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IDSUS não reflete realidade

Geral

06.03.2012

A saúde pública no município de Natal foi classificada como sendo a 11ª com melhor Índice de Desempenho do SUS (IDSUS), no país. Natal Recebeu nota 5,90, acima da média nacional que foi de 5,47, e do Nordeste que foi de 5,28. O município está pouco atrás de Recife (5,91) e à frente de cidades como Salvador, Fortaleza, João Pessoa, Aracaju, Teresina e Maceió, mas o IDSUS não traduz com exatidão os "nós" que o município ainda tenta desatar.

O novo índice não mede, por exemplo, filas de espera, nem distâncias percorridas até se chegar ao atendimento. No município de Natal, a universalização do acesso é um dos maiores problemas da rede. Ao procurar a rede básica, nem sempre todos são atendidos. Uma das falhas está na cobertura populacional estimada de Estratégias Básicas de Saúde. O município tem hoje um déficit de 51 médicos nas esquipes de ESF (Estratégias de Saúde da Família).

Essas equipes funcionam apenas com enfermeiros. Outras sequer estão ativadas. Isso acontece, mesmo depois de o município ter contratado oito profissionais, no final do ano passado. Na avaliação do Ministério da Saúde, o índice desempenho do município nesse quesito recebeu nota 4,21 – abaixo da nota 5 que é considerada metade do caminho para o SUS ideal, que atende com efetividade a todos.

Em um outro indicador do IDSUS, de internações clinico-cirúrgicas de média complexidade, a nota foi de 3,96. Desempenho que denuncia o quanto é longo o caminho até o SUS ideal. O IDSUS avalia o quanto a rede pública disponível em determinado município cumpre o que deveria.

Em 2010, ano em que a maioria dos dados foram coletados, a rede básica de saúde passou por crise de desabastecimento de materiais e medicamentos, falta de médicos e descontinuidade de ações, como a paralisação das obras da UPA da Cidade da Esperança, que teve sua construção iniciada em julho de 2010. Os problemas persistiram em 2011. No caso da UPA, a obra continua parada, sendo a única opção da população é a Unidade Mista da Cidade da Esperança. Nessa unidade, a falta de medicamentos é constante.

Diante da realidade ainda problemática, a secretária Maria do Socorro Perpétuo Nogueira, reconhece que "há muito por fazer" e que "está havendo alguma dificuldade no meio do caminho, entre a oferta do serviço e a efetividade desse serviço". Em entrevista coletiva, concedida no final da manhã, de ontem, a titular da SMS disse que "o desafio é encontrar soluções para atingir mais facilmente as pessoas que procuram os nossos serviços".

Maria do Perpétuo afirmou que "especialistas e técnicos, o município tem" e atribuiu a dificuldade de acesso aos serviços à 'falhas de comunicação'. "Talvez as pessoas não estejam indo para o lugar certo. Nosso desafio é identificar o que tem dificultado esse acesso", disse. Maria do Perpétuo acredita que através do Provab [Programa de Valorização da Atenção Básica] será possível ampliar o número de médicos da Estratégia de Saúde da Família. E reconheceu que esse é um dos indicadores em que o município não vai bem. "Esperamos ter uma cobertura razoável até o final do ano", declarou.

Quanto a UPA da Cidade da esperança a promessa é reiniciar a obra em março de 2012, com prazo de 60 dias para a conclusão. Segundo a titular da SMS, a prefeitura ainda não tem prazo para abertura da unidade. "Vai depender da conclusão da obra. Estamos nessa expectativa, além disso, tem os equipamentos, cujos processos vão ser conduzidos paralelamente à obra", afirmou.

Sobre o desabastecimento, a secretária disse que os problemas foram sanados, afastando o risco da falta na rede, ao longo deste ano. 

Reprodução: Tribuna do Norte