Nos planos, consultas marcadas com até 60 dias de antecedência
Geral
07.05.2012
Durante muito tempo imune a males comuns da saúde pública, como a excessiva demora para conseguir uma consulta, a saúde suplementar enfrenta problemas similares. A demora no acesso a serviços como atendimento emergencial, consultas especializadas ou cirurgias tem sido constante. Entre as razões disso está a explosão no número de usuários, que aumentou em 80% no Estado em uma década, enquanto a rede de assistência avança bem mais lentamente. Na semana passada houve uma paralisação nacional dos médicos que atendem pelos planos de saúde. "Há uma crise generalizada na saúde suplementar. Sobretudo uma crise de remuneração. Os planos estão lucrando muito dinheiro às custas do trabalho médico e remunerando mal", opinou Geraldo Ferreira, presidente do Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed).
Outro problema é a limitação do atendimento dos médicos. "Faltam medicamentos, faltam leitos para atendimento, os planos negam procedimentos, negam consultas, negam exames. Ao mesmo tempo os planos não incorporam novos exames e as cirurgias usuais para os pacientes, alegando problemas de saúde pré-existentes", relatou Ferreira. Ele disse que os planos resolveram apostar apenas no quantitativo, em detrimento do atendimento de qualidade. "Massificaram o atendimento e diminuíram a qualidade. Hoje para se conseguir uma consulta é preciso marcar com 30 ou 60 dias de antecedência. Esse mau-funcionamento precisa ser corrigido".
Já Fernando Pinto, presidente da Cooperativa dos Médicos do Rio Grande do Norte (Coopmed), que trabalha com os planos de saúde, afirmou que o aumento de usuários da rede particular também se deve à ineficiência do setor público. Em todo o país, de dezembro de 2010 a dezembro de 2011 foram quase dois milhões de novos usuários de planos de saúde. "Eles precisam se preparar para essa demanda, aumentando o número de profissionais, sua própria rede de hospitais, se preparando para surtos de endemias como dengue e viroses. A rede ainda é pequena para o volume grande de usuários".
A deficiência de serviçose a baixa remuneração na saúde suplementar prejudicaram sobretudo os médicos pediatras. Em 2011, mais de 60 consultórios de pediatras foram fechados no Rio Grande do Norte. "Aumentam todos os custos, de manutenção, funcionários, impostos, água, energia, luz. Isso inviabiliza a manutenção de consultórios médicos. Sem consultórios, onde é que o filho do natalense vai ser atendido? Nos hospitais de urgência. Por isso essa grande demanda, que compromete a qualidade dos serviços ofertados", detalhou.
Fonte: Diário de Natal