Greve da Guarda Civil interfere nos postos de saúde
Geral
21.08.2012
Com servidores em greve, hospitais de referência da rede municipal realizando apenas atendimentos de urgência e postos de saúde quase sempre fechados com a falta de segurança, a população natalense fica perdida na busca por atendimento. Unidades de saúde e de atendimento odontológico do município sofrem com o não cumprimento diário da Lei da Greve por parte da Guarda Municipal, que prevê um efetivo mínimo em exercício. O comando da Guarda Municipal informou que a escala da greve foi feita, mas não se pode obrigar os profissionais a irem trabalhar.
A diretora da Unidade Mista de Cidade Satélite, Tânia Farias, diz que, mesmo com os servidores em greve, diariamente os funcionários da unidade de saúde têm comparecido ao trabalho, dentro dos 30% estipulados, mas a ausência de guardas muitas vezes impossibilita que as portas sejam abertas à população. "O problema do serviço é a greve da Guarda Municipal. Os funcionários vão trabalhar, ficam esperando chegar a segurança,mas quando eles não aparecem nós não podemos trabalhar, então não abrimos a unidade", disse Tânia Farias. A diretora da unidade de Cidade Satélite, que deve funcionar 24 horas, também informou que os funcionários esperaram ontem os guardas municipais até às 9h, quando chegou um profissional, mas nem sempre é assim. "Às vezes a gente espera e não aparece ninguém. A gente nunca sabe se os guardas vêm ou não", relatou ela.
O comandante Duarte, da Guarda Municipal, diz que foi elaborada e informada uma escala de greve para os profissionais, atendendo o efetivo mínimo da Lei da Greve, e a fiscalização está sendo feita. Contudo, o comandante da Guarda disse que "não posso obrigar as pessoas a trabalhar. Elas estão escaladas e diariamente tenho uma pessoa fiscalizando se a escala está sendo cumprida, além dos postos de saúde também relatarem quando o guarda não comparece", esclareceu ele.
Com as unidades básicas de saúde fechadas, os grandes hospitais municipais e estaduais, como o Hospital Infantil Sandra Celeste,acabam sobrecarregados. Segundo o recepcionista da unidade, João Maria Gomes, 80% dos atendimentos realizados são ambulatoriais.
Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou a existência dos problemas de sobrecarga dos hospitais e da UPA do conjunto Pajuçara, na Zona Norte, que tem até mantido internados pacientes devido à ausência de vagas na rede estadual de saúde. Contudo, diante da instabilidade de funcionamento das unidades básicas de saúde, a SMS também atribuiu o problema à falta de segurança nas unidades, já que os guardas têm muitas vezes faltado ao serviço.
Questionada sobre qual destino deveria ser dado à população que necessita de atendimento ambulatorial, já que hospitais só têm atendido urgências e os postos não tem regularidade de funcionamento, a SMS não emitiu retorno.
Fonte: Diário de Natal