NOVO ANALGÉSICO A CAMINHO - Pesquisadores descobrem que o extrato da sucupira é eficaz contra a dor e até potencial antitumoral
Geral
14.12.2010
DIÁRIO DE NATAL | SAÚDE
Por: Silvia Pacheco
Publicado no dia 14/12/10
Novos potenciais medicinais das plantas não param de ser descobertos. Ao observar a utilização e os relatos sobre o chá da folha de sucupira – conhecido por amenizar dores nas articulações e na garganta -, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) resolveram estudar as tais propriedades medicinais da planta e descobriram que seu extrato tem eficientes atividades analgésica e antitumoral. A sucupira é uma árvore de porte médio (de até 16m), comum no cerrado brasileiro e em parte da Mata Atlântica brasileira.
Ainda é o que se chama de pesquisa básica, sem mecanismos concretos de utilização (como um medicamento, por exemplo), mas que traz oportunidades de desenvolvimento de novos remédios. "De um dado popular até chegar a um fármaco levam-se anos", enfatiza um dos autores do estudo, Humberto Moreira Spíndola, farmacêutico do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Química, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp. Isso ocorre porque é necessário comprovar se os ativos de fato funcionam e se são seguros para sua utilização. "Estamos em uma etapa inicial do estudo, na qual comprovamos que os extratos da planta funcionam. Precisamos, porém, percorrer um longo caminho até saber se eles são eficazes em seres humanos", diz Spíndola.
Para comprovar as propriedades, os cientistas avaliaram os extratos de folhas e sementes da sucupira e descobriram que, nestas últimas, se encontravam potentes atividades analgésicas e antitumorais. "As folhas não tiveram a mesma atividade, provavelmente por não conterem os mesmos princípios ativos", esclarece Mary Ann Foglio, orientadora de Spíndola.
Na avaliação dos extratos dessas sementes, foram descobertas duas substâncias envolvidas tanto na atividade analgésica como na antitumoral: a geranilgeraniol e a vouacapano. Da união delas, os cientistas desenvolveram um novo extrato para testar em células (in vitro) e em ratos e camundongos (in vivo).
Para descobrir a atividade antitumoral, o extrato foi injetado em células de diversas linhagens de câncer. Segundo Spíndola, os resultados foram positivos em todas as células, demonstrando capacidade de combate ao tumor. O extrato, contudo, teve maior eficiência sobre o câncer de próstata. Nos testes com camundongos, o tumor foi induzido e também foi observada a ação positiva contra os cânceres. "Mas não podemos afirmar que daria certo em humanos, já que os tumores de animais são mais simples. Precisamos de mais estudos para descobrir os mecanismos de ação do extrato nos tumores humanos", sustenta o autor da pesquisa.