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LUZ DESENCADEIA ENXAQUECA - Estudo realizado no Brasil mostra que até 40% dos casos estão ligados à exposição prolongada à claridade

Geral

14.09.2010

DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE

Por: Carolina Lenoir

O instinto de procurar lugares calmos e escuros quando se tem fortes dores de cabeça recebeu uma explicação científica. De 30% a 40% dos casos da crise de enxaqueca têm como fator desencadeador a exposição prolongada à luz intensa, de acordo com estudos coordenados pelo neurologista paranaense Elcio Juliato Piovesan, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. No Brasil, 17% da população têm enxaqueca – 21% das mulheres e 8% dos homens, especialmente na faixa etária entre 16 e 42 anos. A proporção aproximada de três mulheres para cada homem deve-se, principalmente, às oscilações hormonais (em sua maioria do estrogênio) da mulher, comuns durante o período menstrual.

O médico explica que as pesquisas tinham o objetivo de fazer a conexão entre a fotofobia – uma sensibilidade excessiva à claridade – e a enxaqueca. "A ideia de que a enxaqueca causa apenas dor de cabeça é errada, porque existe uma série de outras manifestações clínicas, entre elas a própria fotofobia." De acordo com Piovesan, existem dois cenários em que a luminosidade influencia a enxaqueca. "No primeiro, o paciente já está com dor de cabeça e a exposição à luz piora essa dor. No segundo, a luminosidade desencadeia a enxaqueca. Nesse caso, a relação é direta: quanto mais intensa é a exposição, mais forte é a dor", diz.

No primeiro estudo, cerca de 60 pessoas foram divididas em dois grupos: um, formado por quem tinha enxaqueca; outro, por quem não tinha o problema. "Os grupos foram expostos aos mesmos níveis de intensidade de luz por um período de dois minutos. Quando se chegava a determinado nível, o grupo com enxaqueca relatava uma alteração na percepção de estímulos dolorosos, enquanto o outro não referia senti-la", explica. Segundo o neurologista, foi possível chegar à conclusão de que o limiar de exposição à luz capaz de induzir uma primeira percepção da dor é menor no grupo de pessoas com enxaqueca.

"A luz é um estímulo externo que acentua a hipersensibilidade apresentada pelo paciente nos períodos de crise. A região do cérebro que é mais sensível às alterações é o lobo occipital, responsável por processar os estímulos visuais", explica Piovesan. No caso de quem tem enxaqueca, a luz entra pelo olho por meio da retina (prolongamento do nervo óptico), segue para o centro cerebral que processa a dor (núcleo caudal do trigêmeo) e atinge o córtex somatosensorial, induzindo a dor ou facilitando outros centros de produção da enxaqueca.

Fonte: DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE