3201 5491

FALE COM A GENTE

ÁREA DO COOPERADO

NATAL: SITUAÇÃO É CRÍTICA NOS HOSPITAIS

Geral

11.08.2010

TRIBUNA DO NORTE – 11-08-2010

Secção: Natal

Link:  http://tribunadonorte.com.br/noticia/situacao-e-critica-nos-hospitais/156541

Publicado no dia 11/08/10

 

SITUAÇÃO É CRÍTICA NOS HOSPITAIS

A dificuldade para conseguir atendimento pediátrico não está restrita aos hospitais da rede pública. Quem tem plano de saúde espera, em média, duas horas para ser atendido e o resultado são as salas de urgências lotadas de crianças. Para ter ideia da situação, na manhã de ontem, 20 crianças aguardavam atendimento no Hospital Papi.

Raíssa Valéria, 7 anos, chegou às 10h de ontem ao Papi com febre, dor de cabeça e de garganta. Mas só às 14h20 ela foi atendida pelo pediatra de plantão. A mãe da criança estava  revoltada com o descaso do hospital. “Passamos quatro horas no hospital. Acho que nem no Walfredo Gurgel demora tanto. Perguntei na recepção e me disseram que os dois médicos estavam atendendo, que tivesse paciência porque tinha muita gente. Isso é um absurdo!”, reclamou Verônica Nazaret.

Edna Soares saiu de Brejinho em busca de atendimento para o sobrinho Lucas Filho, 6 anos. Ela chegou ao Papi às 10h45 da manhã de ontem, mas o garoto foi examinado pelo médico, por volta das 15h. “Pela manhã, a recepção estava lotada. Muita gente preferiu não esperar e foi procurar assistência em outro hospital. Só não fui embora porque ele está muito mal”, disse Edna.

A demora no atendimento não atinge apenas a urgência do Papi. A situação se repete na Promater, que também é referência no atendimento infantil. Na tarde ontem o movimento estava tranquilo, mas segundo os pais é uma cena rara. Acostumada a esperar bastante, a estudante Jussara Souza usa a seguinte tática.

“Saio da aula direto para o hospital para ‘guardar’ a vez do meu filho. Minha mãe ou meu marido se encarregam de trazer Gabriel. Acho melhor fazer isso para diminuir o tempo de espera dele. Já cheguei a ficar três horas aguardando pelo atendimento de urgência”, disse a estudante.

Segundo o diretor médico da Promater, Guilherme Maia esse aumento na demanda deve-se ao fato da redução do número de pediatras que atendem em consultório. “Cerca de 95% dos atendimentos de urgência deveriam ser feitos em consultório. Mas pela falta de opção, os pais recorrem à urgência. Temos 17 pediatras, ficam dois por turno, mas não é suficiente para atender a demanda que é de 160 atendimentos/dia. Se colocarmos mais um médico também não vai atender a demanda”, disse o diretor.

A mesma explicação foi passada pela diretoria do Hospital Papi. De acordo com os hospitais, uma melhor remuneração, por parte dos planos de saúde, para os pediatras de consultoria, melhoraria esse problema.

No Pronto Atendimento Infantil Sandra Celeste, a situação era ainda mais complicada. A unidade estava lotada de pacientes, de várias regiões da cidade, que esperavam por atendimento. Os dois médicos de plantão não eram suficientes para atender às dezenas de crianças espalhadas pela unidade. “Cheguei às 11h da manhã e já são quase 16h e o meu filho ainda não foi atendido. Já fui ao Walfredo e me mandaram para o Sandra Celeste. Estamos até agora e só uma enfermeira veio perguntar o que ele tinha. Não foi passado nenhum medicamento para dor”, reclamou Maria Helenilde da Costa Martins, mãe de Islanisson Martins, 10 anos.

A reportagem da TN tentou contato com a direção do Sandra Celeste, mas foi informada que só poderia conceder entrevista com autorização da assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde.