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GREVE AFETA ATENDIMENTO ÀS GESTANTES

Geral

08.09.2010

TRIBUNA DO NORTE | CIDADES

A greve dos médicos da rede municipal, iniciada no último domingo, mostra consequências severas em um dos pontos frágeis do sistema de saúde da capital. Trata-se do atendimento a gestantes. Com duas unidades praticamente sem atendimento por conta da paralisação, como é o caso do Hospital da Mulher e da recém-reinaugurada Maternidade das Quintas, toda a demanda é enviada para o Hospital Santa Catarina e para a Maternidade Escola Januário Cicco. Ontem, os profissionais das duas unidades estavam sobrecarregados.

Desde o início da greve, as filas para atendimento obstétrico no Santa Catarina e na Maternidade Januário Cicco cresceram. O único apoio à rede estadual é a Maternidade de Felipe Camarão, desde o dia primeiro de setembro com profissionais da Cooperativa dos Médicos. Mesmo assim, de acordo com o setor de Assistência Social do Hospital Santa Catarina, havia uma fila de 12 mulheres esperando vaga no Centro Obstétrico. Na Maternidade Januário Cicco, seis mulheres esperavam no setor de urgências. Vale lembrar que a Januário Cicco sofre também com a greve dos médicos residentes há mais de um mês.

Nas unidades do município que trabalham com gestantes, o procedimento é o seguinte: os médicos da escala mesmo em greve permanecem no hospital normalmente, avaliam os pacientes que chegam e decidem se é um caso de urgência ou se é possível uma transferência. Embora não façam cesarianas, o Hospital da Mulher e a Maternidade das Quintas contribuem cuidando dos casos mais simples. Por conta da greve, somente os casos que não podem esperar não são direcionados para as demais unidades.

Além disso, exames e atendimentos complementares ficam prejudicados. Ontem pela manhã, Carolina Ribeiro, de 23 anos, estava à procura de exame para o segundo filho, que espera há cinco meses. Foi até à Maternidade das Quintas e, como não foi atendida por lá, precisou recorrer à Maternidade Januário Cicco. “Fui lá, mas me disseram que está em greve. Precisei pegar um táxi para vir para cá”, afirma. Fabiana Xavier estava em situação semelhante. No caso dela, era preciso retirar os pontos de uma cesariana realizada há um mês. Nenhum outro local acolheu Fabiana e a Maternidade Januário Cicco ficou com a responsabilidade.

A situação da Maternidade de Felipe Camarão é um representante do panorama da atual greve. Como tem médicos terceirizados, não há paralisação. Ao mesmo tempo, essas unidades, como o Hospital dos Pescadores e a UPA de Pajuçara, absorvem grande parte da demanda justamente pela falta de opções da população. O Hospital dos Pescadores, por exemplo, é o único local com a porta aberta da rede municipal na Zona Sul, enquanto a UPA de Pajuçara faz o mesmo na Zona Norte.

Os médicos pleiteiam a Gratificação de Atividade Médica para todos os profissionais no Plano de Cargos e Carreira dos servidores municipais, cuja proposta está em tramitação na Câmara dos Vereadores. A divergência está na inclusão dos profissionais do Samu e do Programa Saúde da Família nesse universo, o que não foi aceito pela Prefeitura de Natal. As negociações já duram quatro meses. Cerca de 700 médicos trabalham a serviço do município de Natal, sendo 250 profissionais no  SAMU e no PSF. Uma assembleia será realizada na sexta-feira para discutir os rumos do movimento.

A partir de hoje, a greve irá afetar também o atendimento nos ambulatórios que, ao contrário das urgências, não funciona em finais de semana e feriados. Consultas com especialistas devem ser desmarcadas porque não haverá médicos para atender.

 

 

 

Fonte: TRIBUNA DO NORTE | CIDADES