MÃE E FILHA COM POUCAS CHANCES DE VIDA
Geral
13.09.2010
DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE
Com Julinda, a sequência ocorreu em questão de horas, chegando à Síndrome de Hellp. Depois de ter várias convulsões, quando chegou ao hospital em Brasília o coração já batia lentamente, o fígado e os rins não funcionavam e a função cerebral estava comprometida. Ela expelia sangue pelos poros, pelo nariz e por outros orifícios. Uma cesariana de urgência foi feita e os médicos deram 1% de chance de sobrevivência para as duas.
O estado de mãe e filha era crítico. As convulsões comprometeram o bebê, que precisou ser reanimado e, três meses depois, ainda está na UTI. "Julinda ficou em coma, correu risco de ficar cega e paralítica. Foi necessário fazer transfusão de sangue e hemodiálise. Graças a Deus, depois de 15 dias entre a vida e a morte, ela conseguiu dar a volta por cima e não ficou com nenhuma sequela", conta o comerciário Lécio de Souza, marido de Julinda. Isabela nasceu com apenas 760g. Ao longo dos últimos 90 dias, engordou 1kg. "Infelizmente, não sabemos a dimensão das lesões neurológicas, mas temos esperança de que a alta ocorra em 15 dias. Diante do que presenciei, se minha mulher sobreviveu e está bem, pode acontecer o mesmo com a minha filha", espera Lécio.
De acordo com o obstetra Petrus Sanchez, não há como prevenir a pré-eclâmpsia e seus desdobramentos. O tratamento definitivo é o parto. Quando é possível, o controle da hipertensão pode ser feito com medicamentos e monitoramento atencioso. "Muitas gestantes ficam internadas para receberem esses cuidados. Quando a pré-eclâmpsia surge muito precocemente, o grande desafio dos médicos é avaliar o melhor momento para interromper a gestação sem colocar em risco a vida da mãe e da criança", pondera.
Mulheres muito jovens (abaixo de 19 anos), acima de 40, hipertensas e diabéticas, obesas, grávidas de gêmeos e com casos da doença na família estão mais suscetíveis ao problema. "Ainda não conseguimos trabalhar a prevenção porque não sabemos a causa da doença. Alguns autores acreditam que a pré-eclâmpsia é originária de uma placentação inadequada, ou seja, de um processo de adesão da placenta ao útero de forma imprópria", completa o obstetra Ricardo Cavalli.
Saiba mais
Sérias complicações
A pré-eclâmpsia é uma condição específica da gestação caracterizada pelo surgimento de hipertensão arterial, associada a inchaço de mãos e face e/ou significativa proteinúria – perda de proteínas na urina, o que a deixa espumosa após a 20ª semana de gravidez.
Pré-eclâmpsia e eclâmpsia
A pré-eclâmpsia pode desencadear a falência de diversos órgão e evoluir para a eclâmpsia, que apresenta convulsões, complicação que leva ao coma. As duas condições podem levar à morte da gestante quando não tratadas adequadamente.
Perigos
Mães
O aumento da pressão sanguínea provoca efeitos maléficos sobre diversos sistemas, principalmente o vascular, o hepático, o renal e o cerebral. Essas complicações promovem a alta incidência de mortalidade e morbidade materna.
Bebês
A pré-eclâmpsia reduz o fornecimento de sangue ao feto e pode causar o despendimento prematuro da placenta da parede uterina, fatores que impedem que o oxigênio e nutrientes cheguem em quantidades ideais ao bebê, afetando o crescimento.
Apré-eclâmpsia também causa abortamento, prematuridade e sofrimento fetal agudo e crônico.
Fatores de risco
l Hipertensão e diabetes melito pré-existentes
l Componente genético, já que de 25% a 31% de filhas de mulheres com pré-eclâmpsia desenvolvem a doença
l Obesidade
– Idade acima de 40 anos
l Doenças crônicas que afetem o sistema circulatório, como lúpus e problemas renais
l Gravidez de gêmeos ou mais
Sintomas
l Dor de cabeça persistente
l Dor do lado direito (sob as costelas)
l Visão embaçada
l Inchaço repentino dos pés e das mãos
l Vômitos
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico – feito em consultório – e confirmado quando:
l A pressão arterial diastólica (mínima) está igual ou superiro a 90 mmHg ou a pressão arterial está acima de 15 mmHg antes da 20ª semana de gestação
l Quando a hipertensão estiver associada à proteinúria – valores iguais ou maiores a 300mg de proteína no material coletado durante 24 horas
Números
l A pré-eclâmpsia é responsável por cerca de 37% das mortes obstétricas diretas -relacionadas com complicações surgidas durante a gravidez, parto ou puerpério -, o que a torna uma das principais causas de óbito materno
l Mulheres com hipertensão arterial pregressa tem o risco de desenvolver pré-eclâmpsia aumentado em 25%
l A frequência de pré-eclâmpsia varia de 2% a 10% das gestações