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O fracasso do Mais Médicos

Geral

27.08.2013

Não adianta. Não vai dar certo. Infelizmente, para todos, principalmente para as pobres pessoas inocentes que residem “nos rincões do país”, nos “fins de mundo” onde a saúde teima em não chegar. Não porque não querem os médicos brasileiros. Os médicos deste país estão aí, dispostos, firmes, irresolutos em ajudar na disseminação da saúde, na sua melhoria, basta que o governo dê condições de trabalho adequadas. Pode até ser que um posto ou outro de saúde tenha ficado em más condições exatamente porque o médico que deveria ter ido para lá tem plantões além do que a capacidade física permite e – por tanta falta e descrédito – a estrutura tenha sido abandonada. Pode até ser que, por questões políticas menores envolvendo as prefeituras, determinado posto de saúde tenha sido esquecido. Pode até ser que a culpa seja do prefeito que não gerencia bem os recursos para a saúde. Pode até ser que seja muito fácil coletar uma coleção de imagens de unidades de saúde sucateadas e culpar o Governo Federal por isso quando a questão vai muito além disso. Pode até ser que seja um ano pré-eleitoral e a rapaziada esteja se borrando de medo de ver, do nada, uma solução para atender na área de saúde básica milhões de pessoas que ainda hoje morrem porque não conseguem o básico.
Mas a discussão não é essa. Como também não é o caso da linguagem (vide o exemplo que todo mundo já está cansado de ouvir, “embarazada”).

A questão mesmo do porquê o Mais Médicos não vai dar certo é muito mais profunda e séria, grave até, eu diria. Mas ninguém teve ainda coragem de abordar porque é uma verdade que só os médicos sabem e, certamente, vai chocar meio mundo ou mais. Ocorre que os seres humanos que residem em Cuba, na Espanha e em Portugal, os pacientes de lá, são diferentes dos brasileiros. A distribuição interna dos órgãos é completamente diferente. Em Cuba, por exemplo, os pulmões (cuja principal função é oxigenar o sangue e eliminar o dióxido de carbono do corpo) ficam nas batatas das pernas; o coração (que bombeia o sangue de forma que circule no corpo) está na sola do pé; os rins (que filtram o sangue) ficam nas coxas; o fígado na cabeça e o cérebro é um filete de carne que se estende por todo o corpo. Completamente diferente dos brasileiros.

Na Espanha, mais diferente ainda: os paciente de lá possuem o estômago logo após o pescoço; e o coração dentro dele; os intestinos ficam espalhados logo após o quadril; o pâncreas (órgão produtor de enzimas, proteínas que aumentam a rapidez das transformações químicas) fica nas orelhas; e o baço (que controla, armazena e destrói células sanguíneas) – pasmem – fica nas nádegas. Nas mulheres do lado esquerdo, nos homens do lado direito. Há casos de baços duplos, naquele país. Incidência de 1 caso para cada mil pacientes.

Em Portugal, nossos antepassados, a situação é um pouco melhor. Mas mesmo assim complicada. Lá, os órgãos estão todos no lugar, “ingualzim” aqui ao Brasil, mas se comportam de maneira diferente: lá, o coração é o órgão respiratório; os pulmões cuidam da digestão; o estômago bombeia sangue no corpo; os intestinos cuidam dos hormônios; o fígado filtra o sangue; e os rins produzem proteínas nobres e glicose.

E ainda há mais: diferente desses países de onde estão vindo os médicos estrangeiros, no Brasil, o paciente quando está sentindo dor chora, geme e usa uma interjeição que em nenhum outro lugar da terra é usada: “ai”. Às vezes, seguida de “meu Deus” ou “valha-me Nossa Senhora”. Lá nesses países, segundo informam os institutos de pesquisa especializados, a pessoa quando sofre sorri, dá pulos de alegria e executa saltos do tipo triplo mortal carpado, dependendo da gravidade do problema. Sendo assim, não é a barreira da língua nem tão pouco se trata (de maneira alguma) de uma briga por reserva de mercado. Quem trabalha esses argumentos está com o coração cheio de maldade e veneno. É uma questão biológica! Os médicos que estão chegando não entendem de brasileiros: esse povo que além de ter todos os órgãos no lugar certo é composto por gente que – na falta de atendimento adequado tem de se deslocar de cidades como Belém do Brejo da Cruz (Paraíba) porque o posto de saúde não funciona – porque não tem médico – porque o posto não tem condições adequadas – porque o médico não vai lá – porque não interessa oferecer saúde numa cidade tão distante porque o paciente é que dê seu jeito de chegar a um hospital que vai analisar seu caso e – se for o caso (muitas vezes é) – encaminhá-lo a um consultório – porque é assim que o sistema (em parte) funciona.

Acima de tudo, o Mais Médicos está fadado ao fracasso porque é um atentado contra a inteligência do povo brasileiro: onde é que já se viu um troço desses!?!? Pôr médicos para trabalhar onde não há médicos, para atender gente que não têm condições de se deslocar; gente que precisa de atenção básica (!) em saúde. Não se trata de cirurgia, minha gente; antes fosse. E de cabeça, preferencialmente.

PS.: De Cuba, da Espanha e de Portugal, as únicas coisas que podem interessar realmente são o Presunto de Parma, o vinho do Porto, o bacalhau e os charutos. O resto pode custar caro demais.

Fonte: Novo Jornal