MÉDICOS DISCUTEM SERVIÇOS DE EXAMES E RESSONÂNCIA MAGNÉTICA
Geral
02.09.2010
O MOSSOROENSE | COTIDIANO
Ontem (1º), em Natal, o Conselho Estadual de Saúde se reuniu com o Conselho Municipal de Saúde de Mossoró e representantes da Secretaria Municipal de Saúde para debater dois assuntos urgentes no Rio Grande do Norte, relacionados aos serviços públicos de saúde. Um é para todo o território potiguar: qualidade dos serviços de hemodiálise e transplante de rins. Outro trata especificamente de Mossoró: problema da marcação de exames de tomografia e ressonância magnética.
O último, referente a Mossoró, é o mais grave. De acordo com o presidente da Associação Médica de Mossoró (AMM), João Firmino, a situação do serviço público no município é crítica. Ele diz que aqui, principalmente com relação a exames de tomografia, no geral demora-se um ano para marcar uma consulta. "Isso mesmo: um ano. Às vezes, mais, às vezes menos. Mas, com certeza, não menos de seis meses". Exames de tomografia e ressonância magnética servem principalmente para diagnosticar problemas no cérebro e na coluna.
O presidente explica que essas são duas partes do corpo difíceis de tratar e que precisam de um diagnóstico preciso e precoce. Segundo Firmino, a população de Mossoró sofre principalmente com a hérnia de disco. "Existe uma quantidade enorme de pessoas com essa doença na cidade". Ele explica que, como a demora para ser atendido é grande, há casos de pessoas que pararam de andar enquanto esperam atendimento. "Todos os casos de urgência aqui ficam comprometidos", diz. E não é só isso: "Sem o exame, muitas vezes o tratamento recomendado pelo médico é incorreto".
Para saber sobre o que se planeja com relação aos atendimentos de hemodiálise e tomografia, O Mossoroense tentou falar, pelo telefone fixo e celular, com a titular da Gerência Executiva de Saúde, Jaqueline Amaral, mas não obteve êxito. Até o fechamento desta edição, a presidente do Conselho Estadual de Saúde, Luzia Bessa, estava em reunião na Secretaria de Saúde, em Natal.
Mossoró tem um total de seis aparelhos para pacientes do SUS e particulares
Em Mossoró, há dois aparelhos para ressonância magnética e quatro para tomografia. No primeiro caso, os hospitais em que o serviço pode ser encontrado são: Oitava Rosado e Wilson Rosado. Para o segundo caso, há também os dois citados e mais dois: Tarcísio Maia e Dix-sept Rosado. As instituições privadas têm convênio com o Governo do Estado.
Para atendimento público, as consultas são marcadas no prédio da central da Samu, na rua 6 de Janeiro. Os atendimentos privados podem ser marcados nos próprios hospitais. Pagas, as consultas são realizadas no mesmo dia. Custam entre R$ 600 e R$ 500 as ressonâncias e entre R$ 350 e R$ 300 as tomografias.
Para o presidente da Associação Médica de Mossoró (AMM), João Firmino, esta quantidade é "mais do que suficiente para Mossoró". Ele diz que o problema da demora no atendimento no serviço público tem duas causas: a falta de organização dos médicos para marcar os exames e a falta de investimentos na área.
"Os exames são considerados de alto custo, muito caros, então é necessário um investimento maior para que possam ser realizados", explica. "Outra coisa que ocorre é que os médicos marcam uma quantidade excessiva de análises, algumas vezes, desnecessárias".
A solução estaria, ainda de acordo com João Firmino, num remanejamento de verbas e uma reeducação dos médicos. "O Conselho Estadual de Saúde é o órgão mais apropriado para solucionar essas questões, porque ele pode fazer tanto um remanejamento de verbas como pedir mais recursos ao Governo Federal, além de debater essas questões com a classe", conclui.