INTERNACIONAL: MÉDICOS ALERTAM SOBRE SUPERBACTÉRIA
Geral
12.08.2010
TRIBUNA DO NORTE – 12-08-2010
Secção: Internacional
Link: http://tribunadonorte.com.br/noticia/medicos-alertam-sobre-superbacteria/156659
Publicado no dia 12/08/10
MÉDICOS ALERTAM SOBRE SUPERBACTÉRIA
Londres (AE) – Um novo gene bacteriano que permitiria a qualquer bactéria transformar-se em um superorganismo extremamente resistente a antibióticos chegou ao Reino Unido, aparentemente levado por pessoas submetidas a cirurgias plásticas na Índia, e poderia em breve espalhar-se pelo mundo, advertem cientistas britânicos em estudo publicado na revista médica The Lancet. Depois de ter-se espalhado pela Índia, o gene bacteriano capaz de desenvolver superbactérias é cada vez mais encontrado no Reino Unido e em outro países desenvolvidos, constataram os autores da pesquisa.
Os especialistas britânicos acreditam que a explosão da indústria do turismo médico na Índia e no Paquistão pode estimular um surto de resistência aos antibióticos, à medida que os pacientes passam a carregar consigo perigosas bactérias para seus países de origem.
O gene da superbactéria, que pode ser compartilhado por diferentes bactérias e torná-las extremamente resistentes à maioria dos antibióticos, foi até agora identificado em 37 pessoas que retornaram ao Reino Unido depois de serem submetidas a cirurgias na Índia e no Paquistão.
O gene resistente também foi detectado na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos, na Holanda e na Suíça. Os pesquisadores acreditam na probabilidade de a superbactéria espalhar-se por todo o mundo, uma vez que muitos norte-americanos e europeus viajam para a Índia e o Paquistão para procedimentos como cirurgia plástica cosmética.
Em artigo publicado na edição online da revista média The Lancet, médicos relataram ter encontrado um novo gene, identificado como NDM-1, que altera a bactéria, tornando-a resistente a quase todos os antibióticos conhecidos.
O gene foi detectado primeiro na bactéria E.coli, a causadora mais comum das infecções do trato urinário e cujas estruturas de DNA podem ser facilmente copiadas e passadas para outros tipos de bactéria.
Os pesquisadores disseram que o gene da superbactéria aparentemente tem ampla circulação na Índia, onde o sistema de saúde tem menos possibilidade de identificar sua presença ou de ter antibióticos adequados para tratar os pacientes. “A possibilidsade de o NDM-1 se tornar um problema de saúde mundial é grande e é necessária uma vigilância internacional”, escreveram os autores. Ainda assim, o número de pessoas nas quais o gene da superbactéria foi identificado é pequeno.
“Provavelmente estamos no início de outra onda da resistência a antibióticos, embora ainda tenhamos poder para impedi-la”, disse Christopher Thomas, professor de genética molecular da Universidade de Birmingham, que não tem ligação com o estudo.
Thomas disse que uma vigilância mais estrita e procedimentos de controle de infecções podem barrar a disseminação do gene bacteriano. Ele afirmou que, embora as pessoas que vão a hospitais britânicos tenham pouca possibilidade de entrar em contato com uma bactéria com o gene, elas devem permanecer vigilantes sobre as medidas de higiene, como lavar as mãos adequadamente. “A disseminação destas bactérias multirresistentes exige monitoração muito apurada”, escreveu Johann Pitout, da divisão de microbiologia da Universidade de Calgary, no Canadá, em comentário na Lancet. Pitout pediu a realização de vigilância internacional sobre a bactéria, particularmente em países que promovem o turismo médico. “As consequências serão sérias se médicos tiverem de tratar infecções causadas por bactérias multirresistentes diariamente.”
Salmonella, aliada contra o câncer
São Paulo (AE) – Pesquisadores italianos descobriram que a bactéria Salmonella desperta as defesas do organismo contra tumores malignos, tornando-o capaz de reconhecer e destruir células cancerígenas. A Salmonella é associada a casos de intoxicação alimentar decorrentes, na maioria das vezes, da ingestão de carne e ovos contaminados. Nos testes, os cientistas utilizaram uma linhagem enfraquecida da bactéria, incapaz de causar a doença. Trabalhos anteriores haviam mostrado que a Salmonella infecta preferencialmente células tumorais. O artigo, publicado na revista “Science Translational Medicine”, descreve como os pesquisadores aproveitaram tal afinidade para acordar o sistema imunológico.
No início do câncer, as defesas do organismo costumam reconhecer e eliminar as células defeituosas. Com o tempo, o tumor consegue sabotar os mecanismos de comunicação celular que denunciariam a anomalia. O câncer pode então se espalhar sem ser incomodado pelo sistema de defesa.
Normalmente, o tumor inibe a produção de uma proteína nas células cancerosas: a Cx43. Ela é responsável por apresentar ao sistema imunológico sinais de que algo vai mal – os chamados antígenos tumorais.
Os cientistas descobriram que a infecção pela Salmonella restabelece os níveis normais de Cx43. O sistema de defesa percebe então que a Salmonella é o menor dos problemas: o câncer se torna prioridade. Células T CD8 são enviadas ao local para matar as células cancerosas.
A coordenadora do trabalho, Maria Resigno, do Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, explica que os testes foram realizados em tumores de pele – melanomas -, pois “não há cura definitiva para as formas com metástase desse tipo de câncer”.