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MAIS CEDO DO QUE SE IMAGINA - Ao contrário da percepção popular, a esclerose surge, normalmente, entre os 20 e os 40 anos

Geral

21.09.2010

DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE

Por: Márcia Neri

Publicado no dia 21/09/10

Não existem estudos que revelem com exatidão a incidência da esclerose múltipla (EM) no Brasil. Neurologistas estimam que a doença atinja entre 40 mil e 50 mil pessoas no país. O problema é praticamente desconhecido entre os brasileiros. Uma pesquisa realizada pelo Ibope revelou que, para 70% deles, a doença neurológica que costuma acometer homens e mulheres na fase mais produtiva da vida – entre 20 e 40 anos -, ainda é confundida com demência, mazela que compromete pessoas em idade avançada e é caracterizada pela perda progressiva de memória. O desconhecimento também permeia os profissionais de saúde. A maioria deles acaba menosprezando sintomas, fato que posterga o diagnóstico e impede maior controle da EM.
 

Considerada pela medicina – ao contrário da percepção popular – uma doença de jovens, a esclerose múltipla afeta o sistema nervoso central. Em casos mais raros, o mal também atinge crianças. A causa ainda é desconhecida, mas sabe-se que infecções oportunistas, assim como a falta de exposiçãosolar e o tabagismo, são importantes gatilhos. De acordo com o neurologista Éber de Castro, a EM nada tem em comum com a demência. No caso da esclerose múltipla, o sistema imunológico sofre uma espécie de pane e, em vez de combater corpos nocivos, passa a atacar o próprio organismo, em especial a mielina. "Fazendo uma comparação simples, a mielina é uma estrutura que envolve os neurônios. Ela encapa os nervos, é uma espécie de proteção semelhante àquela dos fios condutores de eletricidade", detalha o médico.

Sem a bainha de mielina, os neurônios são expostos e a transmissão dos impulsos nervosos fica comprometida. A pessoa, então, passa a ter o que os neurologistas denominam de surtos, que se manifestam em forma de formigamentos, dormências nos braços e nas pernas, alterações visuais, desequilíbrio, perda da força, urgência urinária e comprometimento cognitivo. Com o tempo, se os surtos não forem controlados, acabam gerando incapacidade física.

Cegueira

Um quadro comum da esclerose é a pessoa amanhecer praticamente cega. Isso ocorre quando a mielina do nervo do olho sofre a destruição, impedindo que o indivíduo enxergue por algum tempo. "Passadas umas três semanas, o organismo reconstrói a mielina e a pessoa recupera a visão. A qualidade da proteção dos neurônios, porém, não é a mesma", lamenta o especialista. Os surtos duram mais de 24 horas, podem ser espaçados ou simultâneos, comprometendo outras funções, sempre dependendo do nervo afetado pela doença. O saldo são as sequelas.

O aposentado Renato Cevenini Salvador Ramos, 59 anos, define a EM como uma "doença sutil". Ele lembra que sentiu os primeiros sintomas há pelo menos duas décadas. O diagnóstico, porém, foi feito apenas há um ano e meio. Ativo e ligado ao esporte, ele corria de sete a 10 quilômetros por dia. "Lembro de algumas vezes sentir uma limitação na perna direita, mas achava que havia exagerado no esforço. Cansei de ouvir de médicos que eu não tinha nada. Só me dei conta de que algo estava realmente errado quando as limitações aumentaram", conta. Para enfrentar a doença, Renato buscou informações e tratou de se adaptar às dificuldades que foram surgindo.

Fonte: DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE