HUOL será hospital de referência
Geral
14.11.2015
O Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) será a unidade de referência para o atendimento às crianças com microcefalia, conforme divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde Pública. Com 31 leitos de pediatria, além de serviço ambulatorial que funcionava no antigo Hospital Pediátrico, a direção aguardava, até à tarde de ontem, a formalização do protocolo de atendimento e fluxo de pacientes para definir quais serviços serão prestados ao Estado.
“Ainda não há definição de como será o tratamento dessas crianças, mas a cooperação poderá ser em estrutura de leitos de retaguarda, serviços ambulatorial de especialidades pediátricas e exames para diagnóstico”, antecipou o médico e superintendente do Huol, Stênio Gomes Silveira. Ontem, oito leitos estavam desocupados.
Em fase de construção, a UTI pediátrica com cinco leitos ainda não tem previsão para ser concluída. “Dependemos de liberação de recurso federal para o sistema de climatização e, quando concluído, convocar concursados”, afirma o superintendente.
O protocolo de atendimento a bebês com microcefalia que está sendo elaborado pela Sesap deverá priorizar, segundo a diretora médica da Maternidade-Escola Januário Cicco, Maria da Guia Medeiros Garcia, exames de imagem para diagnóstico, no pré e pós-natal, além de estruturar uma rede de atendimento pediátrico multidisciplinar para a reabilitação. A médica participa da Comissão Especial para confeccionar o protocolo.
Inicialmente, a médica afirma não ser preciso leitos de UTI, tampouco maternidade de alto risco. “As mães poderão ter seus bebês em maternidade de risco habitual e ter uma rede estruturada para acompanhar o bebê, identificar a má formação e o que será preciso para o tratamento”, explica.
Um dos dificultadores, pondera Maria da Guia Garcia, é a baixa oferta e qualidade dos pré-natais realizado na rede pública. “É comum mães chegarem a quinta consulta sem ter conseguido fazer os exames de ultrassonografia morfológica, isso precisa mudar”, afirma. A diretora adianta que a MEJC não tem capacidade de absorver a demanda por este exame obstétrico para identificar possíveis casos da doença.
O protocolo se baseia no documento editado pelo Estado de Pernambuco, onde há o maior registro de casos, e vai orientar médicos e profissionais de saúde a investigar sintomas da zyka, chikungnia e dengue em gestantes, que deverão procurar atendimento nos primeiros sinais da doença: coceira no corpo, manchas vermelhas e febre baixa. “O Brasil não tem sorologia para zika vírus, então é preciso investigar sintomas e identificar outras doenças virais, como a toxoplasmose”, afirma.
Nos últimos 15 dias, a Maternidade-Escola Januário Cicco registrou três casos de bebês com microcefalia, nenhum deles foi associado a ocorrência de zyca durante a gravidez. No mês passado, um bebê foi internado no HUOL com a má formação na caixa craniana. “É um caso com outras má formações e sem registro de a mãe ter tido a zika, dengue durante a gestação”, disse o pediatra de plantão, Neftali Macedo.
Em todo o RN, há 30 casos de bebês nascidos com microcefalia entre agosto e novembro. Embora estudos mostrem que essa anomalia congênita pode ter diferentes origens, há suspeita que o causador seja o zika vírus. Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a virose teve um surto este ano.
Combate ao vetor é intensificado pelo Município
Em Natal, o índice vetorial é considerado crítico – alto risco de ocorrência de casos e intensidade do vetor – no bairro de Nossa Senhora da Apresentação, na zona Norte. Dos 88 casos de dengue notificados na capital nas últimas três semanas, 44 foram na localidade, segundo Alessandre Medeiros, chefe do Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde.
“A prevenção e controle vetorial já está sendo identificada. Com trabalho de identificação dos pontos mais críticos e intensificação das ações, com visitas, carro fumacê, além da busca de casos de quadro febril no raio onde há notificação”, explica.
Desde abril, a SMS adotou aparato para medir o índice vetorial, a partir da presença de ovos do mosquito Aedes Aegypt. “A armadilha é posta a cada 300 metros e onde tem maior quantidade de ovos, há fêmeas que é o transmissor”, conta Medeiros.
O controle vetorial faz parte das ações preconizadas pelo Ministério da Saúde. Com o decreto de estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, em virtude dos casos de microcefalia na região Nordeste, o Ministério emitiu ontem uma série de orientações às gestantes. Até que se esclarecem as causas do aumento da incidência dos casos de microcefalia na região, as mulheres que planejam engravidar devem conversar com médico e avaliar adiar a decisão. A nota também recomenda a adoção de medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doenças.
Um boletim epidemiológico sobre os casos de microcefalia no país será divulgado na próxima terça-feira (17), pelo MS.
Veja as orientações do Ministério da Saúde
1 – Devem ter a sua gestação acompanhada em consultas pré-natal, realizando todos os exames recomendados pelo seu médico;
2 – Não devem consumir bebidas alcoólicas ou qualquer tipo de drogas;
3 – Não utilizar medicamentos sem a orientação médica;
4 – Evitar contato com pessoas com febre, exantemas ou infecções;
5 – Adoção de medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doenças, com a eliminação de criadouros (retirar recipientes que tenham água parada e cobrir adequadamente locais de armazenamento de água);
6 – Proteger-se de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes indicados para gestantes.
Fonte: Tribuna do Norte