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"GREVE FORÇADA" DEIXA PACIENTES SEM ATENDIMENTO

Geral

23.12.2010

CORREIO DA TARDE | CORREIO MOSSORÓ

Publicado no dia 22/12/10

Quem procurou a Casa de Saúde Dix-sept Rosado na manhã de hoje, 22, voltou para casa sem atendimento em virtude da greve dos servidores daquela unidade hospitalar. O mesmo aconteceu com as mulheres em trabalho de parto. Nos corredores, as grávidas de urgência aguardavam atendimento. Francisca Iraneide veio da cidade de Baraúna com complicações e sangrando, mas teve que aguardar. "Desde às seis horas da manhã que eu aguardo aqui. Estou sangrando e a minha gravidez é de risco.

Estou com muito medo de ter o meu neném aqui no corredor. As enfermeiras disseram que estão em greve e que não sabem que horas serei atendida. Estou deseperada", dizia chorando enquanto aguardava atendimento no corredor da maternidade.

Outra paciente, de apenas 19 anos, apresentava um quadro bem parecido e temia o que poderia acontecer, caso não fosse atendida com rapidez. "Estou passando muito mal e não sei o que fazer.

Como essa é a única maternidade de Mossoró a gente fica de mãos atadas, sem ter para onde correr. A única solução aqui é rezar para que eu seja atendida o mais rápido possível", declarou Débora Martins, grávida de nove meses e 7 dias.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Laboratórios e Pesquisas e Análises, Clínicas, Casas e Cooperativas de saúde, Hospitais particulares e dos Técnicos em radiologia de Mossoró (SINTRAHPAM), Luiz Avelino, a greve estava sendo motivada por que a prefeitura de Mossoró não teria repassado os recursos federais destinados a Casa de Saúde Dix-sept Rosado e Apamim. "Há quase dois meses a prefeitura não repassa os recursos para os hospitais. Os servidores ainda não receberam nem o salários de novembro e nem o décimo. Iremos continuar em greve até que esses valores estejam depositados em nossas contas", discursava Luiz Avelino.

A declaração foi contestada pelo secretário de Cidadania da prefeitura de Mossoró, Francisco Carlos de Carvalho, que considera a greve forçada e com características políticas. "Saúde não combina com política. O que está acontecendo é uma incitação a uma greve que não tem sentido. A prefeitura informou a direção do hospital que o pagamento seria realizado hoje, quarta-feira, 22. Mesmo assim a direção incitou os funcionários a entrarem em greve e prejudicar o atendimento aos cidadãos que precisam do serviço público", declarou.

Ele explicou ainda que houve um atraso de alguns dias por parte do governo federal e consequentemente a prefeitura só pode fazer o repasse das verbas agora. "A prova que a greve está sendo incitada é que, mesmo recebendo os repasses em dia, a direção do hospital já chegou a atrasar os salários dos servidores por até dois meses e mesmo assim não houve greve. Agora por alguns dias de atraso, eles paralisam as atividades", informa.

Francisco Carlos vai mais além e cita os nomes dos envolvidos. "Considero essa atitude uma tremenda falta de responsabilidade de Larissa, de Sandra e de Laíre Rosado, que estão a frente desse movimento com características políticas. Deixar pessoas nos corredores aguardando atendimento por questões políticas não tem justificativa", enfatizou.

Francisco Carlos informou que a ordem bancária para a transferência dos recursos foi dada na sexta-feira passada e depois dos três dias de compensação – no caso hoje – a verba foi creditada na conta dos hospitais. "Uma atitude irresponsável como essa expõe a vida de centenas de pessoas. Nos corredores tem pessoas que correm risco de vida. Têm grávidas querendo dar a luz, mas sem saber se serão atendidas. Uma greve forçada, induzida como essa, denigre a imagem do serviço público, por que ela não tem razão de acontecer", revoltou-se Francisco Carlos.

Reunião

No final da manhã de hoje os servidores da Casa de Saúde Dix-sept Rosado, acompanhados dos diretores dos hospitais particulares de Mossoró, além do diretor do Sintrahpam, Luiz Avelino, foram recebidos pela prefeita Fafá Rosado no Palácio da Resistência. Na reunião, a prefeita informou que o repasse foi creditado nas contas dos hospitais hoje, 22, como havia sido comunicado. "Houve um pequeno atraso por parte do governo federal, mas tivemos o cuidado de informar a direção dos hospitais. A ordem bancária foi dada na última sexta-feira e os valores creditados hoje. O que não justifica o atraso nos salários dos funcionários dessas unidades. Mas esse é um problema administrativo. A nossa preocupação é que os serviços voltem a ser oferecidos à população", declarou a prefeita Fafá Rosado.

Fonte: CORREIO DA TARDE | CORREIO MOSSORÓ