Médico hospitalista, uma atividade em crescimento
Geral
15.04.2011
Responsabilidades envolvem dedicação integral aos pacientes internados e gestão da atividade médica. A chamada Medicina Hospitalar é a atividade médica que mais cresce nos Estados Unidos. Em apenas 10 anos – de 1996 a 2006 – o número de profissionais passou de mil para mais de 20 mil. No Brasil, existem experiências promissoras. Os principais hospitais dos Estados Unidos já adotaram a Medicina Hospitalar. O que mais diferencia o médico hospitalista é o seu local de atuação. Assim como há os intensivistas, que cuidam das UTIs, e os emergencistas, que ficam no pronto-socorro, este profissional se dedica integralmente aos pacientes internados na enfermaria do hospital. Para trabalhar como médico hospitalista, é preciso ter bom conhecimento de emergências, um perfil de ótimo relacionamento interpessoal e interprofissional, além de competências em gestão. Diferentemente do plantonista, que atua em sistema de escalas, nem sempre regulares, o hospitalista é um médico contratado pela instituição. Faz o acompanhamento horizontal dos pacientes internados, com dedicação em período integral ou, no mínimo, meio-período. Ele mantém a interface com os médicos das diversas especialidades, acelera a realização de exames, auxilia no pré e no pós-operatório e agiliza a alta do paciente. Além disso, atua como um verdadeiro gestor, gerenciando protocolos, criando e acompanhando indicadores de qualidade. Implantar uma equipe de médicos dedicada na enfermaria significa diminuir o tempo de cada atendimento, da resposta em casos de emergência e o período que o paciente recuperado aguarda a alta médica, reduzindo o risco de infecções. O paciente, por sua vez, seria mais bem atendido e teria maior confiança na instituição, personificada na figura do hospitalista. Quando um mesmo médico atende o paciente todos os dias, conhece o histórico e pode constatar a evolução mais rapidamente. Para o hospital, a vantagem estaria principalmente na diminuição do tempo de internação e na racionalização do sistema como um todo. Finalmente, no que diz respeito aos médicos, a atuação contínua possibilitaria uma melhor administração das prioridades de atendimento, inclusive dos procedimentos eletivos, o que resultaria em maior resolutividade. A atividade também ajudaria a resgatar o valor do generalista, representando novo e promissor mercado de trabalho para clínicos gerais e pediatras. Estimativas demonstram que o modelo pode reduzir o tempo de internação em 12% e os custos do hospital, em média, 13%. De acordo com os adeptos da Medicina Hospitalar, os médicos das diversas especialidades poderiam dedicar muito mais tempo a seus consultórios ou a outras atividades se não tivessem a obrigação de fazer as visitas no hospital, sempre mantendo o contato com os hospitalistas. Do ponto de vista científico, o presidente do Comitê Médico Jovem da Associação Paulista de Medicina (APM), afirma que os profissionais brasileiros estão mais do que prontos. “Os conhecimentos são os mesmos da medicina clínica. Não há motivo para a hospitalar se tornar uma especialidade, mas uma área de atuação, com capacitação para a parte administrativa.”