Greve dos servidores entra no segundo dia, mas unidades de saúde continuam funcionando
Geral
17.10.2013
A greve dos servidores municipais de saúde, iniciada nesta terça-feira (15), segundo estimativa do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde-RN) deve comprometer 80% do atendimento de saúde prestado à população. Com a paralisação, serviços como o Programa Estratégia Saúde da Família (PSF), unidades básicas de saúde e o trabalho preventivo dos agentes de endemias foram atingidos. No entanto, o atendimento da Policlínica Zeca Passos, na Ribeira e a Policlínica de Neopólis, distrito Sul de Natal, bem como a Unidade Básica de Saúde São João, localizada na avenida Romualdo Galvão, mantiveram o atendimento normal à população.
A coordenadora geral do Sindicato, Simone Dutra, considera que a greve está apenas no início e que deve ter uma adesão maior nos próximos dias. Ela explicou que os serviços considerados essenciais e que funcionam 24 horas, como os de urgência e emergência, estão garantidos o mínimo de 30% dos servidores previstos pela lei de greve, como é o caso das maternidades das Quintas, Felipe Camarão, a Unidade Mista de Mãe Luiza, Hospital dos Pescadores, nas Rocas; e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pajuçara.
Em caso excepcional, segundo ela, “está garantido 50% dos serviços, como no Samu e no pronto-socorro Sandra Celeste”.
Os servidores da saúde pedem um reajuste salarial de 27,08%, equivalente a dois anos sem aumento. Porém, em reunião com os sindicatos no dia 4 de outubro, a prefeitura só ofereceu 8%, com pagamento a partir de janeiro de 2014. O índice equivaleria aos anos de 2011 e 2012 e o valor de 2013 seria discutido a partir de janeiro de 2014, na campanha salarial do ano que vem. Para o Sindicato, o índice de 8% não repõe nem mesmo a inflação do período, que é de 14,97%, segundo cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O próprio governo calcula a inflação deste período em 12,24%.
O gerente técnico da Policlínica de Neopólis, Emmanoel Neto, explicou que apesar da paralisação dos servidores municipais da Saúde, o atendimento na unidade de saúde, desde ontem, está normal. “Somente alguns servidores, de alguns setores que aderiram à greve, como o arquivo, por exemplo, mas não tem comprometido o atendimento à população. Nós que fazemos parte da direção estamos fazendo o papel do funcionário que aderiu a paralisação”, afirmou. As vacinas também foram prejudicadas com a greve, mas o laboratório e a farmácia estão funcionando normalmente. “O impacto dessa greve aqui em Neopólis ainda é leve”.
Na manhã de hoje, cinco médicos compareceram a unidade para atendimento, no entanto, segundo explica o gerente técnico da unidade, a população, por pensar que todos os servidores estavam em greve, não compareceram para as consultas médicas. Com isso, apenas três médicos atenderam alguns pacientes, bem abaixo da média diária. “Os médicos não aderiram à greve e estão vindo trabalhar normalmente. A população pensa que a unidade está fechada, mas fechar nem pode, pois mesmo com a greve tem que se garantir, pelo menos, 30% dos funcionários”, garantiu o gerente.
O gerente Emmanoel Neto afirmou que, independente da greve, há um déficit de três especialidades na unidade: psiquiatria, endocrinologia adulto e clínico geral. “Isso tem sido o gargalo da nossa unidade”. A unidade só conta com uma psiquiatra que entrou de licença médica e agora a unidade ficará sem atendimento psiquiátrico, até que o Município encaminhe outro profissional para a Policlínica. Em relação à endocrinologia adulta, a unidade só conta com um profissional que entrou de férias e só retorna no dia 14 de novembro.
“O atendimento está comprometido, pois temos um médico e ele é referência para o distrito sanitário Sul. Além disso, ele atende todo paciente que vier marcado pela regulação e há uma demanda reprimida. A agenda desse médico, para retorno, já está fechada até o dia 30 de dezembro”, destacou o gerente técnico da Policlínica, Emmanoel Neto. “Trabalhamos com relatórios quadrimestrais e já informamos à Secretaria Municipal de Saúde a falta desses profissionais e a necessidade de ter esses profissionais”. Hoje, a unidade está sem atendimento endócrino e psiquiátrico.
A pauta de reivindicação dos servidores em saúde, apresentada à Prefeitura de Natal em abril desde ano, engloba mais 12 pontos. Dentre eles, a revisão do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) Saúde, com uma remuneração integral na licença prêmio, jornada de 30 horas sem redução salarial e regulamentação da promoção; mudança de nível; gratificação do PSF para os agentes comunitários de saúde; gratificação de campo para os agentes de combate às endemias; quinquênios para ACS e ACE; garantia dos adicionais de insalubridades, noturno, gratificações e férias atrasadas de 2012; implantação do vale refeição para os servidores com dois expedientes; realização de concurso público; garantia de segurança nos serviços de saúde; garantia de condições de trabalho em todos os serviços de saúde e órgãos da SMS; contra a privatização dos serviços públicos; e aposentadoria integral a servidores municipais e municipalizados, além da garantia da integralidade da remuneração do auxílio-doença.
Reprodução: Jornal de hoje