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MINISTÉRIO DA SAÚDE CORTA AIHS DA APAMIM

Geral

08.09.2010

JORNAL  DE FATO | ESTADO

Governador Dix-sept Rosado – O Ministério da Saúde cortou no mês de junho passado as 32 AIHs (autorização de internamento hospitalar) que eram destinadas para a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância (APAMIM), única unidade de saúde de Governador Dix-sept Rosado, que tem treze mil habitantes e fica distante 35km de Mossoró.
Os funcionários da unidade disseram que a Apamim nunca funcionou com a estrutura que deveria. Lembram que no final da década de setenta/início dos anos oitenta passaram mais de oito meses sem receber salários. Nessa época, segundo eles, quem pagava as contas da unidade era o então deputado Vingt Rosado. Nos anos seguintes, Laíre e Sandra Rosado destinavam recursos no Orçamento Geral da União para a unidade pagar suas contas e funcionar.
Mas, as regras para liberação de recursos mudaram. E as dificuldades triplicaram. "Durante o governo de Adail Vale essa unidade só não fechou porque os funcionários saíram pedindo ajuda de um e de outro", conta o vereador Ricardo Martins. No governo de Lanice Ferreira, atual prefeita, Ricardo Martins disse que foi assinado um convênio para atendimentos básicos.
Com esse convênio, foram contratados cinco enfermeiras, três ASGs e médicos 24 horas/dia na cidade. Só que a unidade precisa pagar salários de outros 15 funcionários, que eram pagos com pouco mais de R$ 10 mil, referente às AIHs que recebiam do Governo Federal. "Essas AIHs foram cortadas e agora estamos prestes a ficar sem nossa unidade de saúde", diz Ricardo.
Assim como a Apamim de Governador Dix-sept Rosado, várias outras da região Oeste passam pela mesma dificuldade. O Governo Federal cortou os recursos, alegando que essas unidades de saúde não têm atendimento nas especialidades de pediatria, cirurgia, ginecologia, psiquiatria, hansionologia, dermatologia e cardiologia. Além desses problemas, várias Apamims também não têm estrutura adequada para funcionar. É o caso de Martins.
Lá, a unidade teve três alas interditadas pela Anvisa, por não atender as exigências do Ministério da Saúde para funcionar. Diante do quadro, as mulheres que aguardam bebês em Martins estão sendo levadas para Pau dos Ferros, Caraúbas ou Mossoró. No mesmo caminho segue o Apamim de Governador Dix-sept Rosado, Portalegre, entre outras.
Além do prejuízo de essas cidades ficarem sem o atendimento médico, a demanda de atendimento será deslocada para Mossoró, que já atende com dificuldade parte da população dessas regiões. "Não queremos isso. Queremos que os Governos do Estado e Federal entrem num acordo para que a Apamim de nossa cidade volte a funcionar, a atender à população", diz Ricardo Martins, lembrando que saúde não é algo que se possa entrar no debate político interminável.

Câmara aprova audiência para debater o problema
O vereador Ricardo Martins propôs na sessão da Câmara da semana passada, e foi aprovado por todos da Casa, um requerimento solicitando a realização de uma audiência pública no município, especificamente para tratar da questão de saúde pública. "Precisamos acrescentar que a cidade tem cinco equipes de Programa de Saúde da Família e já não está com a sexta por não ter médico para contratar", explica.
Sobre a Apamim, Ricardo Martins diz que o sistema adotado pelo Governo Federal é excludente, exclui os pequenos hospitais das pequenas cidades e beneficia os grandes centros, prejudicando diretamente a população, que, para ter acesso à saúde, enfrenta o problema do transporte (ambulancioterapia) e as dificuldades de ser medicada em outro centro.
Para debater o assunto na audiência pública, o vereador disse que estão sendo convidados, além da gestora municipal, no caso Lanice Ferreira, representantes da Secretaria Estadual de Saúde, do Ministério da Saúde, assim como da Justiça, do Ministério Público Estadual e Federal. "Queremos que justiça seja feita com a população das pequenas cidades", diz o vereador.
A audiência pública para tratar dos serviços de saúde em Governador Dix-sept Rosado está prevista para ser realizada entre os dias 20 e 30 deste mês. "Temos pressa, não pela questão eleitoral, mas pela urgência quanto à Apamim, que está há dois meses sem receber recursos do Ministério da Saúde e prestando serviços à população numa área vital", destaca.

Fonte: JORNAL DE FATO | ESTADO