Mudança conceitual sobre uso de medicamentos
Geral
20.08.2012
Segunda a psiquiatra Paula Borba, sempre houve um medo de se medicar gestantes devido às contraindicações nas bulas e riscos de má formação do feto. Contudo, essa concepção vem mudando e a saúde mental das gestantes vem ganhando mais espaço na medicina. A psiquiatra explica que a medicação vem sendo estudada e usada com maior segurança atualmente, porque se constatou que deixar uma gestante doente de uma depressão, por exemplo, pode ser tão maléfico para o bebê quanto o uso de uma medicação. "Desde que a medicação seja prescrita com segurança e adequada ao período de gestação, a opção é válida", diz Paula.
Segundo ela, o que ocorreu ao longo dos anos na medicina foi uma mudança de paradigma. "Não se trata de um aumento no número de casos, mas numa mudança conceitual. O sofrimento psíquico pode afetar até a própria gestação, resultar em partos prematuros e até dificultar um crescimento adequado do bebê", ressalta.
No tratamento desses transtornos mentais, é fundamental um acompanhamento do pré-natal que dê espaço para a mulher expressar o que vem passando, se tem dificuldades de dormir ou de executar suas funções diárias, além do suporte familiar. Foi constatado ainda, que mulheres solteiras são mais acometidas por transtornos psíquicos, devido às pressões sociais e ausência de um apoio do pai da criança. Muitas vezes, há também uma interferência na sexualidade da mulher e uma queda da sua libido. O companheiro desempenha um papel essencial nesses casos, tendo que estar consciente sobre a influência hormonal pela qual passa a mulher.
De acordo com Paula Borba, a atenção ao próprio organismo é o ponto-chave para a gestante. "A própria grávida tem que abrir sua visão e compreender que nem tudo que acontece com ela é normal da gestação. Passar isso ao profissional que à acompanha, que a primeiro momento é seu ginecologista, pode encaminhá-la, se for o caso, à um profissional mais adequado para ajudá-la também a passar por esse momento de mudanças", conclui.
Fique atento
Principais doenças mentais que as mulheres grávidas estão vulneráveis
-Depressão (durante e após a gravidez)
-Síndrome de pânico
-Crise de ansiedade
– Sintomas de alerta
Tristeza intensa
Rejeição ou insegurança para cuidar do bebê
Pensamentos catastróficos
Zelo excessivo pela criança
Sentimento de medo sem explicação
Falta de motivação para realizar atividades rotineiras
Fortes e contínuas oscilações de humor, sem causa aparente
Fonte: Diário de Natal