Hospital Walfredo Gurgel fica sem segurança com a greve dos vigilantes
Geral
10.12.2014
O Hospital Walfredo Gurgel está sem segurança. Isso porque os 30 vigilantes terceirizados que trabalham na maior unidade hospital do Estado fizeram uma paralisação de advertência hoje. A categoria está sem receber salários há dois meses. Caso o pagamento do salário não saia até amanhã, eles prometem paralisar os trabalhos por tempo indeterminado.
A segurança do hospital é de responsabilidade da empresa Garra Vigilância. Alguns vigilantes estão em situação mais crítica com até quatro meses de atraso, incluindo as férias que não foram pagas. É o caso de Paulo Sérgio de Carvalho de 42 anos. Ele é casado, tem uma filha de 11 anos e mora em uma casa alugada.
Mesmo fazendo manobras financeiras com o salário da esposa, a situação ainda está complicada. “É só ligação de cobrança. Os cartões não estão liberados mais. A água e energia atrasados”, contou. Com o final de ano, as preocupações aumentam principalmente com a necessidade de pagar as despesas escolares da filha.
Segundo os vigilantes, o contrato com a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) prevê o fornecimento de 427 profissionais para as instalações espalhadas pelo Rio Grande do Norte. Ainda segundo eles, o total da dívida do governo com empresa terceirizada chega a R$ 11 milhões e está sendo arrolada desde a gestão Iberê Ferreira de Souza. Os vigilantes tem o salário de R$ 1.300 e trabalham em uma escala de 12 horas e tem direito a uma folga de 36 horas.
De acordo com a diretora do Hospital Walfredo Gurgel, Maria de Fátima Pinheiro, a Sesap tem o dinheiro, mas a empresa ainda não apresentou uma documentação necessária para a liberação do dinheiro.
Com a paralisação dos vigilantes, duas portarias laterais foram fechadas. Segundo a diretora do hospital, dois profissionais ficaram nas entradas principais. Mas não foi isso que aconteceu.
Corredor
A paralisação também possibilita verificar a situação do hospital sem impedimentos. Embora uma médica tenha tentado impedir o trabalho da imprensa, a nossa equipe de reportagem conseguiu ter acesso aos corredores do Pronto Socorro Clóvis Sarinho.
Nesta manhã, 35 pacientes estavam internados nos corredores (somados o politrauma, ortopedia e clínica médica). Um deles era o vendedor ambulante Francisco Lisboa. Ele quebrou a tíbia (osso da perna) num acidente de moto no sábado. Desde o final de semana espera por uma transferência para um hospital que realize a cirurgia ortopédica. “Quanto ao atendimento aqui no corredor não tenho nem o que falar, o que é ruim mesmo é essa demora para a cirurgia. Eles disseram que pode ser em 30 minutos ou em dez dias”, contou.
Fonte: O Jornal de Hoje