessidade de remanejamento. Em até 15 dias abriremos os seis leitos do Hospital Ruy Pereira, que já estão prontos”, destacou o secretário.

O médico intensivista Sebastião Paulino, ex-diretor do Hospital Santa Catarina, conta que a transferência dos três cardiologistas da UTI do Hospital Santa Catarina para garantir o funcionamento da UTI Cardiológica do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, desfalcou o quadro médico, que ocasionou na ameaça de transferência da unidade para o Hospital Ruy Pereira. “A saída dos cardiologistas, dentro da UTI do Santa Catarina, não fará nenhuma diferença no atendimento aos pacientes, pois para que uma UTI funcione em sua plenitude é necessário profissionais especializados em terapia intensiva”.

“Agora a UTI permanece aberta, funcionando e não corre mais o risco de deixar de atender os pacientes críticos que estão na zona Norte, ou de qualquer parte do Estado que precisem de UTI. Somos um Hospital que mantém uma maternidade de alto risco e contamos com um Pronto Socorro que recebe pacientes em caráter emergencial, cujo atendimento está condicionado a um parecer do médico da UTI. Houve a sensibilidade do secretário para garantir a assistência”, afirmou Sebastião Paulino.

Hoje, a UTI do Hospital Santa Catarina funciona com sete médicos intensivistas e mais um profissional contratado via cooperativa. “Os médicos que se mantiveram no Hospital suportaram o aumento da carga horária para que a UTI pudesse permanecer funcionando”, destacou. O Hospital dispõe apenas de três leitos, mas a expectativa da Secretaria Estadual de Saúde Pública é que até o início de outubro os dez leitos de UTI, que estão em reforma, sejam entregues à população. Sebastião Paulino destaca que a mesma equipe de hoje será a responsável pelos dez leitos, já que o Ministério da Saúde preconiza que para cada dez leitos é necessário apenas um médico intensivista de plantão. O médico ressalta que o abastecimento ainda é “sofrido”, assim como toda a rede de saúde.

O secretário reconheceu que há um déficit de aproximadamente 150 leitos de UTI no Rio Grande do Norte. No próximo dia 9 será realizada uma audiência com a presença do Conselho Regional de Medicina (Cremern), de representantes do Ministério da Saúde, do Ministério Público, na Justiça, em que a Secretaria Estadual de Saúde Pública, juntamente com a Secretaria Municipal de Saúde assumirá o compromisso de, até o final do ano, abrir 56 novos leitos de UTI. “Temos a convicção de que podemos chegar até o final do ano com 56 novos leitos de terapia intensiva. O déficit continua, mas teremos diminuído 33% desse déficit”, destacou. Hoje, o RN tem cerca de 400 leitos de UTI, quando o necessário seria 550 leitos.

Reprodução: Jornal de Hoje